A porta abriu diante de mim e pude ver a sala-de-estar. Ampla e simples. Mariana dormia o sono dos justos em meu colo.
Entrei na sala e Luan posicionou-se atrás de mim, me segurando pela cintura. Passei os olhos em cada detalhe.
Sentamos no sofá vermelho. Mergulhei nas lembranças. Esse sofá era vermelho, provavelmente, por causa da cor do sofá da sala de minha mãe, em Guarulhos. Onde passamos longos dias, tardes e noites. Juntos. Como agora. Achei que isso fosse mais uma certeza do "para sempre".
Luan pegou Mariana do meu colo e disse:
- Suba as escadas e conheça o andar de cima. Vou ficar aqui ninando a Nina...
- Nina? - eu abri um sorriso. Que apelido lindo.
- É. A nossa Nininha.. - ele disse, sorrindo também enquanto embalava nossa filha.
Fui em direção às escadas. Apoiei-me no corrimão e passei os dedos levemente, sentindo a textura fina da madeira.
Chegando no segundo andar, era basicamente parecido com a sala. Tudo simples mas ao mesmo tempo, lindo. Abri a primeira porta à direita. Era o quarto de Mariana. A parede era de um tom de rosa claro, e os móveis brancos. Havia um berço, uma cama para a babá, alguns brinquedos pelo chão, um guarda-roupa gigante e a cortina era um tom mais forte da cor da parede. Não vi nenhum móvel do nosso antigo apartamento.
Fechei a porta do quarto e sorri, automaticamente. O meu sonho mais profundo havia se realizado.
Passei para a próxima porta e deduzi que fosse um quarto de hóspedes, ainda vazio.
Virei-me e abri a segunda porta à esquerda. O aposento tinha a parede da cabeceira da cama pintada de um vermelho vivo, cor de sangue. Era nossa cor preferida. A cama box, com um lençol branco e almofadas vermelhas.
Sentei-me na beirada da cama e fiquei olhando a área arborizada em volta da casa. Era final de tarde, o crepúsculo. Minha parte preferida do dia. Sorri involuntariamente.
Voltei minha atenção para o quarto e em cima do criado-mudo haviam dois porta retratos. Um, com a nossa primeira foto. Aquela tirada em meu primeiro camarim, nosso primeiro abraço. A outra, recém revelada. Éramos nós três, horas antes, na saída do hospital. Mariana dormia em meu colo e meu sorriso traduzia bem meu estado de espirito. Luan nos apertava em um abraço de laço.
Me levantei da cama e comecei a passear pelo quarto. Havia também um banheiro enorme e um closet ainda vazio. Tudo em branco e vermelho.
Saí do quarto e fechei a porta. Desci as escadas e voltei para a sala-de-estar.
Com passos lentos, me aproximei e vi que Luan cochilava sentado com Mariana no colo.
Não sei ao certo quanto tempo fiquei admirando os dois anjos de minha vida.
Talvez apenas alguns minutos haviam passado. Mas nesses pequenos minutos, pude ouvir o eco da eternidade.
O amor que eu sentia por ele ainda estava intacto e - não sei como isso era possível - só crescia mais e mais.
Nosso amor passou dos meus limites de fã. Ultrapassou os limites do amor entre homem e mulher.
E eu sabia que ultrapassaria tudo quando nossa filha nascesse. E isso era exatamente o que eu estava sentindo e via isso acontecer diante dos meus olhos. Nitidamente.
Meu amor pelo Luan era como um filme. O mesmo, em inúmeras vidas. Eu sabia que existia algo depois dessa, uma chance para sermos melhores para nós mesmos e para os outros.
Tinhamos uma missão na vida. E isso (depois do meu amor pelo Luan), era minha única certeza.
Só para aquecer. Em O1 de janeiro de 2O13, estou de volta. Espero que gostem e comentem comigo. Beijos, saudade <3