segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Capítulo 1 - Parte II

As enfermeiras me empurraram para uma espécie de sala de preparação. Minha mala estava em cima de um móvel branco. A enfermeira que aparentava ter uns cinquenta anos, me reconheceu e disse:
- Meu Deus... você é a Brenda? A namorada do Luan Santana? - falou, abismada.
Me senti reduzida. Eu já tinha passado de uma simples namorada há muito tempo. Mas me concentrei nas contrações que martelavam meu ventre.
Respirei fundo e apenas assenti, respondendo sua pergunta.
A enfermeira mais nova me ajudou a trocar a roupa pelo jaleco verde de paciente.
O parto seria normal, uma escolha minha. Não queria saber de cicatrizes. E, segundo meu médico, estava tudo bem comigo e meu bebê estava encaixado na posição certa.
Após uma hora tolerando aquela dor, comecei a chorar. Mais uma vez, milhões de sentimentos e sensações. Tudo ao mesmo tempo. Confundindo minha cabeça e me deixando atordoada. 
Pensei no Luan e na possibilidade do Dr. Roberto permitir sua entrada no centro cirúrgico. Afinal, não havíamos conversado sobre isso.
Comecei a rezar para que ele deixasse e Luan aceitasse. Não queria ficar sozinha naquela sala. Não queria meu pequeno tesouro perto de tanta gente desconhecida.
Dez minutos depois, mais dois enfermeiros entraram na sala e me moveram para a maca. Esperei deitada ali, fitando o teto. 
Pisquei e vi Luan entrando junto com o médico. Meu coração floresceu. Ele estava todo de verde também, com os trajes próprios para entrar comigo no centro cirúrgico. 
Sorri para a vida. E agradeci mentalmente. Luan não era medroso mas eu, naquele momento, estava com o medo alojado em meu coração. Assim como a ansiedade, felicidade e dor.
Dr. Roberto sorriu para mim, encorajando-me. Luan sussurrou algumas palavras em meu ouvido mas confesso que não as ouvi.
Minha atenção estava presa e concentrada no parto da minha filha.
Mariana. Esse seria o nome dela. Luan e eu havíamos combinado que, se fosse menino, ele escolheria o nome. E eu escolheria se fosse menina.
Escolhi Mariana para, de forma singela, homenagear uma amiga que passou pela minha infância e ficou lá. Mariana, era minha vizinha. Meus pais e eu morávamos em um prédio na zona leste de São Paulo. Mari e eu crescemos juntas. Até que, aos seis anos de idade, a sequestraram no parquinho onde costumávamos brincar com nossas mães, que também eram amigas.
Depois desse incidente, seus pais se mudaram para o Rio de Janeiro. Anos depois, procurando na internet, vi que a encontraram decapitada numa chacára no interior. Chorei durante duas semanas. E prometi que se Deus me enviasse uma filha, eu daria a ela o nome daquele anjo que conheci.
Segurei firma na mão de Luan e os enfermeiros giraram a maca e entramos no corredor.
À caminho do lugar onde eu daria a luz ao ser mais precioso e eterno de minha vida.

Estão gostando do novo inicio? Espero que sim. Amanhã tem mais. Obrigada por tudo. SEMPRE. <3

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