Depois de guardar meu diário na gaveta e sentir as primeiras contrações, acordei Luan com uma certa impaciência.
Ele virou para mim e disse, sonolento:
- O que foi, Brê? Tá se sentindo bem? - e sentou-se na cama, segurando minha mão.
Respirei fundo e comecei a chorar, dizendo:
- Nossa filha vai nascer agora, Luan... - comecei a comandar melhor minha inspiração e respiração. Como eu tinha aprendido nos cursos que fiz ao longo da gravidez.
Luan empalideceu. Saltou da cama sem dizer nada e foi até o quarto do bebê buscar as malas.
Enquanto isso, eu me levantei devagar. Minha barriga não estava enorme mas a dor que me atingia era confusa, bruta e sem fim.
Consegui trocar de roupa e Luan me ajudou a descer as escadas. O porteiro do prédio, Geraldo, me ajudou e Luan cuidou das malas.
Já eram mais de quatro horas da manhã e nós cruzávamos Londrina. O céu estava encoberto por nuvens que escondiam o sol que estava para nascer. Nascer... pensei em minha pequena que estava prestes a vir ao mundo.
Um êxtase me atingiu na alma. Eu havia passado os nove meses imaginando o rostinho dela. E quando o médico dissera que era menina, dei pulos de alegria. Lógico que se fosse menino, seria amado do mesmo jeito. Mas com uma menina, Bruna e eu faríamos a festa com as roupinhas e seria muito mais mimada.
Pousei as mãos em minha barriga e observei Luan suando frio enquanto dirigia. Nem tentei acalmá-lo. Eu estava nervosa demais e preferi o silêncio.
Chegando ao hospital, me encaminharam para a emergência. De cadeira de rodas e com duas enfermeiras ao meu lado, entrei no elevador deixando Luan para trás.
Só um gostinho do que será a segunda parte. Começa amanhã, meninas! Estou morrendo de ansiedade e você? Beijos, saudade..
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