quarta-feira, 25 de julho de 2012

Capítulo 17

Tomei um banho lento. Agrupava minhas lembranças. E dividi minha vida em duas partes: uma vida antes do Luan, como ídolo. E agora, como alguém que eu, possivelmente, amaria para sempre. Eu me descobrira apaixonada por ele. Com todas as minhas forças. Mais do eu imaginava e mais do que seria possível. Sei que, talvez, para ele, aquilo poderia não significar nada. Eu poderia ser só mais uma. E quem me garantiria que ele não fazia o mesmo com as outras? Isso rondava minha cabeça. Mas decidi levar esse ponto de interrogação para o fundo da minha memória. Não importava.
Dormi o dia todo. Um sono sem sonhos. Acordei e eram quase cinco da tarde. Sentei na cama e parei para pensar (mais uma vez). Como seria minha vida daqui pra frente? E o colégio? E minhas amigas? Nada mudaria, eu sei. Isso me entristeceu. Eu queria que mudasse. Queria que o Luan viesse voando até mim e me levasse junto com ele. Queria estar em todos os shows. Queria almoço em família na casa da dona Marizete, aos domingos. Queria ser amiga e companheira da Bruna. Queria muito e não tinha nada. Senti que minha consciência já havia tomado nota sobre a noite passada e minha ficha estava caindo. Eu estava a ponto de enlouquecer. Luan Rafael Domingos Santana tinha me beijado. Pisquei trinta vezes seguidas. Tentei conter as lágrimas. Sorri. Sorri porquê só me restava isso. Sorri porque ele me ensinou que eu teria que sorrir em meio às lágrimas para conseguir enfrentar todos os obstáculos. 
Decidi parar de sonhar um pouco e colocar os pés na realidade. Desci as escadas e vi minha mãe:
- Oi, mãe.. - disse, com medo da reação dela.
- Oi. Você não tem nada pra me contar, não? - ela disse, fazendo sinal com a mão para que eu fosse com ela até a cozinha. Me sentei na mesa enquanto ela decidia o que fazer para o jantar.
- Então, mãe. Primeiramente, me desculpe por não avisá-la. Segundo, realizei meu sonho. Terceiro, fiquei com o Luan. - dizer aquilo para minha mãe foi muio estranho mas eu precisava compartilhar isso com alguém, apesar dos julgamentos. Senti minhas bochechas quentes. Ela até parou o que estava fazendo quando ouviu que eu havia ficado com o Luan.
- O quê? Meu Deus.. - e sorriu. Veio até mim e me abraçou. Fiquem sem ação.
- Não vai me xingar? Brigar? - eu disse, sem entender qual a real intenção dela.
- Ora, dona Brenda. Parabéns! Você merece, minha menina. Você o ama mais do que tudo. E eu sempre soube disso.. - ela riu. E eu achando que ela nem desconfiava.
- Já sabia? Como assim? - me fiz de desentendida.
- Veja você mesma: você fala nele o tempo todo, faz tudo por ele, mobiliza céus e terra para ir vê-lo. Deus está de olho nisso. E seu sonho foi realizado. Você tem meu apoio. - ela disse, segurando em minhas mãos. Eu quis ficar ali para sempre. Minha mãe, além de mãe e amiga, era meu porto-seguro. Naquele momento, percebi que eu poderia contar com ela para tudo. Mais do que eu já contava. A abracei forte e agradeci por tudo. Sai da cozinha e fui pro meu quarto. Queria contar tudo pra Duda logo. E saber como ela estava. Disquei o número, chamou e no segundo toque ela atendeu desesperada:
- CADÊ VOCÊ? PORQUE SUMIU DAS REDES SOCIAIS? TÔ SEM NOTÍCIA SUAS! COMO VOCÊ TÁ? ME CONTA! - ela disse, quase que aos berros.
- CALMA! Vou te contar. - e relatei tudo da noite passada. Exceto o beijo com o Luan. Exceto a parte mais importante. Editei tudo. Apenas minha mãe ficaria sabendo. Eu não queria que a Duda soubesse do meu amor platônico pelo Luan simplesmente porque ela não entenderia. E julgamento, já me bastava os do meu pai e de gente que, na verdade, não faz nenhuma diferença. Eu só estava cansada disso e queria poupar minha mente e meu tempo.
Duda faleceu com a história. Ela ainda não tinha conhecido o Luan. E eu faria tudo que estivesse ao meu alcance para proporcionar esse momento e sonho realizado a ela.
Aproveitei e perguntei sobre como a tia Silvia estava e como elas estavam se recuperando depois da tragédia.
- Ah, Brê. Vamos levando, né? Minha mãe parou de chorar agora pouco e dormiu. Não há remédio pra saudade.. - ela disse isso e eu fiquei refletindo sobre. Realmente, não existia remédio para a saudade. Ainda que a minha saudade andasse viva por aí, de jatinho, fazendo shows e encantando corações por onde quer que passasse.
- As coisas vão melhorar. Tenho certeza. Preciso desligar agora, meu amorzinho. Vou passar as fotos pro computador. Beijo em você e na tia. Te aaaamo - eu disse, toda animada já.
- Ok, Brê. Tô ansiosa, quero ver logo! Te amo! - ela disse e desligou o telefone.
Coloquei o telefone na base e voei para as minhas gavetas à procura dos meus cabos USB.


Estão gostando, meninas??? *_* Próximo com 4 comentários =) 

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