terça-feira, 17 de julho de 2012

Capítulo 4 


No outro dia, acordei toda torta e com a calça jeans me prendendo toda. Mal-humor na certa. Olhei no relógio, eram 5 horas da manhã. Táva sem sono então decidi ligar o computador e esperar dar a hora do cursinho.
Entrei no twitter e, por um acaso estranho, o Luan havia acabado de postar alguns tweets via web e táva seguindo algumas fãs. Entrei em surto. Comecei a mandar inúmeros tweets e, ainda que fosse de madrugada, a timeline travava toda hora e eu fui ficando nervosa. Essa era a chance dele me seguir. Luan raramente entrava pelo computador. 
Mandei uns 300 tweets, a timeline travou e uma lágrima escorreu. Minha internet caiu e não voltava mais. Entrei em pânico. Fui até minha cama e fiquei olhando o modem piscando e quis jogá-lo na parede. Respirei fundo e tirei-o da tomada. Liguei de novo. Reinicie o computador. E repetindo para mim mesma "muita calma nessa hora" e contando até um milhão. Não entendia o porquê do meu desespero. Mas algo me dizia que eu devia insistir. E esse 'algo' na minha cabeça sempre ecoava em meus pensamentos. Sentei novamente na frente do computador e conectou. Quase sai pulando e gritando, mas me segurei. Entrei no twitter e fui lendo a timeline. Quando, de repente, vejo "Luan Santana: @meuuser oi nega linda! to te seguindo!". Meu mundo parou. Havia um seguidor a mais. Havia uma mention da pessoa que eu mais esperei nessa vida. Achei que eu ia morrer de tanto felicidade. Transbordando o peito de tanto amor. Ele havia me surpreendido. Deus havia me colocado um passo à frente na minha busca incessante. Dei retweet, favoritei e tirei print. Imprimi e fiquei olhando aquilo. Resolvi mandar sms para as meninas. Ninguém respondia. Táva feliz demais e queria compartilhar isso com alguém. Mas resolvi sentar e esperar. Fiquei namorando aquele print até que minha mãe bateu na minha porta:
- Filha? - disse ela, abrindo a porta devagar.
- MÃÃÃÃEEEEEEEEEEEEE, O LUAN ME RESPONDEU NO TWITTER!!!!!! - disse, dançando em voltando dela.
- Ahhhh, que lindos! - ela viu o print em cima da cama e ficou toda boba.
- Ele é tudo, mãe! - fiz biquinho pedindo abraço. Ela veio até mim e disse:
- Eu sei. Mas agora é hora de acordar do sonho, né? Hora de ir pra aula, dona moça. - disse e saiu do quarto me deixando ali sem abraço e desolada. Não queria sair do meu mundo, do meu quarto, da minha vidinha onde só existia Luan Rafael. Resolvi tomar um banho antes que eu perdesse a hora e a noção de vez. Depois, desci as escadas e minha mãe já me esperava para ir ao colégio. Fui o caminho todo ouvindo meu primeiro cd do Luan e cantarolando as músicas velhas mas que me deixavam mais babona ainda.
Desci do carro correndo, dei tchau pra minha mãe e quando fui sair do carro, tropecei no cinto de segurança. Todo mundo viu. Rasgou minha calça bem na altura do joelho e eu quis ficar invisivel. Levantei rápido, como se nada tivesse acontecido e entrei no colégio. Não vi nenhuma das meninas e meu joelho ardia sem fim. Fui ao banheiro e encontrei Duda chorando apoiada na pia. Até esqueci da minha dor. Fui abraçá-la e ela táva com a pior expressão do mundo: de dor, abandono, tristeza, choro. Me senti, na hora, a pessoa mais egoísta do mundo. Enchi o saco de sms feliz quando o mundo dela desabava. Não precisei nem perguntar. Era com o pai dela. Naquele momento esqueci de tudo. Esqueci da minha felicidade por causa do Luan, minha calça jeans nova com um puta buraco e o meu joelho que ardia sem parar. 


Estão gostando, meninas? Com 4 comentários, hein! Sintam-se à vontade. Beijocas.

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