sexta-feira, 20 de julho de 2012

Capítulo 10

Coloquei meu guarda-roupa todo no chão. Não conseguia pensar em nada. Mexi nas roupas da minha mãe e nada. Comecei a ficar nervosa. Voltei ao meu quarto e vasculhei tudo novamente. A hora já tava passando e eu nada de arrumar algo. Decidi então, colocar uma calça jeans skinny preta, sneaker de salto, regata preta e camisete xadrez rosa. Peguei minha bolsa e chamei minha mãe. Pra não ir sozinha de ônibus e metr:ô, minha mãe topou levar e buscar. Menos mal.
Entramos no carro e eu logo fui colocando meu pen drive com as músicas do Luan. Minha mãe prometeu não achar ruim e me deixou aproveitar o momento. Fui rezando e agradecendo a Deus pela oportunidade maravilhosa. São Paulo com o trânsito caótico de sempre. Fui admirando as luzes da cidade, o movimento dos carros. Tudo parecia esperar por ele, assim como eu esperava. Os carros pareciam ir de encontro ao que eu também estava indo. Tudo ali era ele. Fiquei arrepiada e senti um leve tremor na mente. Naquele exato momento, eu tive certeza que tudo daria certo.
Chegamos ao local do show. Haviam filas imensas, fãs chorando na porta e gente comprando ingresso de cambista e algumas mães desesperadas por um convite na bilheteria. Esse era o caos que o meu menino causava. Pedi a minha mãe que ela desse a volta e parasse na porta dos fundos que dava acesso aos bastidores. Desci do carro como quem flutua. Me despedi da minha mãe e fui em direção à porta. Haviam alguns seguranças e algumas fãs. Fiquei perto deles e acabei me entrosando.
Os minutos se passaram e nada. Nada da Dagmar aparecer. Fui ficando tensa. Minhas mãos suavam e meu coração ardia de tanto medo e felicidade. Respirava fundo em silêncio. Ria para esconder o nervosismo e acredito eu, as outras usavam da mesma tática. Cerca de meia-hora depois, para nossa alegria, Dagmar chega no portão toda sorridente:
- Olá, meninas. Como vocês estão? - disse ela pedindo passagem para nós ao segurança.
- Olá, Daaaaaaag, - dissemos todas, em coro e voz alta.
Entramos nos bastidores e eu mal sentia minhas pernas. Não sei ao certo como consegui chegar até a porta do camarim. Deus segurava na minha mão.
Formamos a fila, Dag organizava tudo e foi distruibuindo as pulseiras. Eu era a última. Não sei como fui parar no final da fila. Aquilo só me deixou mais nervosa ainda. Os minutos voltaram a passar lentamente. Se arrastavam devagar, quase parando. Luan já estava do outro lado daquela porta e eu sentia isso como se nele habitasse o meu outro eu, meu outro coração.
Até que o Rober abre a porta. Chamou a primeira da fila. Meu coração estava a ponto de se desmanchar. Três minutos depois ela saiu chorando e com a maquiagem toda borrada. Até piscar estava ficando complicado. Parecia que eu não aguentaria tanta adrenalina.
As meninas foram entrando, uma por uma. Cada vez que aquela porta abria, a minha vontade era de correr. Atropelar todo mundo. Dar uma banana pra Dag e dizer que dali ninguém me tirava. Me concentrei no meu sonho. No meu amor incondicional por aquele gurizinho maravilhoso que nem sabia da minha existência - aliás, estava a alguns passos de mim e de todo o amor que eu trazia no peito apenas por ele.
Chegou a minha vez. Dagmar chamou meu nome umas três vezes. Minha mente estava desacordada. Me deu um clique. Sai andando e a porta se abriu.
Olhei aquele anjo. De camisa pólo vermelha e calça jeans preta. Dei cada passo rápido mas minhas pernas teimavam em não me obedecer direito. Cheguei nele e meus olhos se inundaram de lágrimas. As mesmas lágrimas choradas todas as noites por causa dele. As mesmas lágrimas que ficavam no meu travesseiro todo dia. As mesmas lágrimas que, através dos meus olhos marejados, ficavam frente a frente com o maior sonho da minha vida.


Nenéns, desculpe o capitulo curto e o suspense. Mas é necessário. Próximo quando eu voltar da gandaia dos meus 18 anos =) HUAHUAUHAHUA beijos :)

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