quinta-feira, 26 de julho de 2012

Capítulo 19

Logo pela manhã, acordei cedo. Sem despertador e sem precisar minha mãe chamar. Me arrumei e desci para tomar café. Logo vi minha mãe:
- Bom dia, mãezinha! - dei um beijo no rosto dela e fui vasculhar a geladeira.
- Bom dia, Brê. Dormiu bem? - ela disse, distraidamente, e arrumando as coisas em cima da mesa. Meu pai já havia saído para o trabalho.
- Dormi muito bem, mãe. - e sorri, involuntariamente. Luan tinha passado dos meus sonhos, e virado realidade.
- Hum, que bom então. - e saiu procurando a chave do carro.
- Vamos, né? Não quero chegar atrasada. Não vejo a hora de apertar a Duda e a Luana. - disse, subindo as escadas para buscar minhas coisas.
Fui até o meu quarto, peguei minha bolsa e o fichário. Passei a mão no rosto do meu pôster gigante. E sorri. Sorri porque eu me sentia a rainha das babacas fazendo isso. Sorri, principalmente, porque eu não ligava nem para os meus próprios pensamentos sobre minha loucura pelo Luan.
Minha mãe gritou e eu sai voando do quarto. Entrei no carro e fomos em direção ao colégio. No caminho, o silêncio tomou conta do lugar até que minha mãe resolveu colocar o cd dos Menudos, me dizendo:
- Agora é a minha vez de ouvir minhas músicas. Agora aguenta. - ela disse, toda sorridente.
- Tudo bem. Fique à vontade. - tirei os fones de ouvido da bolsa e pluguei no celular. Ela riu.
- Não, senhora. - ela disse, em tom bravo. Arrancou o fone de ouvido da minha orelha.
- Ah, mãe.. pelamor. - eu disse, desapontada.
- Eu sou obrigada a aturar Luan Santana na minha cabeça há anos. Agora, quando EU quero escutar os meus ídolos, você inventa essa moda de fone aí. Não. Vai ouvir comigo! - ela disse, fingindo estar irritada. Minha mãe era o máximo.
- TÁ BOOOOOOOOM, dona. Eu, hein - e guardei os fones na bolsa. De qualquer forma, eu precisaria deles quando a aula de matemática estivesse chata demais.
Tocou Menudo no som do carro o tempo todo. Quando chegamos na porta do colégio, dei um abraço na minha mãe e sai do carro. Com todo cuidado. Eu ainda tinha trauma daquele dia em que cai com tudo no chão e rasguei minha calça novinha. Fora o mico que eu paguei.
Entrei no colégio e fui correndo até minha sala. Procurei as meninas e as encontrei sentadas no fundo, já dando risada e fofocando. Cheguei sorrindo mas, por dentro, eu estava agoniada e triste por não me permitir contar a elas sobre a minha noite com o Luan. Eu explodia de felicidade só de lembrar. E não conseguia dividir isso com ninguém.
Sentei ao lado da Duda e dei um abraço esmagador em cada uma delas:
- Oi, minhas amorecas! Que saudade! Como vocês estão? - eu estava eufórica.
- Nossa, que bom-humor matinal é esse? Viu algum passarinho verde? - disse Luana, já tirando uma com a minha cara.
- Claro. Esse passarinho tem nome, né, Brê? - disse Duda, me salvando das piadinhas da Luana. Parecia até que ela já sabia.
- Isso aí: Luan Rafael. - e ri. Ri porquê ele era mais meu do que nunca e eu adorava pensar nisso.
O professor de matemática entrou na aula e eu nem liguei. Encarei a aula numa boa mas minha vontade de ouvir a voz do meu menino foi maior do que mim mesma. Tirei os fones de dentro da mochila, coloquei no ouvido e abaixei a cabeça na carteira. E ouvi Incondicional no último volume, até meus ouvidos pedirem socorro.
A aula correu normalmente, Duda estava meio tristinha por causa da morte do pai. Eu e Luana tratávamos de ficar quietas sobre o assunto e Duda também não falava nada. A dor iria passar e viraria saudade. Disso eu já sabia e tinha certeza. Minha menina aguentaria. Ainda que a ausência permanecesse.
Luana voltaria ao Rio no dia seguinte e ficaria com a tia dela até as coisas por lá se acalmarem. Depois do colégio, ficamos a tarde toda na casa dela colocando a fofoca em dia. 
Até que meu celular tocou.


Ih! E agora, hein? hahahahah suspense no ar. Próximo com 5 comentários. Beijos! =)

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