segunda-feira, 30 de julho de 2012

Capítulo 23

A aula acabou e eu esqueci de comentar com Duda sobre a idéia da tatuagem. Mas resolvi passar no tatuador antes. Fui até o studio de uma amiga minha, que ficava no centro da cidade. A tatuadora, Michele, era fã do Luan. E, consequentemente, a pessoa certa para fazer esse trabalho. Não me julgaria nem falaria mal do meu amor por ele. Apenas evitando aborrecimentos.
Assim que entrei, Michele estava sentada na recepção, conversando com um dos gerentes. Ela veio correndo em minha direção.
- Ah, não! Olha quem tá aqui! Que surpresa maravilhosa, Brê! - ela disse, me abraçando forte.
- Michelinda, que saudade de você! - eu disse, retribuindo o abraço.
- Saudade também! Mas me conta, menina. O que te traz aqui? Você andou meio sumida.. - ela disse.
- Eu? Sumida? Que nada. Você que some e eu que sou culpada.. mas enfim, eu vim aqui atrás dos seus dotes como tatuadora. 
- Sério? Que honra tatuar você, princesa. - ela disse, surpresa com minha atitude.
- É! A honra é minha. E quero que você faça parte de mais essa realização. Quero tatuar a palavra Incondicional na costela do lado esquerda, com a sua letra. Topa? - eu disse, toda entusiasmada. Ela parecia não acreditar.
- OMG! - ela disse, dando pulinhos.
- Calmar, muié. É só uma tatuagem mas que significa o mundo pra mim.. - eu disse. De repente, fiquei pensativa ao tornar pública aquelas palavras que saíam direto da minha alma. O gerente me olhou pelo canto do olho. 
- Vou te dar essa de presente, tá? - ela disse. Fiquei surpresa.
- Não. Eu quero pagar. Isso é o seu trabalho e faço questão. - eu disse, firme com minhas palavras.
- Tá bom. Que seja. - ela deu de ombros. 
- Vou trazer a Duda para assistir à sessão, pode ser? 
- Claro que pode. Saudade da Dudinha também. E quando vamos fazer? Tenho o horário livre amanhã. - ela disse, mais feliz do que eu.
- Ótimo! Só vou confirmar com a Duda e te ligo, tá? - eu disse.
- Perfeito! E já vou desenhando umas letras bem legais aí você escolhe uma.
- Tudo certo, então. Mi, preciso ir. Ainda não comuniquei minha mãe sobre a tatuagem mas acho que ela nem vai ligar.. 
- E mesmo que ela não permita, você vai fazer mesmo assim porque eu te conheço, hein. - ela disse, e caímos na risada. Que saudade de dar umas boas risadas com a Mi. Logo com ela, que já tinha enxugado minhas lágrimas tantas vezes.
- Isso mesmo. Vou indo nessa. Te ligo mais tarde. Beijo, Mi- eu disse, ela me abraçou de novo e se despediu. Saí do studio rumo à minha casa.
Peguei o metrô. Meu celular tocou. Era o Luan. Fiquei tão afobada, que apertei o botão errado. E pensei alto:
- Nossa, Brenda, como você é burra. 
O pessoal dentro do metrô me olhou como se eu fosse uma louca. Nem liguei. Já estava mais do que acustumada.
O celular tocou de novo mas dessa vez era sms. Do Luan.
"Oi, princesa. Desligou na minha cara porque? Aoo, trem! Acabei de acordar e tô almoçando com a mamusca. Falei de você pra ela. Me envia uma foto sua via MMS? Ela quer te ver =) beijos, amor."
MINHA NOSSA SENHORA, DAI-ME OUTRO CORAÇÃO POIS SÓ UM NÃO AGUENTA.
Eu queria sair correndo. Nossa, se continuasse assim, o Luan me mataria. Falar de mim pra Marizete? Eu deveria ficar com medo disso. Mas não permiti que o medo estragasse meu momento. Eu sempre sonhava com isso: conhecer a família toda. E ser querida por todos, assim como todos queridos eram por mim.
Desci na estação e peguei o ônibus. O caminho todo fui pensando no que responder ao Luan. De imediato, mandei a melhor foto que eu tinha. E respondi assim, logo depois:
"Já enviei a MMS mas assim você me mata de vergonha, viu? Marizete linda :'). Eu tô indo embora para casa, almoçar com minha mamãe também. Beijos, all."
Eu o chamei de all (em inglês: tudo). Que cabeçuda. Mas tudo bem, talvez ele me perdoasse. Afinal, eu não estava mentindo. Resolvi não contar a ele sobre a tatuagem. Não sei qual queria a reação dele e achei melhor deixar em off. 
Cheguei em casa, entrei correndo e vi minha mãe na sala assistindo à tv. 
Sentei ao lado dela e disse:
- Mãezinha, o que você acha sobre tatuagem? - eu disse, já esperando por um não bem grande.
- Ah, eu não sou chegada. Porque? Você quer fazer? - ela me olhou com cara de espanto.
- É.. quero fazer. - eu disse, me sentindo envergonhada. Pelo tom de voz dela, parecia que ela nunca havia esperado isso de mim. Não sei porquê.
- Pode fazer, Brê. Tatuagens não importantes para marcar coisas e tempos que passam pela nossa vida. Eu só não tenho porque meu medo é maior. - ela disse, e rimos juntas. Minha mãe sempre maravilhosa.
- Vou. Amanhã marquei hora no studio com a Michele. Lembra dela?
- Aquela sua amiga que você conheceu na internet e depois se encontraram na fila de um show no interior, né? Lembro sim. - ela disse.
- Então, ela vai me tatuar. Mas o meu pai? O que faremos com ele? - eu disse, preocupada.
- Não se preocupe, filhinha. O seu pai a gente dobra. - e rimos de novo.
- Ok, mãe. Vou subir para o meu quarto para estudar, tá? - eu disse, dei um beijo no rosto dela e zarpei para as escadas.
Entrei no meu quarto e logo ouvi meu celular gritando. Corri até ele e era o Luan. De novo. Para a minha total felicidade.


Visssssh! Tatuagem? Essa Brenda hein.. ;) próximo com 4 comentários. Beijos :)

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