Capítulo 5
Me afastei do abraço dela e falei:
- Por Deus. O que tá acontecendo? - disse, já chorando. Mas eu tinha que ser forte. Engoli o choro com medo da resposta.
Ela caminho devagar até mim, olhou no fundo dos meus olhos e disse:
- Antes que você me inunde de perguntas. É o meu pai. Ele tá com os dias contados. Doença terminal. Ninguém sabia, ele escondeu de todo mundo. - ela me olhava séria e ficou de costas para mim. E continuou:
- Meu mundo desabou ontem quando minha mãe ligou na sua casa. Eu já havia sentido algo entranho há meses mas nunca comentaram nada comigo. Minha mãe desconfiava mas meu pai era irredutível. Não sei ao certo qual doença é, parece ser leucemia.
Eu não consegui dizer nada. Fiquei paralisada. Ele doente e ela não sabia. Fiquei sem chão e, finalmente, consegui falar algo mas com receio de que as palavras saíssem embaralhadas:
- Mas leucemia não cai o cabelo?
- Cai mas só se tiver em tratamento de quimioterapia. Ele manteve em segredo porquê queria evitar nosso sofrimento. E não se tratou pois acredita que a hora dele chegou. - ela disse isso e me agarrou. Me abraçou forte e chorou. Incontáveis lágrimas. E eu, pela primeira vez na vida, não soube o que dizer para acalmar o coração da minha anjinha. Eu táva estraçalhada por dentro. Isso não táva em minhas mãos e não era algo que eu pudesse resolver.
Sentamos no chão do banheiro e choramos abraçadas ali, unidas, como se eu pudesse tomar toda sua dor juntando nossos corações e desafogando o dela.
O sinal bateu e continuamos ali. Resolvi ajudá-la a levantar e fomos até a cantina. Comprei água e suco de maracujá. Duda não queria tomar nada. Dei sermão só para não perder o costume:
- Olha aqui, dona Duda. O jogo não tá perdido ainda. Vamos levá-lo ao médico. A gente vai ajudar seu pai! - disse, já nervosa.
- Sabe qual é o seu problema? Você quer abraçar o mundo todo sozinha. Acha que pode resolver os problemas de todo mundo. Mas vou te dizer uma coisa: você não é a gravidade que prende a humanidade na terra, entendeu? - esbravejou e saiu pisando duro. Fiquei pasma. Cai sentada na cadeira da cantina e não conseguia acreditar no que eu tinha acabado de ouvir. Não conseguia nem chorar. Talvez ela tivesse razão. Sempre fui mandona. Mas nunca achei que isso poderia interferir tanto na vida dos que estavam à minha volta. Resolvi deixar a Duda no tempo dela e não encher a paciência com meus planos otimistas.
Resolvi voltar para casa. Peguei o primeiro ônibus que vi. Na verdade, nem li o destino final dele. Só queria sair por aí. Coloquei Incondicional para tocar no meu player e encostei a cabeça no vidro da janela. Fechei os olhos e dormi. Sonhei. Sonhei que o pai da Duda havia sido curado de última hora e que o Luan estava comigo no hospital comemorando essa vitória. Acordei num pulo, ônibus brecou com tudo e bati minha cabeça no vidro. Pronto. Era o que faltava para o meu choro todo se derramar ali mesmo. Era o fogo na palha. Com os olhos cheios de lágrimas, dei sinal para a próxima parada e desci correndo. Meu joelho doeu. Puts, havia esquecido do meu machucado. Comecei a andar mancando. Encontrei uma praça, sentei num banco e fiquei olhando um casal de velhinhos passando. O senhor segurando na mão dela, ajudando-a atravessar a rua. Fiquei pensando. Eu guardara todo meu amor pelo Luan no lugar mais escondido de mim. Eu sonhava todas as noites com uma vida toda que eu, no fundo, sabia que jamais poderia acontecer. Apesar de todos os meus planos otimistas, como a Duda disse. Fechei os olhos e entrei em transe. Não sei exatamente por quanto tempo fiquei ali, viajando. Só resolvi levantar e ir embora para casa.
Meninas, e aí? O que será que nos aguarda? hahahaha próximo com 4 comentários! Repassem =) beijos.
TO COLADINHO COM VOCEEEEEE, QUERO MAAAIS UM CAPITULOOOO
ResponderEliminare depois? continua ...
ResponderEliminaraah , eu quero mais ...'
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