Quando completei seis meses de gravidez, Luan já tinha comprado um apartamento na região oeste de Londrina, para nós dois. Provisório.
Até então, nesses seis meses, eu tinha visto meus pais cerca de cinco cezes. Quatro vezes, fui para Guarulhos. E uma vez eles vieram me visitar em Londrina. Aproveitei para buscar o resto dos meus pertences e matar as saudades de Duda.
Após a compra do apartamento, aos finais de semana, com o avanço da gravidez, diminui minhas idas aos shows.
Mas, sempre que ia, passeava pela fila do camarim. À paisana. As fãs que não escondiam a angústia, o medo, o choro por saber que não conseguiriam abraçar o Luan, eu tratava logo de conseguir algumas pulseiras com o Rober e Dagmar. Meus companheiros nessa realização.
Muitas vezes me imaginei ali, no lugar delas. Como muitas vezes estive e, certa vez, também por causa dos ânimos abalados por conta das bruscas mudanças de humor da gravidez, eu me pegava chorando e ficando emocionada juntamente àquelas meninas que eu nunca vira na vida e tampouco conhecia a história de cada uma.
Certo dia, conheci uma menina que me chamou a atenção. Ela chorava no canto da grade próximo ao portão de acesso aos bastidores. Cheguei antes do Luan porque não tinha viajado com ele. Desci do carro e algumas meninas correram em minha direção para falar comigo. Eu jamais me acustumaria com aquilo. Não era eu ali, assediando alguém relacionado ao Luan. Não era eu algumas daquelas fãs que só queriam uma foto, um abraço, um pouco de atenção...
Se não me falha a memória, a cidade ficava no interior de Minas Gerais. Contagem, talvez. Não me recordo muito bem.
As meninas pediam foto, abraço e me perguntavam se poderiam fazer carinho em minha barriga. Timida, ainda. Eu estava de quatro meses naquela época.
Tirei fotos e atendi uma por uma. Ouvi histórias e presenciei muito choro e emoção da parte delas. Só por estar tão perto de um pedacinho do Luan: a filha dele.
Depois do atendimento às fãs, passei pelo portão de acesso e avistei Rober. Consegui cinco pulseiras de camarim e já tinha em mente quem eu iria presentar aquela noite.
Esperei sentada no camarim do Luan, vendo tv e conversando com Dagmar, que escurecesse e que eu não chamassae tanta atenção assim.
Luan chegou de van junto com Anderson e Well. Entrou no camarim, me abraçou e me deu um selinho. Sai do camarim enquanto ele trocava de roupa para o atendimento das fãs.
Pela porta de acesso, consegui sair sem chamar muito a atenção de alguns curiosos.
A tal menina que estava perto da grade, ainda permanecia ali. E aquilo chamara minha atenção novamente. Ela possuía um brilho no olhar, uma fé que atravessou o tempo até chegar naquele momento. Talvez fosse seu primeiro show...
Não hesitei. Apaguei qualquer suposição de minha mente. Fui em sua direção e ela me olhou assustada.
Natália, esse era o nome dela. Abordei Natália com um sorriso no rosto, dizendo:
- Não me pergunte o porquê disso. Você sabe quem eu sou mas vá em silêncio. Aqui está o seu passaporte para a felicidade. - disse e tirei uma pulseira pink do bolso da calça saruel preta que eu vestia. Ela não falou nada. Paralisada e sem reação. Peguei seu braço e coloquei a pulseira.
O choro escorreu pelos seus olhos e ela me abraçou. Disse "obrigada" com a voz embargada e correu para a fila do portão de acesso.
Distribui as outras quatro pulseiras pelo curso todo da fila e voltei para o camarim.
Entrei e sentei em um puff laranja próximo à penteadeira. A porta se abriu e vi Natália entrar, com um sorriso estampado no rosto. Um dos sorrisos mais sinceros que eu já vira na vida.
Ela abraçou Luan e me viu sentada ao fundo da sala. E disse para o Luan, antes da foto:
- Você tem um anjo em sua vida. Não a deixe escapar nunca. É por causa dela que consegui realizar meu sonho. Eu te amo, Luan. - ela disse, segurando a mão dele.
Luan assentiu, sorriu e olhou para mim com aquele olhar que só ele conseguia emitir. Milhares de raios de luz saiam de seus olhos. Meu par de olhos preferidos.
Rober tirou a foto e Natália voltou a dizer:
- Posso pedir uma coisa? Não sei se tenho esse direito mas gostaria que Brenda saísse junto com a gente, na segunda foto... Se ela quiser, claro.- disse hesitante mas sem medo de levar um 'não'.
Quando Rober abriu a boca para falar, Luan fora mais rápido:
- Claro, nega. Fique à vontade.. - ele disse e olhou para mim. Luan já sabia que eu jamais negaria um pedido daqueles.
Me levantei do puff e atravessei o camarim. Abracei Natália novamente e ela ficou no meio de nós dois.
Sorrimos os três para foto e senti o bebê chutar. Meu bebê, com certeza, também sentira que a união de seus pais - em vida - estava conseguindo atingir e fazer a felicidades dos que estavam à nossa volta.
Graças a Deus.
Queridas, esse foi a primeira parte do flashback. Na outra, vem o chá de bebê da Brenda. Obrigada pela compreensão e me desculpem pela espera da segunda parte. Estou agilizando e o quanto antes estará no ar. Beijos mil <3
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