sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Capítulo 4 - Parte II

A porta abriu diante de mim e pude ver a sala-de-estar. Ampla e simples. Mariana dormia o sono dos justos em meu colo.
Entrei na sala e Luan posicionou-se atrás de mim, me segurando pela cintura. Passei os olhos em cada detalhe.
Sentamos no sofá vermelho. Mergulhei nas lembranças. Esse sofá era vermelho, provavelmente, por causa da cor do sofá da sala de minha mãe, em Guarulhos. Onde passamos longos dias, tardes e noites. Juntos. Como agora. Achei que isso fosse mais uma certeza do "para sempre".
Luan pegou Mariana do meu colo e disse:
- Suba as escadas e conheça o andar de cima. Vou ficar aqui ninando a Nina...
- Nina? - eu abri um sorriso. Que apelido lindo.
- É. A nossa Nininha.. - ele disse, sorrindo também enquanto embalava nossa filha.
Fui em direção às escadas. Apoiei-me no corrimão e passei os dedos levemente, sentindo a textura fina da madeira.
Chegando no segundo andar, era basicamente parecido com a sala. Tudo simples mas ao mesmo tempo, lindo. Abri a primeira porta à direita. Era o quarto de Mariana. A parede era de um tom de rosa claro, e os móveis brancos. Havia um berço, uma cama para a babá, alguns brinquedos pelo chão, um guarda-roupa gigante e a cortina era um tom mais forte da cor da parede. Não vi nenhum móvel do nosso antigo apartamento.
Fechei a porta do quarto e sorri, automaticamente. O meu sonho mais profundo havia se realizado.
Passei para a próxima porta e deduzi que fosse um quarto de hóspedes, ainda vazio.
Virei-me e abri a segunda porta à esquerda. O aposento tinha a parede da cabeceira da cama pintada de um vermelho vivo, cor de sangue. Era nossa cor preferida. A cama box, com um lençol branco e almofadas vermelhas.
Sentei-me na beirada da cama e fiquei olhando a área arborizada em volta da casa. Era final de tarde, o crepúsculo. Minha parte preferida do dia. Sorri involuntariamente.
Voltei minha atenção para o quarto e em cima do criado-mudo haviam dois porta retratos. Um, com a nossa  primeira foto. Aquela tirada em meu primeiro camarim, nosso primeiro abraço. A outra, recém revelada. Éramos nós três, horas antes, na saída do hospital. Mariana dormia em meu colo e meu sorriso traduzia bem meu estado de espirito. Luan nos apertava em um abraço de laço.
Me levantei da cama e comecei a passear pelo quarto. Havia também um banheiro enorme e um closet ainda vazio. Tudo em branco e vermelho.
Saí do quarto e fechei a porta. Desci as escadas e voltei para a sala-de-estar.
Com passos lentos, me aproximei e vi que Luan cochilava sentado com Mariana no colo.
Não sei ao certo quanto tempo fiquei admirando os dois anjos de minha vida.
Talvez apenas alguns minutos haviam passado. Mas nesses pequenos minutos, pude ouvir o eco da eternidade.
O amor que eu sentia por ele ainda estava intacto e - não sei como isso era possível - só crescia mais e mais.
Nosso amor passou dos meus limites de fã. Ultrapassou os limites do amor entre homem e mulher.
E eu sabia que ultrapassaria tudo quando nossa filha nascesse. E isso era exatamente o que eu estava sentindo e via isso acontecer diante dos meus olhos. Nitidamente.
Meu amor pelo Luan era como um filme. O mesmo, em inúmeras vidas. Eu sabia que existia algo depois dessa, uma chance para sermos melhores para nós mesmos e para os outros.
Tinhamos uma missão na vida. E isso (depois do meu amor pelo Luan), era minha única certeza.

Só para aquecer. Em O1 de janeiro de 2O13, estou de volta. Espero que gostem e comentem comigo. Beijos, saudade <3

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Capítulo 3 - Parte II

Sai do hospital e meus pais estavam na porta do hospital à minha espera. Meu pai andava doente e evitava viagens longas. Minha mãe havia escondido isso de mim por conta da gravidez, para evitar que eu ficasse nervosa. Mas agora não existia mais empecilio.
Entrei no carro escoltada pelo Luan, meus pais, Marizete, Amarildo, Bruna e mais três seguranças.
O tumulto de fãs e imprensa era enorme. Apesar do tempo que já havia passado, Luan ainda conseguia manter-se no auge.
Entrei no carro e sentei no banco do passageiro. Luan ao meu lado, com Mariana no colo.
Fui o caminho todo olhando a paisagem que corria do lado de fora do carro e admirando a paisagem que estava ao meu lado: Luan sendo o pai da minha filha. Nossa filha.
O passado começou a surgir... Todas as vezes em que estive sentada no banco traseiro de um carro junto com o Luan. E no começo de tudo, com a Dagmar.
Sempre que eu parava para pensar sobre os fatos, relacionando tudo com o tempo, me deparava com a pressa que Deus agira em minha vida.
De repente, eu não tinha nada além de esperanças vazias, julgamentos contidos e medo. A única coisa que me levava a crer era a minha fé mas ainda assim, acreditava desacreditando.
Aí, fui surpreendida. E a cada gesto do Luan, a cada olhar... talvez eu nunca me acustume com a intensidade do nosso amor.
Sempre aumentando. Se é que isso é possível.
Olhei pela janela mais uma vez e vi que Rober estava indo para o lado contrário do local do nosso apartamento.
- Luan, para onde estamos indo? - perguntei, pegando Mariana no colo, que já choramingava impaciente.
- Tenho uma surpresa para você. É um presente.. - ele disse, deixando o olhar vagar para fora da janela.
Quando vi, estávamos entrando no Royal Park. Como nos velhos tempos.
Cruzamos algumas ruas e na penúltima quadra, Rober estacionou em frente a uma casa vermelha com janelas brancas.
Luan desceu do carro e abriu a porta para mim. Me ajudou a descer do carro, com Mariana em meus braços.
Fitei a casa e fiquei maravilhada. Vermelho era nossa cor preferida. E seu carro modelo Porsche estava estacionado na garagem, ao lado de um modelo mais parecido com o Jeep preto.
Fiquei sem entender. Luan não disse nada e Rober manobrou o carro e estacionou do outro lado da rua. Ficou dentro do carro, em silêncio.
Luan me envolveu pela cintura e me levou até a porta.
Ainda sem dizer nada, sorriu para mim e esticou a mão em direção à maçaneta da porta.

Espero que gostem, meninas! Para quem ainda não adicionou o grupo da fanfic, aqui está o link: http://www.facebook.com/groups/408165272572931/ <3

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Capítulo 2 - Parte II

Dei entrada no centro cirúrgico e a dor ficava insuportável a cada minuto.
As contrações ficavam fortes a cada segundo e Dr. Roberto posicionou-se.
Vi Luan ao meu lado e senti sua mão gelada segurando a minha. Comecei a respirar conforme as contrações vinham.
Dez minutos depois, comecei a fazer uma força incontrolável e inimaginável. Segurei firma na mão de Luan e o médico dizia para que eu me esforçasse ainda mais.
Comecei a suar, senti que o ar me faltava. Mas continuei. A ansiedade para conhecer minha filha era maior do que tudo.
Menos de cinco minutos fazendo aquela força toda, ouvi um choro. Meu abdômen estava totalmente contraído e a dor cessava.
Olhei para cima e vi Luan soltando minha mão e indo em direção ao choro que ecoava na sala fria.
A luz forte ofuscou minha mente.
Apaguei antes mesmo de conhecer o rostinho de Mariana.
Acordei horas depois, no quarto, com o Luan cochilando no sofá.
Em cima da estante, estavam alguns buquês de flores e presentes. Olhei para os lados e nem sinal de Mariana.
Apertei a campanhia e a enfermeira entrou no quarto. Perguntei sobre minha filha e ela disse que ela estava recebendo todos os cuidados e que sua saúde era perfeita.
A enfermeira saiu e Luan acordou com as batidas da porta. Era Marizete, Bruna e Amarildo.
Bruna me abraçou e eu percebi que eu me sentia bem. E não fazia ideia do que havia acontecido comigo dentro da sala de parto.
Luan me abraçou e me beijou a testa, dizendo:
- Como você está? Nossa pequena é linda.. estou apaixonado. Acho que fizemos um bom trabalho. - disse segurando minha mão.
Senti minhas bochechas corarem. Meus sogros me abraçaram também e me entregaram dois presentes que não abri na hora.
A porta se abriu e era a enfermeira empurrando um bercinho de plástico transparente.
Mariana vestia a roupinha que Duda havia dado de presente, especialmente para seu primeiro dia de vida: um body branco e um casaquinho vermelho com um decalque de borboleta em um tom de vermelho mais claro, quase rosa. 
Quando a enfermeira chegou mais perto e parou o carrinho ao lado da minha cama, pude ver - pela primeira vez - rostinho da minha neném. 
Ela dormia serena. Os cabelinhos penteados para o lado, fininhos e lisos. Cabelos em tom de mel, por causa dos meus. O nariz, idêntico ao do Luan. A boca parecia um coraçãozinho. A pele era pálida, com os bochechas coradas.
Me apaixonei à primeira vista. 
Peguei-a no colo com todo o cuidado do mundo e meu coração explodiu de amor. Estava - finalmente - em meus braços a tradução do meu amor pelo Luan. Assim como Mariana, esse amor seria eterno. Mas isso eu já sabia.
Li a pulseirinha de papel em seu braço, parecida com a minha. Ali estava anotado seu tamanho e seu peso. Quarenta e nove centímetros, três quilos e cem gramas. Isso explicava o tamanho de minha barriga.
Segurei-a firme mas delicadamente. Peguei em sua mãozinha pequenina e fiquei olhando os dedinhos.
Uma lágrima escorreu e olhei para minha segunda família que estava à minha volta. Todos estavam emocionados também. Luan, principalmente.
Fixei meu olhar nele e disse:
- Ela é maravilhosa. Você é maravilhoso. Seus pais e sua irmã são maravilhosos. E eu os amo muito. E quanto a você, Luan, já passou de amor faz tempo. Mariana é a prova disso.
Luan nos abraçou chorando. De felicidade.

Mais um, meninas! Espero que estejam gostando. Obrigada por tudo! <3

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Capítulo 1 - Parte II

As enfermeiras me empurraram para uma espécie de sala de preparação. Minha mala estava em cima de um móvel branco. A enfermeira que aparentava ter uns cinquenta anos, me reconheceu e disse:
- Meu Deus... você é a Brenda? A namorada do Luan Santana? - falou, abismada.
Me senti reduzida. Eu já tinha passado de uma simples namorada há muito tempo. Mas me concentrei nas contrações que martelavam meu ventre.
Respirei fundo e apenas assenti, respondendo sua pergunta.
A enfermeira mais nova me ajudou a trocar a roupa pelo jaleco verde de paciente.
O parto seria normal, uma escolha minha. Não queria saber de cicatrizes. E, segundo meu médico, estava tudo bem comigo e meu bebê estava encaixado na posição certa.
Após uma hora tolerando aquela dor, comecei a chorar. Mais uma vez, milhões de sentimentos e sensações. Tudo ao mesmo tempo. Confundindo minha cabeça e me deixando atordoada. 
Pensei no Luan e na possibilidade do Dr. Roberto permitir sua entrada no centro cirúrgico. Afinal, não havíamos conversado sobre isso.
Comecei a rezar para que ele deixasse e Luan aceitasse. Não queria ficar sozinha naquela sala. Não queria meu pequeno tesouro perto de tanta gente desconhecida.
Dez minutos depois, mais dois enfermeiros entraram na sala e me moveram para a maca. Esperei deitada ali, fitando o teto. 
Pisquei e vi Luan entrando junto com o médico. Meu coração floresceu. Ele estava todo de verde também, com os trajes próprios para entrar comigo no centro cirúrgico. 
Sorri para a vida. E agradeci mentalmente. Luan não era medroso mas eu, naquele momento, estava com o medo alojado em meu coração. Assim como a ansiedade, felicidade e dor.
Dr. Roberto sorriu para mim, encorajando-me. Luan sussurrou algumas palavras em meu ouvido mas confesso que não as ouvi.
Minha atenção estava presa e concentrada no parto da minha filha.
Mariana. Esse seria o nome dela. Luan e eu havíamos combinado que, se fosse menino, ele escolheria o nome. E eu escolheria se fosse menina.
Escolhi Mariana para, de forma singela, homenagear uma amiga que passou pela minha infância e ficou lá. Mariana, era minha vizinha. Meus pais e eu morávamos em um prédio na zona leste de São Paulo. Mari e eu crescemos juntas. Até que, aos seis anos de idade, a sequestraram no parquinho onde costumávamos brincar com nossas mães, que também eram amigas.
Depois desse incidente, seus pais se mudaram para o Rio de Janeiro. Anos depois, procurando na internet, vi que a encontraram decapitada numa chacára no interior. Chorei durante duas semanas. E prometi que se Deus me enviasse uma filha, eu daria a ela o nome daquele anjo que conheci.
Segurei firma na mão de Luan e os enfermeiros giraram a maca e entramos no corredor.
À caminho do lugar onde eu daria a luz ao ser mais precioso e eterno de minha vida.

Estão gostando do novo inicio? Espero que sim. Amanhã tem mais. Obrigada por tudo. SEMPRE. <3

domingo, 4 de novembro de 2012

Epílogo - O inicio - Parte II

Depois de guardar meu diário na gaveta e sentir as primeiras contrações, acordei Luan com uma certa impaciência.
Ele virou para mim e disse, sonolento:
- O que foi, Brê? Tá se sentindo bem? - e sentou-se na cama, segurando minha mão.
Respirei fundo e comecei a chorar, dizendo:
- Nossa filha vai nascer agora, Luan... - comecei a comandar melhor minha inspiração e respiração. Como eu tinha aprendido nos cursos que fiz ao longo da gravidez.
Luan empalideceu. Saltou da cama sem dizer nada e foi até o quarto do bebê buscar as malas.
Enquanto isso, eu me levantei devagar. Minha barriga não estava enorme mas a dor que me atingia era confusa, bruta e sem fim.
Consegui trocar de roupa e Luan me ajudou a descer as escadas. O porteiro do prédio, Geraldo, me ajudou e Luan cuidou das malas.
Já eram mais de quatro horas da manhã e nós cruzávamos Londrina. O céu estava encoberto por nuvens que escondiam o sol que estava para nascer. Nascer... pensei em minha pequena que estava prestes a vir ao mundo.
Um êxtase me atingiu na alma. Eu havia passado os nove meses imaginando o rostinho dela. E quando o médico dissera que era menina, dei pulos de alegria. Lógico que se fosse menino, seria amado do mesmo jeito. Mas com uma menina, Bruna e eu faríamos a festa com as roupinhas e seria muito mais  mimada.
Pousei as mãos em minha barriga e observei Luan suando frio enquanto dirigia. Nem tentei acalmá-lo. Eu estava nervosa demais e preferi o silêncio.
Chegando ao hospital, me encaminharam para a emergência. De cadeira de rodas e com duas enfermeiras ao meu lado, entrei no elevador deixando Luan para trás.

Só um gostinho do que será a segunda parte. Começa amanhã, meninas! Estou morrendo de ansiedade e você? Beijos, saudade.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Flashback - Parte II

Ainda nos seis meses de gravidez, eu estava deixando passar um dos fatos mais importantes da gestação: o chá de bebê.
Numa tarde ensolarada de sexta feira, deitada na beirada da piscina, folheando uma revista de bebês enquanto Bruna praticava aulas de natação na antiga casa de Luan, ela surgiu com o assunto:
- Brê, você não acha que está esquecendo de alguma coisa? - disse ela entre uma braçada e outra.
Desviei a atenção das páginas que exibiam crianças de fraldas e grandes olhos azuis.
- O que eu estou esquecendo, Bruna? - indaguei.
- Está esquecendo do ritual mais legal da gravidez: o chá de bebê. - respondeu Marizete, entrando na varanda com uma bandeja com sucos, bolachinhas e frutas para nós.
Sentei na beira da piscina, com os pés dentro d'água e pensei por um momento.
- Realmente, eu estava me esquecendo... 
- E o sexto mês é perfeito. Vamos organizar tudo. Luan está em turnê pelo sudeste mesmo. Fora que homem não pode participar. Apenas nós, o clube da Luluzinha. - Marizete disse, sorrindo. Ela já estava se saindo muito bem com seu papel de avó, pensei comigo.
Aceitei a ideia e nós três começamos os prepativos.
Aos finais de semana que Luan não estava em casa, Bruna passava as tardes e noites ao meu lado planejando cada detalhe.
A "comemoração" seria na casa da Marizete, que era bem maior que o salão de festas do meu prédio.
Marcamos para um mês depois daquele dia em que tivemos a idéia. Eu já estava com sete meses e Luan ficava mais em casa. E sempre queria estar presente em tudo. Me ajudou a escolher os móveis do quarto do neném e esteve presente na maioria das consultas e pré-natal. As vezes, no dias mais tranquilos da semana (segunda, terça, quarta-feira...) ficávamos assistindo à Disney, relembrando nossos tempos de namoro.
Quando éramos apenas nós dois. Naquela época, eu ainda não acreditava que meus maiores sonhos estavam se realizando.
Ficávamos assistindo aos desenhos da Disney, deitados sob um monte de almofadas e travesseiros.
No dia em que antecedeu o chá de bebê, os convites já haviam sido entregues e tudo estava pronto e revisado nos minimos detalhes. Luan participaria e meus pais viriam de Guarulhos.
O chá de bebê aconteceu em um sábado à tarde. Meus pais chegaram pela manhã e Seu Amarildo buscou os dois no aeroporto.
Eu estava calma e cheguei cedo na casa de Marizete. Luan não teria show nesse dia. Ficamos o dia todo juntos. Ainda parecia um sonho o qual eu não fazia questão alguma de acordar...
Bruna, Marizete e eu tratamos de todos os últimos detalhes. Quando meus pais chegaram, tudo já estava organizado. Eu havia ligado para Duda e, infelizmente, ela não poderia vir.
O carro do seu Amarildo estacionou na porta da casa e eu corri para abrir a porta.
Apesar de todo o carinho e atenção que Marizete me dava, minha mãe era insubstituivel.
Atravessei a porta e meus pais saltaram do carro. Logo atrás dele, Duda saiu de mãos dados com um rapaz cujo rosto me era familiar e bateu a porta.
Meu dia já estava ganho e Duda, mais uma vez, fizera uma surpresa para mim com sua visita inesperada.
Abracei mamãe e papai. Meu pai beijou minha barriga e eu quase chorei.
Duda me segurou pela mão e falou com o bebê. Abracei-a fortemente. E ela me apresentou o rapaz: um mais novo namorado e sortudo que tinha a missão de fazer feliz a minha melhor amiga.
O nome dele era Felipe. Alto e com os cabelos levemente dourados.
Entramos todos em casa e Duda instalou-se no quarto de hóspede junto com o namorado e meus pais, no outro quarto.
Eu havia convidado algumas amigas de São Paulo, algumas amigas da Bruna e Marizete e Luan chamou os amigos dele de Campo Grande, pessoal da produção e banda.
Almoçamos todos juntos e lá pelas três e meia da tarde, os convidados começaram a chegar.
Fiquei olhando a decoração, toda admirada. Toda em rosa. Sim, eu esperava por uma menina. Escolhi as lembracinhas com bolinhas pretas no fundo rosa. Um mimo.
Eu vestia um short cintura alta preto, regata branca e sapatilha vermelha.
Recebi os convidados e Michele já namorava o Rober. Logo, ela também comparecera.
Recebi uma montanha de presentes das fãs do Luan, via correio.
Assim, começou o chá de bebê. E a felicidade parecia não caber dentro de mim. 

Hm, acho que teremos uma terceira parte do flashback, hein? O que vocês acham? Espero que gostem, amoris. =) s2

domingo, 21 de outubro de 2012

Flashback - Parte I


Quando completei seis meses de gravidez, Luan já tinha comprado um apartamento na região oeste de Londrina, para nós dois. Provisório.
Até então, nesses seis meses, eu tinha visto meus pais cerca de cinco cezes. Quatro vezes, fui para Guarulhos. E uma vez eles vieram me visitar em Londrina. Aproveitei para buscar o resto dos meus pertences e matar as saudades de Duda.
Após a compra do apartamento, aos finais de semana, com o avanço da gravidez, diminui minhas idas aos shows.
Mas, sempre que ia, passeava pela fila do camarim. À paisana. As fãs que não escondiam a angústia, o medo, o choro por saber que não conseguiriam abraçar o Luan, eu tratava logo de conseguir algumas pulseiras com o Rober e Dagmar. Meus companheiros nessa realização.
Muitas vezes me imaginei ali, no lugar delas. Como muitas vezes estive e, certa vez,  também por causa dos ânimos abalados por conta das bruscas mudanças de humor da gravidez, eu me pegava chorando e ficando emocionada juntamente àquelas meninas que eu nunca vira na vida e tampouco conhecia a história de cada uma.
Certo dia, conheci uma menina que me chamou a atenção. Ela chorava no canto da grade próximo ao portão de acesso aos bastidores. Cheguei antes do Luan porque não tinha viajado com ele. Desci do carro e algumas meninas correram em minha direção para falar comigo. Eu jamais me acustumaria com aquilo. Não era eu ali, assediando alguém relacionado ao Luan. Não era eu algumas daquelas fãs que só queriam uma foto, um abraço, um pouco de atenção...
Se não me falha a memória, a cidade ficava no interior de Minas Gerais. Contagem, talvez. Não me recordo muito bem. 
As meninas pediam foto, abraço e me perguntavam se poderiam fazer carinho em minha barriga. Timida, ainda. Eu estava de quatro meses naquela época.
Tirei fotos e atendi uma por uma. Ouvi histórias e presenciei muito choro e emoção da parte delas. Só por estar tão perto de um pedacinho do Luan: a filha dele.
Depois do atendimento às fãs, passei pelo portão de acesso e avistei Rober. Consegui cinco pulseiras de camarim e já tinha em mente quem eu iria presentar aquela noite. 
Esperei sentada no camarim do Luan, vendo tv e conversando com Dagmar, que escurecesse e que eu não chamassae tanta atenção assim. 
Luan chegou de van junto com Anderson e Well. Entrou no camarim, me abraçou e me deu um selinho. Sai do camarim enquanto ele trocava de roupa para o atendimento das fãs.
Pela porta de acesso, consegui sair sem chamar muito a atenção de alguns curiosos.
A tal menina que estava perto da grade, ainda permanecia ali. E aquilo chamara minha atenção novamente. Ela possuía um brilho no olhar, uma fé que atravessou o tempo até chegar naquele momento. Talvez fosse seu primeiro show...
Não hesitei. Apaguei qualquer suposição de minha mente. Fui em sua direção e ela me olhou assustada.
Natália, esse era o nome dela. Abordei Natália com um sorriso no rosto, dizendo:
- Não me pergunte o porquê disso. Você sabe quem eu sou mas vá em silêncio. Aqui está o seu passaporte para a felicidade. - disse e tirei uma pulseira pink do bolso da calça saruel preta que eu vestia. Ela não falou nada. Paralisada e sem reação. Peguei seu braço e coloquei a pulseira. 
O choro escorreu pelos seus olhos e ela me abraçou. Disse "obrigada" com a voz embargada e correu para a fila do portão de acesso.
Distribui as outras quatro pulseiras pelo curso todo da fila e voltei para o camarim.
Entrei e sentei em um puff laranja próximo à penteadeira. A porta se abriu e vi Natália entrar, com um sorriso estampado no rosto. Um dos sorrisos mais sinceros que eu já vira na vida.
Ela abraçou Luan e me viu sentada ao fundo da sala. E disse para o Luan, antes da foto: 
- Você tem um anjo em sua vida. Não a deixe escapar nunca. É por causa dela que consegui realizar meu sonho. Eu te amo, Luan. - ela disse, segurando a mão dele.
Luan assentiu, sorriu e olhou para mim com aquele olhar que só ele conseguia emitir. Milhares de raios de luz saiam de seus olhos. Meu par de olhos preferidos.
Rober tirou a foto e Natália voltou a dizer:
- Posso pedir uma coisa? Não sei se tenho esse direito mas gostaria que Brenda saísse junto com a gente, na segunda foto... Se ela quiser, claro.- disse hesitante mas sem medo de levar um 'não'.
Quando Rober abriu a boca para falar, Luan fora mais rápido:
- Claro, nega. Fique à vontade.. - ele disse e olhou para mim. Luan já sabia que eu jamais negaria um pedido daqueles.
Me levantei do puff e atravessei o camarim. Abracei Natália novamente e ela ficou no meio de nós dois.
Sorrimos os três para foto e senti o bebê chutar. Meu bebê, com certeza, também sentira que a união de seus pais - em vida - estava conseguindo atingir e fazer a felicidades dos que estavam à nossa volta.
Graças a Deus.

Queridas, esse foi a primeira parte do flashback. Na outra, vem o chá de bebê da Brenda. Obrigada pela compreensão e me desculpem pela espera da segunda parte. Estou agilizando e o quanto antes estará no ar. Beijos mil <3

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Capítulo 93 - O final parte um.


Oito meses depois.

Naquela noite, eu não pensara em ninguém a não ser no Luan. Depois - agora - posso entender que tudo o que eu fizera tinha apenas uma razão: o amor que carrego no peito.
Aquele cara alto e encapuzado era um assassino de aluguel. Só de pensar nisso, meu coração estremece.
Fora contratado por uma fã. Para matar a mim e ao bebê. Que, aliás, é menina.
Luan desembarcara, naquela noite, em Londrina. Não avisou ninguém, planejando uma surpresa. Trazia consigo um singelo presente para o bebê: dois pares de sapatinhos para recém-nascido. Um rosa e outro azul.
Quando descera do avião junto com Well, tratou de dispensá-lo e seguira de táxi até em casa.
Próximo da saída do aeroporto, o tal assassino de aluguel já estava na espreita. Quando Luan entrou no táxi, abordou ele e o motorista.
Fizera ameaças e matou o taxista ali, à queima-roupa, na frente do Luan. Luan dirigiu o carro até o condominio.
Chegando em casa, Luan disse estar sem a chave da porta da frente, para ganhar tempo. Então, entraram pela porta dos fundos, que dava para a piscina.
Foi ai que eles tiveram uma surpresa: eu, insone, ali na cozinha. Por essa o assassino nem a fã (que arquitetou aquele plano maléfico) e muito menos o Luan, esperavam. 
Fã, essa menina não merecia esse título. 
Luana. Minha "amiga" Luana. Que, de Guarulhos, dava as coordenadas para o assassino.
Agora tudo fazia sentido. Ela já sabia e entendia que meu amor por Luan era diferente. Porque ela também sentia esse tipo de amor. Não o mesmo, porque meu amor transcendia as galáxias onde o mal jamais o alcançaria. E quando ficara sabendo sobre nosso namoro e minha gravidez, decidiu revelar-se. Praticando o mal por puro ciúme.
Não sei como eu consegui desarmar o tal assassino. Mordi seu ombro e Deus guiou minha mão para fazer o resto.
Eu, que sempre fora tão fraca, criei forças na hora certa: quando a vida do homem que era a minha vida, estava em perigo.
Segurei nas mãos a arma que mataria Luan, o bebê e eu. Mas não tive coragem de fazê-lo com o assassino de aluguel. Então, atirei em seu joelho.
Trêmula, a ideia era acertar o pé do sujeito mas errei. Da varanda, o cara caiu na piscina. Manchando de vermelho a água cristalina.
Depois disso, resolvi que depois do nascimento de minha pequena, eu entraria para um treinamento de tiro.
Agora estou de oito, beirando os nove meses. Estou enorme e inchada. Luan está deitado ao meu lado, dormindo. Um anjo. 
Em nossa nova casa no mesmo condominio da familia dele. 
Nenhuma posição para dormir é boa o suficiente. Então, estou acordada escrevendo nesse diário todos os acontecimentos dos últimos meses.
Deixo o diário de lado e o tranco. Guardo na gaveta do criado-mudo. Sinto algo me chutar e o lençol molhar. Uma dor aguda atinge a lateral de minha barriga. 
A primeira contração.
A hora é agora, pensei. E o resto, vocês só saberão no próximo capitulo.

Aqui, termina a primeira a parte da história que me comove desde o inicio. Nessa história, que já perdi incontáveis noites de sono imaginando e transcrevendo tudo para o papel. Para que depois, pudesse chegar aos olhos de quem fosse gostar e até se identificar. Não é o fim. A parte dois chegará em breve. Por isso, peço de coração que não esqueçam da Brenda e do Luan. Muito coisa está por vir. Fiquem ligados no grupo do facebook. Obrigada por tudo. Sem vocês, nada disso existiria.

Ma Morais.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Capítulo 92


O caminho pareceu longo demais. Comecei a me sentir enjoada. Bruna fora no banco do passageiro e eu no banco do carona. Fechei os olhos e encostei a cabeça no banco do carro.
Respirei fundo. Senti meu celular vibrar dentro da bolsa. Abri os olhos e vasculhei a bolsa. Encontrei meu celular e era o Luan.
Contei a ele sobre o médico-fã e secretária meio pirada e deslumbrada com minha presença tão perto dela. Luan riu e o som de sua voz salvou-me de todos os enjôos.
Falei também sobre os exames e recebi uma ótima noticia. O show de domingo havia sido transferido para a outra semana e Luan chegaria mais cedo em casa. Essa noticia alegrara meu dia.
Desliguei o celular e contei tudo novamente para Marizete. Bruna também comentava e o fato do médico ser um fã do Luan, tornava tudo muito engraçado.
Conversar com Luan no telefone e com as duas no carro fez com que eu me sentisse melhor. E isso também encurtara o caminho.
Chegamos em casa e tirei o resto da tarde para dormir. Eu já sabia que mulher grávida dormia demais.
Cochilei e quando acordei eram três horas da manhã. Fiquei assustada. Acordei suando e zonza. Sai do quarto e olhei o corredor. Todos os quartos com as portas fechadas. Havia apenas uma luz acesa: a da escada.
Desci devagar para tomar água. Me senti perdida no tempo. Dormira tempo demais e agora estava sem sono. Sentei-me em uma das cadeiras da bancada e comecei a ler o rótulo das coisas que estavam por perto.
Tédio total. Depois do quinto gole d'água, ouvi um barulho vindo da varanda. Gelei por dentro.
Com toda a minha sorte e pensamento negativo, só poderia ser algum ladrão. Mas como? Com aquele condominio cheio de seguranças e vigiado vinte e quatro horas? Mesmo assim, não consegui me acalmar.
Desci do banco e, na ponta dos pés, tentei atravessar a copa e chegar até a sala para pegar o telefone. Tentaria ligar para a polícia.
Calmamente, atravessei a metade da copa quando ouvi meu nome. Uma voz conhecida. A minha voz preferida.
Olhei para trás e vi Luan preso nos braços de um cara alto e encapuzado. Um revólver apontado para sua cabeça. Me senti totalmente fraca. Minhas pernas não me obedeciam e meus braços amoleceram. A voz não saia.
Engoli em seco e pisquei várias vezes. O rapaz alto me olhava através dos furos da touca na região dos olhos.
Luan trazia um olhar apavorado. Fiquei petrificada. Não conseguia sair do lugar. Tentava decifrar o olhar de Luan.
Segundos depois, corri em direção ao Luan. Sem pensar duas vezes, eu só precisava salvar a vida da pessoa que eu mais amava no mundo.
E como o próprio Luan dissera: "Minha vida fica insignificante sem a sua por perto."
Fiz o que minha mente gritava em meus ouvidos.

Espero que gostem, amoris. Estamos na reta final... Obrigada sempre. Já somos mais de 15 mil. <3

Capítulo 91


Não me recordo muito bem mas talvez eu tenha dormido no colo de Marizete. Acordei no outro dia com a mente relaxada. Apesar de todas as lágrimas da noite anterior, o dia estava sorrindo para mim.
Peguei o celular e não haviam mensagens. Tomei banho e desci para tomar café. Bruna não ia ao colégio porque decidira ficar em casa e me fazer companhia.
Passamos o dia todo na piscina e Marizete já marcara minha primeira consulta com doutor Roberto, médico indicado pelo doutor Cláudio.
Conseguira encaixe para o dia seguinte.
Dormi aquela noite no quarto da Bruna. Assim como Luan, ela também tinha uma cama de casal. Acomodei-me na cama e passamos a madrugada toda conversando. Contei sobre minha família, minhas amigas de Guarulhos e as loucuras que eu já fizera para ficar perto do Luan.
Ouvi muitas histórias também. Bruna me contou sobre sua infância em Campo Grande e como ela adorava mudar de cidade. Sempre tivera facilidade em fazer novas amizades.
Ela me lembrava muito a Duda. Talvez, porque eu já sabia que assim como eu poderia contar com Duda para qualquer coisa, poderia gritá-la em qualquer ocasião.
Adormeci primeiro e acordamos super tarde. A consulta com o obstetra estava marcada para depois do almoço, às duas da tarde.
Marizete nos levou e deixou Bruna e eu na porta do consultório. Entramos na sala de espera e Bruna sentou-se. Caminhei até a secretária, que me recebeu com um largo sorriso.
- Boa tarde... dona Brenda? - ela disse, demonstrando indecisão sobre minha identidade.
- Boa tarde. Sim, meu nome é Brenda. Mas sem o "dona", por favor. - eu disse, sem graça.
- Como você preferir, Brenda. Você é paciente do doutor Roberto, não é? Ele já está à sua espera. E olha que ele não atende aos sábados, hein. Abriu uma exceção porque ele é fã do Luan Santana... - ela disse, tentando ser simpática. Sorri sem jeito, assenti e assinei os papéis.
Voltei em silêncio para perto de Bruna. Sentei ao lado dela e fitei a televisão enquanto meus pensamentos vagavam longe. Perdendo-me em mim mesma.
Parecia que agora minha ficha estava caindo. A imensidão do sucesso e fama do Luan era enorme demais. Até a secretária do médico já sabia de nós. Todos sabiam.
Depois de alguns segundos, cai em mim novamente. A secretária simpática chamou meu nome e levantei prontamente. Segurei Bruna pela mão e caminhamos em direção à sala do médico.
Assim que entramos, avistei um senhor de baixa estatura, reconchudo e de óculos. Quando me viu, abriu um sorriso largo também. Parecido com o da secretária.
- Boa tarde, Brenda. Boa tarde, Bruna.. Sejam bem vindas. Nossa, não acredito que a irmã e namorada/mãe do filho do Luan estão aqui no meu consultório. - ele disse, com os olhos brilhando.
- Boa tarde, doutor. É, sua secretária me informou que o senhor é fã do Luan. - eu disse, sorrindo.
- Sério? Desculpe pelo atrevimento dela. Ela é minha esposa.. - ele disse, sorrindo sem graça.
- Tudo bem, não se preocupe. - eu disse e olhei para Bruna. Ela apenas concordava com o olhar.
- Então, vamos ao que interessa? Como anda esse neném aí? Cláudio me passou seu histórico e já contatei o doutor Othon, que atendeu você logo após o acidente. Já sei de tudo, na verdade. E Marizete disse que você é muito especial, Brenda. - ele disse calmamente. Senti minhas bochechas enrusbecendo.
- Não é para tanto, doutor. Marizete que é muito especial, na verdade. Mas, que bom que o senhor já contatou meus médicos. Isso me poupa de ficar falando novamente sobre o acidente e meu estado de coma. E o bebê, bom, é isso que me trouxe aqui. - eu disse, estranhamente calma e certa de minhas palavras.
- Também acho válido poupar você de certas lembranças. Você tem que evitar se stressar. Vou pedir uma bateria de exames e o ultrassom. E ver de quantas semanas você está e iniciar o pré-natal. - ele tagarelou.
Depois de pegar todos os papéis com os pedidos de exame, Bruna e eu saimos do consultório. Marizete já nos esperava no estacionamento.
Entramos no carro e rumamos para casa.

Espero que gostem, amoris. Comentem comigo! Beijos <3

domingo, 7 de outubro de 2012

Capítulo 90

Acabei cochilando depois de fazer amor com Luan. Quando acordei, ele estava tomando banho. Me levantei e comecei a organizar a mala para sua viagem, como eu sempre fazia.
Arrumei as roupas, tênis, cuecas e os acessórios. Quando Luan saiu do banho, tudo já estava impecavalmente arrumado.
Luan saira do banho enrolado em uma toalha azul. E eu, ainda usava o biquini.
Troquei de roupa para levá-lo ao aeroporto. Não ia ser dessa vez que eu iria acompanhá-lo em algum show. Esse sonho eu ainda não tinha realizado: ir aos shows e ficar no backstage só olhando as fãs e acompanhando tudo bem de pertinho.
Marizete foi dirigindo, Bruna no banco do carona e Luan e eu no banco passageiro. Rober nos acompanhava num carro logo atrás. Junto com Dag, Anderson, Well e Gutão.
Assim que descemos do carro, não vimos nenhuma fã à espera do embarque de Luan.
No saguão, me despedi dele:
- Se cuida, por favor. Eu te amo com a minha vida. Sempre. - disse, abraçando-o.
- Eu que te amo. Mais do que com a minha vida porque ela fica insignificante sem você. Cuida do nosso neném. Eu amo vocês - ele disse, abaixando-se e beijando minha barriga.
Morri com aquele gesto e engoli o choro que teimava em chegar às orbitas.
Luan se despediu também de Marizete e Bruna. Virou-se e foi caminhando rumo ao check-in.
Como eu queria ir com ele. Ficar mais tempo perto dele. Mas, com a notícia de minha gravidez, eu teria que me consultar com um médico antes e iniciar o pré-natal. Queria falar com minha mãe também. E, novamente, eu tinha um monte de coisas para fazer.
Entramos no carro e dessa vez Bruna me acompanhou no banco do passageiro. Fui encostada na janela, olhando ao meu redor. As luzes de Londrina pareciam brilhar mais do que em São Paulo. Talvez, porque essa cidade já soubesse que um anjo habitava ali.
Já passava das nove da noite, em uma quinta-feira. Os bares movimentados, as faculdades com as salas cheias, os carros iam e vinham.
Chegamos ao condominio e mais uma vez prestei atenção no caminho. Desde a portaria até a casa do Luan.
Desci do carro, me despedi de minha nova família e subi para o meu quarto.
Minha intenção era dormir cedo e descansar. Queria evitar pensar que estava tão perto e tão longe do Luan.
Tomei banho e vesti um pijama confortável. Deitei na cama e antes de adormecer, comecei a mexer na internet do celular. Entrei no twitter para ler o que as fãs estavam falando e como estavam encarando toda aquela situação.
Depois do quinto xingamento, desisti. Eu sabia que algumas fãs eram incorrigiveis. Eu era assim. E entendia o lado delas.
Virei para o lado e fechei os olhos. Comecei a pensar em tudo. No Luan, naquela criança que eu estava gerando, em minha família, no futuro e em como eu levaria a vida de hoje em diante. Tudo isso me fez chorar. Chorei baixinho, abafando o som com o travesseiro.
Quando estava quase me agarrando ao sono, ouvi duas leves batidas na porta. A porta se abriu e vi Marizete caminhando devagar pelo quarto e surrurrando:
- Brenda?
- Oi... – eu disse, permanecendo deitada e tentando esconder o rosto. Ouvi minha voz trêmula.
- Te acordei? – ela perguntou, preocupada.
- Não, eu ainda não tinha pego no sono. – eu disse, tentando melhorar a voz. Respirei fundo.
Marizete sentou-se na beira da cama e começou:
- Desculpe o horário, sei que você está cansada e hoje foi um dia bem exaustivo para todos nós.
- É, foi mesmo. – eu disse e Marizete endireitou-se em seu lugar. Ela percebera meu estado critico.
- O que foi? Porque está chorando, princesa? – ela disse, segurando em minha mão.
- Estou com medo, Marizete. Tudo isso me assusta. – eu disse, voltando a chorar.
Ouvi Marizete tomando fôlego e se preparando para dizer algo.
- Brê, eu te entendo. Sei como isso assusta. É uma grande mudança. Não sei quais eram os seus planos com Luan mas tenho certeza que agora eles mudarão. Fui pega de surpresa com o seu choro. Minha intenção, ao vir aqui, era te dizer que você não está sozinha. Sua mãe reagiu bem à noticia e disse que já esperava por isso. Parecia feliz, até. E quanto a mim, quero ser mais do que sua sogra. Quero ser sua amiga, uma segunda mãe pra você. Afinal, eu vejo que você faz o meu menino feliz. Desde antes do seu acidente, menina dos doces, nós já sabiamos de você. Bruna te viu no backstage no lançamento do CD em São Paulo e já sabia que Luan queria te conhecer. E que você era especial. Sei que todo show ele acaba achando algum rabo-de-saia mas não no show em que estamos presentes. E quando ele contou sobre você, eu senti que era pra valer. Então, eu gosto de você, pequena. Quero que vocês sejam felizes. Do fundo do meu coração. Promete contar sempre comigo? Estarei aqui. – ela concluiu e eu já não contia as lágrimas.
Segurei firme em sua mão e me levantei. Abracei-a e, em silêncio, agradeci a Deus pelo conforto que Ele me dera naquela noite, através de Marizete. 

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sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Capítulo 89


Tomei café com Marizete e a ajudei com a louça. Conversamos bastante sobre maternidade, sobre a infância do Luan e sobre como foi ser mãe tão nova. Em minha experiência de fã, eu já sabia que ela tinha sido mãe aos dezoito anos de idade.
Depois do café, sentamos na sala para ver televisão e Mamusca foi buscar alguns álbuns de família para me mostrar.
Vi tantas fotos. Fotos do Luan na escola, nos encontros de família, no futebol... Quis chorar mas segurei. Ver todas aquelas lembranças dele e mergulhar em seu passado, me alegrava no âmago.
Cerca de uma hora depois, vi Luan descendo as escadas. Ele nos viu revirando os álbuns de fotos e disse:
- Ah, não. Mãe, pra que fazer isso? Quer queimar meu filme com a mãe dos meus filhos? - disse, me abraçando e me dando um selinho.
- Que isso, Luan. Seu filme já tá mais do que queimado com a Brenda. Tanto, que ela é apaixonada por você... - disse Marizete e todos caímos na risada.
Passei o resto da manhã vendo tv com Luan e na hora do almoço, Bruna chegou do colégio com Amarildo para almoçarmos todos juntos.
Depois do almoço, Luan me disse que já havia ligado e avisado Dagmar sobre a gravidez. Tratamos logo de entrar no twitter para jogar a "bomba" em cima das fãs.
Pensei nas fãs que, assim como eu, o amavam como homem. Pensei em como as mais ciumentas tentariam me apedrejar e em como seria dificil para o resto, vê-lo assim: sendo pai. Tudo atropelado. Sem casar e sem prévio aviso.
Luan postou vários tweets explicando a situação toda mas sem citar os fatos do desmaio. Só disse que a gravidez era recente e que as fãs sempre poderiam contar com ele. E que as mudanças em sua vida pessoal jamais afetariam sua carreira que fora trilhada com tanto esforço. Evitei entrar no meu twitter. Não estava afim de ler e depois ter que lidar com as possiveis criticas. Só queria ficar junto com Luan.
Tiramos uma foto. Luan e eu tentando fazer com que a lingua chegasse na ponta do nariz. Dois bobões.
Depois, ficamos no sofá, Luan deitado em meu colo. Comecei a prestar atenção na tv quando Luan iniciou uma conversa com o bebê:
- Ei, bebê. Aqui é o seu pai... o Luan. Tá tudo belezinha aí dentro? Deve ser bem quentinho aí, né? Mas só não vale me perguntar, daqui há alguns anos, como te coloquei ai dentro hein, rapaz. Olha, vou te contar um segredo: a sua mãe é a moça mais linda desse mundo, cara! Você tem que chegar logo para poder conhecê-la. E conhecer a mim também. Se você for menino, vou te ensinar a tocar violão. E se for menina, vai ficar trancada em casa porque sou ciumento! - ele riu. E eu também.
Eu não acreditei que estava ouvindo aquilo. Luan me surpreendia a cada segundo.
Olhei para baixo e vi seu rosto bem pertinho de minha barriga. Seu nariz quase podia tocá-la. Sorri espontâneamente. Ele me ignorou e continuou:
- Sua mãe deve achar que sou doido. Falando com você aí dentro e eu do lado de fora. Mas, óh, vou te falar outro segredo: eu sou doido mesmo. Doido de amor por ela. E desde que fiquei sabendo que você viria, também fiquei doido por você, bebê... - disse e olhou para mim. Eu ainda observava e admirava aquela cena com todo meu coração.
Luan me beijou levemente. Me pegou no colo e eu sorri. Segurei firme em seu pescoço e subimos as escadas para mais uma vez eternizar o nosso amor.

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quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Capítulo 88


Luan dormiu em seu quarto para me dar mais espaço e conforto no quarto de hóspedes.
Naquele noite, tive o primeiro enjoo e passei mal. Tentei não fazer barulho para não acordar a casa toda e assustar Luan com tudo aquilo. Eu já sabia que, no mínimo, os três primeiros meses seriam assim.
Acordei pela manhã, com Bruna entrando no quarto para me espiar. Vi, pelo reflexo no espelho, que ela estava vestindo a camiseta da escola, jeans e tênis. Usava também uma mochila sob os ombros. Acordei com o barulho da porta sendo aberta. Ela chegou mais perto de mim e eu fechei os olhos, fingindo estar dormindo. Ela sussurrou, sem saber que eu estava ouvindo:
- Bom dia, princesa. Bom dia, sobrinho. Amo vocês. E tomara que esse neném seja menina. Perua igual a tia! - ela disse e saiu rindo baixinho.
Quando ouvi novamente o barulho da porta sendo fechada, sentei-me na cama e comecei a chorar.
Chorei de felicidade, de dor, de alegria, de tristeza. Nem eu estava conseguindo me entender.
Eu não conseguia acreditar que Bruna estava dizendo aquelas palavras para mim. Eu sempre sonhava com isso.
Olhei o relógio digital ao lado da cama e marcava seis e quarenta e cinco da manhã.
Voltei ao banheiro e tomei um banho. Assim que sai, resolvi ligar para Duda e contar a boa nova. 
Essa hora ela estaria entrando no colégio. Era sexta-feira e as primeiras aulas eram de português.
No terceiro toque, Duda atendeu. Desfiei toda a história para ela e disse que seu afilhado ou afilhada já estava a caminho. Duda começou a chorar no telefone. Eu também, do outro lado da linha.
Ficamos dez minutos assim e pude ouvir o professor chamando-a para entrar na aula. Então, ela terminou dizendo:
- Brê, eu te amo. Que você seja feliz, mesmo estando longe daqui. Seus sonhos mais bonitos se realizaram. Cuide-se e me dê noticias todos os dias. Só não vale esquecer de mim e ficar só com a Bruna, ok? - ela disse, fazendo ciúme.
- Jamais, Duda. Você é insubstituivel. Te amo muito também. - eu disse e ela se despediu mandando beijo. Desligamos juntas.
Sai do quarto e dessa vez quem foi espiar fui eu. Abri devagarinho a porta do quarto de Luan.
Ele estava dormindo todo esparramado na cama.
Beijei a testa dele e passei os dedos em seus cabelos. Ele teria show naquele dia e precisava descansar.
Desci as escadas para tomar café. Marizete já me esperava e Amarildo havia saído para o trabalho e levar Bruna na escola.

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quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Capítulo 87

Eu estava desnorteada e Luan fazia de seu sorriso o mais cativante de todos. Minha vida mudara da noite pro dia.
Marizete ligou para Amarildo pedindo que ele saísse do escritório e viesse direto pra casa.
Todos estavam inebriados. Bruna já fazia planos para o quarto do bebê e a festa de aniversário. Marizete ligou para minha mãe avisando sobre o fato. Eu não tinha coragem.
E eu, fiquei sentada no sofá da sala pensando e engolindo aquilo tudo. Fechei os olhos e encostei a cabeça no sofá.
Luan conversava com o médico na varanda, perto da piscina. Anotando tudo mentalmente: todas as consultas, ultrassons, remédios, vitaminas, exames e indicando os obstetras que eu deveria procurar.
Mas uma dúvida apareceu em minha mente: como eu poderia estar grávida se usávamos camisinha? Mas esse método, ainda que fosse quase infalível, não era cem porcento.
Subi para o quarto e Luan veio logo atrás de mim. Deitei-me na cama e Luan sentou ao meu lado.
- Brê, como você está se sentindo? - ele perguntou, com um brilho nos olhos que eu jamais vira antes.
- Não sei. Não entendo. É um turbilhão de coisas passando pela minha mente limitada. Tá sendo dificil de encarar isso. Eu não esperava por nada e fui pega desprevenida. Falando nisso, como isso pôde acontecer? Sempre usamos camisinha... - eu perguntei.
- Essa dúvida também surgiu em minha cabeça e tratei de perguntar ao doutor Cláudio. Por mais que ele não seja ginecologista e obstetra, segundo ele, a camisinha pode ter estourado e nós nem percebemos. - ele respondeu, todo ciente do que estava falando.
Respirei fundo. Fitei o teto e Luan tomou as rédeas da conversa novamente:
- Me perdoa?
- O quê? Perdoar o quê? - eu disse, boaquiaberta com aquele pedido.
- Por ter engravidado você. Por ter aparecido e por ter virado sua vida de cabeça pra baixo... - ele disse, desviando o olhar.
Eu ri. Não consegui reprimir o riso. Aquilo fora a coisa mais idiota que Luan dissera em toda sua vida. Ele me olhava sem entender.
- Luan... Quantas vezes vou ter que dizer que você é tudo pra mim? Antes de você me querer, eu já te queria. Essa é a minha vida agora. Não existe antes sem você. E quer saber? Eu estou imensamente feliz. Tanto, que nem me cabe. Tô meio perdida com tudo isso mas é porque essa noticia aterrisou em nossas vidas, assim, do nada. Me sinto completa e feliz. Por mais que pareça tudo precoce, esse filho é seu. É nosso. E eu prometi amar com todas as minhas forças tudo que viesse de você e fosse seu. Em todos os meus sonhos mais lindos, jamais passara por minha cabeça engravidar de você. Tudo o que acontece agora fugiu de minha imaginação. Fui surpreendida pelo destino. E amo você com toda a minha alma. Logo, nunca mais diga isso. Nunca mais peça perdão por ser a razão da minha felicidade. - eu disse, vomitando todas aquelas palavras em cima dele.
Vi seus olhos brilhando mais ainda e o sorriso torto e mais lindo do mundo se abriu para mim.
- Eu sei. É que sua reação lá embaixo não foi a que eu esperava. Bruna e minha mãe ficaram tão felizes. Agora eu entendi. E sempre vou te entender. Me desculpe pelo pedido de perdão. Fui infeliz em te dizer isso. Você é tudo pra mim e esse bebê que você espera, eu também espero. É a consequência do nosso amor. E apesar de nossa pouca idade, acredito que seremos ótimos pais. Eu te amo! - ele disse, beijando minha testa.
Abracei Luan com todas as minhas forças. Fechei os olhos novamente e um filme passou pela minha cabeça. Em minha vida de fã, aquele abraço era tudo o que eu mais queria e era por um simples abraço que eu sempre ia à luta. Agora, tudo havia mudado. E eu estava feliz com isso.
Aceitaria toda e qualquer mudança se Luan estivesse ao meu lado.

Capítulo 86


O tal Dr. Cláudio estava sentado em um sofázinho no hall, sozinho.
Olhei para o corredor e vi Luan, de bermuda e sem camisa, vindo em nossa direção.
Marizete surgiu por trás de nós, vindo das escadas também.
Soltei a mão de Bruna e o clima havia ficado tenso. Luan veio para o meu lado e me segurou pela cintura.
- Luan, o que está acontecendo? - eu disse, fitando-o.
- Meu amor, o doutou está aqui e quer falar com você. Quer dizer, com nós. - ele disse, forçando uma calma que eu sabia que não existia.
- Tudo bem. Vocês vem comigo, né? - eu disse para Bruna e Marizete. Elas assentiram.
Marizete saiu na frente e todos fomos para a sala de estar. Sentei-me ao lado do Luan e ele me puxou para o seu colo. Bruna havia saido e voltou em menos de dois minutos com uma canga para mim. Vesti e voltei a me sentar junto com Luan.
O médico nos olhava e a demora dele em iniciar o assunto estava me deixando louca por dentro.
- Então, Brenda... tenho algo a lhe dizer. - disse o médico, pacientemente.
- Diga, doutor. Somos todos ouvidos. - eu disse, encarando-o. Segurei forte na mão de Luan.
- Estou aqui com o resultado dos seus exames que pedi com urgência no laboratório. - ele disse, esperando alguma resposta minha. Assenti e ele continuou:
- O seu desmaio aconteceu em decorrência da falta de ferro no sangue e vitaminas no organismo e excesso de açúcar. E tudo isso, por uma única razão. Você não tem notado nada de diferente? - ele disse, olhando para mim. Eu, recém-saída da adolescência, com um namorado famoso e um caminho incerto pela frente.
Pensei um pouco e era óbvio que algo estava diferente. Tudo havia mudado em tão pouco tempo mas ele não estava falando de minha saúde mental...
- Não, não notei nada. Desde meu acidente de carro, mal sinto dores. Só senti uma forte dor de cabeça ontem antes do desmaio mas quando acordei já havia passado. - eu disse, certa de que estava tudo muito claro e aquele clima pesado e aquela conversa tensa eram totalmente desnecessários.
- Hum. Entendo. Você é bem nova e com certeza não ia reparar em nada. - ele abriu um sorriso - talvez eu tenha uma boa ou má noticia. Só vai depender de você. E do Luan. Você, Luan, que vi crescer e já está ai. Um homem feito. Talvez eu esteja ficando velho.. parece que vivi tempo suficiente para ver você ser pai. - ele disse calmamente, olhando para o Luan e para mim.
Como assim? O mundo parou. Senti que o chão que estava sob meus pés, iria sumir.
Luan me olhou e sorriu. Bruna saiu gritando pela casa e Marizete nos abraçou.
Não consegui processar a informação direito e automaticamente pousei as mãos em meu ventre.
Eu estava grávida. E o destino acabara de mudar nossos caminhos.
Para sempre.

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segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Capítulo 85


Adormecemos ali mesmo, naquela cama de solteiro. Eu, ainda vestindo jeans, acordei bem cedo com a calça me apertando e uma vontade extrema de fazer xixi.
Levantei da cama correndo e fui ao banheiro.
Cinco segundos depois, Luan bateu na porta do banheiro:
- Brenda? O que aconteceu? - ele perguntou, impaciente. E a preocupação fazia-se presente em sua voz.
- Não é nada, Luan. Só quero fazer xixi. - eu disse e comecei a rir. Era engraçado o rumo que as coisas tomaram e nossa intimidade só crescia.
Me olhei no espelho do banheiro e vi meu estado deplorável. Meu cabelo chamava por uma escova.
Sai do banheiro e minhas malas estavam no canto do quarto. Luan havia saído e nem preocupei em ir procurá-lo.
Aproveitei o tempo sozinha para arrumar minhas coisas e tomar um banho.
Uma hora depois, eu já estava pronta.
Desci as escadas e Marizete assistia ao programa da Ana Maria Braga com um bloquinho de papel e caneta em mãos.
Me sentei no sofá e beijei o rosto de minha sogra.
- Bom dia, princesinha. Como você está? Que susto, hein? - ela disse, enquanto anotava a receita que passava na tv.
- Bom dia, meu amor. Estou bem e você? Tive uma noite de sono ótima. Nossa, nem me fale. Eu nem me lembrava mais de como era desmaiar. Sensação horrivel... - eu disse, olhando para a tv.
Bruna entrou na sala com o Puff no colo. Soltou o cachorro no chão e juntou-se a nós.
- Bom dia, Brê. Como você está? Que susto que você nos deu. - ela disse, me abraçando forte.
- Bom dia, princesa. É sobre isso mesmo que estou contando para a sua mãe. Foi horrível. Mas e aí, sogrinha, o que o médico disse? Não sei se Luan não sabia mesmo ou não quis me contar. - eu disse, olhando para ela.
- Não sabemos ao certo. E Luan não quis falar com o doutor. O médico disse que só poderia dar um diagnóstico quando saísse o resultado dos exames. Vamos aguardar. Mas há a possibilidade de ser a taxa de açúcar em seu sangue... Menina dos doces. - ela disse, me deu um beijo no rosto e saiu.
- Só porque eu amo doces, essa diabetes vai ficar me perseguindo? Coisa chata isso. - eu disse para Bruna.
- Não há de ser nada, amiga. Tenho fé! Vamos tomar um banho de piscina? Está calor lá fora... - ela me disse, me puxando pelo braço.
Subimos as escadas correndo e entramos no quarto de Bruna. Olhei cada detalhe e até nisso ela era bem simples. Nada de luxo. Apenas o necessário.
Fui até o meu quarto e coloquei o biquini. Escolhi um preto e branco, já que eu sempre fora bem branquinha. Quase sem cor. Voltei para o quarto e Bruna estava no banheiro se trocando.
Cheguei mais perto do espelho e fitei minha tatuagem. Linda, pensei. Mas fiquei com medo da reação dos pais do Luan quando eles vissem. Eu não conseguiria esconder.
Bruna saiu do banheiro e me viu ali, olhando para a minha costela.
- Ei, o que é isso? Você não me contou que tem tatuagem... - ela disse, abaixando-se para poder ler o qua estava escrito. Assim que leu e entendeu o que aquilo significava, ela disse novamente:
- Ok. Não preciso nem perguntar mais nada.
Não falei nada. Apenas trocamos um longo olhar e ela entendeu na hora. Senti que já estávamos ligadas.
Em silêncio, peguei-a pela mão e descemos as escadas em corrida novamente.
Quando chegamos ao hall, mais uma surpresa me esperava.
E talvez, não fosse tão boa assim.

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Capítulo 84


Acordei horas depois, num quarto totalmente desconhecido. Não era o quarto da Bruna, pois eu já o conhecia pelas fotos. Talvez fosse o do Luan mas não tive certeza.
Olhei para o lado e Luan estava sentado no chão, encostado na cama. Bem ao meu lado.
Dessa vez, nenhum fio estava grudado em meus braços e eu ainda estava com a mesma roupa de antes.
Luan mexia no celular, concentrado. Nem percebera que eu havia acordado.
Sem fazer barulho, ergui o braço e segurei levemente seu cabelo. Fiz carinho e ele deu um pulo.
- Amor! Nossa, graças a Deus. Você tá se sentindo bem? - ele disse, sentando na cama.
- Acho que sim, amor. Me sinto zonza mas acho que é só isso. O que aconteceu? Onde eu estou? Que lugar é esse? - eu disse, perguntando impacientemente e segurando em sua mão.
- Espera, vamos com calma. Você desmaiou do nada. Bruna entrou em desespero mas conseguiu te segurar. Chamamos o médico e ele colheu seu sangue para alguns exames. Pode ser que sua diabetes tenha subido demais. Temos que esperar o resultado. Você está no quarto de hóspedes, na minha casa. - ele me olhava com tanta ternura, com tanto amor. Achei que meu coração fosse derreter. Não respondi nada. Não conseguia falar. Fitava seu rosto como se não houvesse o amanhã.
Fechei os olhos e respirei fundo. Luan continuava segurando minha mão, esperando alguma resposta. Mal sabia ele que eu estava digerindo aquela história toda. E eu ainda tinha que lidar com todo o amor que eu sentia. Era algo conflitante e muita informação para ser processada.
- E isso é muito ruim? Não quero nem passar perto de hospital... - eu disse, desviando o olhar.
- Sinceramente, amor, eu não sei. Eu também nem quero saber de hospital e médico. Mamusca que falou com ele. Tanto que esse médico, Dr. Cláudio, é o médico da minha família e aceitou atender você aqui em casa porque seus sinais vitais estão bons... - ele disse, fitando nossas mãos entrelaçadas.
- Estou com medo. - eu disse, sentando na cama.
- Eu também. - Luan disse e me abraçou fortemente.
O maior abraço do mundo. Nele, cabia todo o nosso amor e todo nosso medo naquele momento. O desconhecido nos assustava e a lembrança daquele um mês em coma ainda vivia dentro de nós.
- Nada vai nos abalar. Confio nos planos d'Ele. - ele disse, ainda me abraçando. Senti uma lágrima molhar meu ombro. Aquela lágrima não era minha. E, sim, dele.
Me soltei do abraço e o olhei. Aquela cena: Luan chorando em meus braços. Eu só tinha imaginado para o dia do nosso casamento. E as lágrimas seriam de felicidade.
Beijei cada lágrima que saltavam daqueles lindos olhos castanhos. E comecei a chorar também. Não por mim nem por causa de exame algum.
Chorei porque meu coração havia sido partido em pequenos pedacinhos ao vê-lo chorar. Meu mundo entrara em tempestade.
Abracei Luan novamente e ele acariciou meu cabelo enquanto eu dizia:
- Não chore, meu amor. E sim, eu também confio nos planos d’Ele.
Luan apertou mais ainda o nosso abraço. Encaixei minha cabeça em seu ombro e ficamos ali por um tempo que relógio nenhum conseguiria medir: o nosso.
A maior prova de minha confiança nos planos de Deus, era eu estar ali naquele exato momento.

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Capítulo 83


Não sei bem se aquilo fora um susto. Eu vi, diante dos meus olhos, a família que eu sempre sonhei em conhecer.
No dia do lançamento do CD do Luan no Villa Country, eu apenas tinha visto a Bruna no banheiro do backstage. E não trocamos nenhuma palavra. Muito menos um olhar. Eu ainda parecia, naquele dia, uma fã histérica e sem rumo que o Luan apenas queria conhecer no hotel depois do show.
Pisquei algumas vezes e vi que além da presença deles, também havia uma mesa cheia de doces (os meus preferidos) e um bolo médio com um S desenhado também. Estávamos agora na varada, próximo à piscina.
Bruna parecia uma princesa, usando uma saia longa estampada e uma regata branca. Dona Marizete e senhor Amarido também estavam vestidos casualmente.
Luan segurou firme em minha mão e passou o braço em volta de minha cintura.
Enquanto nos aproximávamos da varanda, olhei para o Luan e sussurrei:
- Eu te amo.
Ele me olhou de volta e assentiu. Seus olhos me diziam o mesmo.
Entramos na varanda e deixei para olhar tudo - minuciosamente - depois. O foco agora era outro.
O silêncio não teve tempo de reinar ali. Assim que me viu, dona Marizete levantou da cadeira de palha trançada e veio em minha direção.
- Brenda! Prazer e satisfação em, finalmente, poder conhecer você. A menina dos doces... eu sou a Marizete mas isso você já deve saber. - ela disse, me abraçando forte. Me soltei do Luan e me agarrei a ela.
- O prazer é todo meu, dona Marizete. A senhora não sabe o quanto esperei por esse momento. - eu disse, desviando o olhar para a Bruna e o senhor Amarildo que, agora, vinham em minha direção também.
- Que isso, menina. Não me chame de 'senhora' nem de 'dona. Sou velha mas nem tanto, né? Fora que você, mesmo sem nunca ter nos conhecido pessoalmente antes, já era da família e muito querida por todos nós. Bem vinda, pequena. - ela disse, segurando minha mão.
Eu não sabia o que fazer. Eles já me conheciam mesmo. Só faltava nos apresentar formalmente.
Bruna chegou mais perto e me abraçou. Disse que eu deveria fazer o irmão dela feliz. E sorriu pra mim.
Seu Amarildo me abraçou também. Meio desajeitado, não sabia o que fazer. Como se eu fosse algo que pudesse ser quebrado a qualquer momento. Talvez por causa do acidente...
Olhei para o lado e não vi Luan. Me virei e fitei a cozinha que ficava atrás de mim.
Marizete disse:
- Brê, ele deve ter ido ao quarto dele. Senta aqui com a gente e come um docinho. - disse, me puxando pela mão.
Sentei em uma das cadeiras e Bruna e eu atacamos a mesa de doces.
Começamos a conversar e, logo de cara, nos demos bem. Bruna era, além de linda e simpática, a humildade em pessoa. Tinha um mundo de sonhos dentro de si e apesar de toda a fama e dinheiro do irmão, isso não alterava muito seu caminho. Até porque, esse caminho estava sendo trilhado longe dos holofotes.
Depois de meia-hora, eu estava ficando impaciente e nada do Luan voltar. Tentei não demonstrar nada e me concentrei na conversa com Bruna.
De repente, comecei a sentir uma dorzinha de cabeça. Chata, aliás.
Quando Bruna e eu nos levantamos para ir até a cozinha, minha vista escureceu.
Senti a mão de Bruna agarrar meu braço. Engoli em seco e não vi mais nada.

Desculpe a demora, gente. O técnico da Vivo acabou de sair de casa e conseguiu arrumar tudo por aqui. Obrigada pela compreensão. Espero que gostem. Ainda hoje tem mais um capítulo pelos dois dias que fiquei sem postar, ok? Comentem comigo aqui, no grupo do facebook ou no @whenmare. <3