sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Capítulo 58

Entrei correndo em casa e subi as escadas. Meu coração já sentia saudade mas, ao mesmo tempo, um alivio me sucumbiu.
Talvez eu não conseguisse seguir em frente com tamanha bagagem me puxando para trás.
Entrei em meu quarto e Duda ainda mexia no computador. Me aproximei e puxei o fio do computador da tomada.
Duda ergueu os olhos e me fitou incrédula.
- Você precisa me ajudar. Tenho muitas coisas a resolver e não sei se dou conta de tudo sozinha. - eu disse, séria.
- Ficou maluca? Nem deu tempo de salvar o texto que eu estava escrevendo.. - ela disse, fazendo bico.
- Me desculpa, depois daremos um jeito nisso. Preciso de ajuda! - eu disse, tentando contornar a conversa.
Ela se ajeitou na cadeira, cruzou os braços e disse:
- Tudo bem, Brê. Me diz. O que te aflige? 
Fui até minha cama e me sentei. Olhei para o travesseiro e ainda havia a marca do corpo do Luan que estivera encostado nele há minutos atrás. Meus olhos arderam. Um medo me invadiu: de que tudo fosse um sonho.
Pisquei dez vezes seguidas e voltei a olhar para Duda. Ela me olhava pacientemente.
Respirei fundo e dei inicio ao drama.
- Seguinte, Dudinha. Vou começar pelo começo. Primeiramente, decidi fazer uma tatuagem para o Luan. Pelo meu amor de fã. Vou fazer com a Michele. Segundo, o que faço com o cursinho? Como vai ser minha vida? E as fãs? Não tenho dúvidas de que suporto tudo por causa dele. Mas me sinto sem luz no fim do túnel. Tô desnorteada. Minha ficha não caiu ainda. Toda hora penso que isso é só um sonho. Na real, me sinto presa dentro de mim. E ainda tem os resultado dos meus exames que saem na semana que vem. Juro que dessa vez tô sem radar.. - eu disse, já com o choro transbordando meus olhos e um nó apertando a garganta.
Sem que eu pudesse ver direito, Duda me abraçou. Abraçou-me como uma mãe conforta o filho. Chorou junto comigo como se aquilo fosse resolver todas as minhas questões.
Me senti amada e protegida. O colo da minha melhor amiga empatava com o colo do amor da minha vida.
Me soltei do abraço e senti que meu rosto já estava inchado e nem o rímel à prova d'água teria resistido.
Duda secou meu rosto com as mãos e eu soluçava sem fim.
Respirei fundo novamente e disse:
- Obrigada por tudo. Dorme aqui essa noite? Tenho tanto a falar. Podemos deixar para amanhã todas essas interrogações que me doem. Quero te contar tudo sobre o Luan. Desde o momento em que o vi pela primeira vez no camarim..
- Sim! Tô louca de curiosidade. De repente, tudo o que sonhamos juntas se realizou. Aliás, te dou todo o apoio com a tatuagem.
- É, mas nós sonhávamos de brincadeira. Meus sonhos com ele eram todos escondidos e eu os guardava na gaveta mais funda do meu coração.
- Bobeira sua. Mas te entendo. Apaixonar-se pelo ídolo parece idiotice e só quem sente pode falar algo. - ela disse, me olhando com compaixão.
Sorri para ela. O diálogo terminou ali. Nada mais precisava ser dito. Duda era a única pessoa do mundo que, apesar de não entender nada daquilo, conseguia ver através de mim que tudo era verdadeiro e nascia do âmago.
Puxei-a pela mão e descemos as escadas. Saímos porta a fora. Sem rumo.

Espero que estejam gostando. Do fundo do coração. Obrigada, mais uma vez. Beijos, amoris.

Capítulo 57

Postei a foto no twitter e logo deixei o celular de lado. Queria aproveitar ao máximo o tempo ao lado dos amores da minha vida.
Almoçamos juntos e minha mãe nos fez companhia.
Subimos pro meu quarto e Duda foi mexer no meu computador e Luan e eu ficamos na cama.
Luan deitou e eu deitei também, encostada em seu peito. Eu poderia adormecer para sempre naquele colo dos deuses.
Duda teclava freneticamente e eu mal conseguia prestar atenção no que passava na televisão. Eu tinha plena consciência da presença do Luan ali e isso não me deixava nervosa. Na verdade, até hoje não sei o era aquilo direito.
Eu parecia estar conectada com ele o tempo todo. Mas preferi deixar o assunto de telepatia pra lá. Talvez fosse besteira ou coisa da minha cabeça.
Alguns minutos depois, minha mãe abriu a porta do quarto.
- Luan, a Dagmar está lá embaixo à sua espera. - ela disse, olhando para ele.
Naquele momento, eu gostaria de não ter uma vida e pendências a resolver. Queria ir com ele. Meu coração  desfalecia só com a ideia de ficar longe dele.
Luan me olhou e minha mãe fechou a porta e desceu as escadas. Duda continuava entretida no computador e parecia não nos perceber ali.
Eu me aproximei dele e o beijei. Me agarrei à ele com todas as minhas forças. Senti mais uma vez aquele perfume que me tirava o chão e hipnotizava.
Ele terminou o beijo e se levantou. Me puxou pela mão e me deu uma juntada. Abraçou-me fortemente e o mundo girou.
Luan pegou as malas e eu o ajudei. Descemos as escadas e fui em direção à Dagmar. Dei um beijo no rosto dela e um abraço.
- Oi Dadá. - eu disse, enquanto ela me segurava pela cintura e ficava abraçada comigo.
- Oi Brê, como você está? 
- Tô bem mas você tá levando meu príncipe de mim. - eu disse, olhando para ela.
- Vou levar mas você sabe que pode vir com a gente.. 
- Poderia mesmo mas tenho uma série de coisas para resolver e minha vida ficou parada durante um mês. - eu disse e olhei para o Luan. Havia um ponto de interrogação invadindo sua feição. Eu não tinha comentado nada com ele sobre meus planos para o fim de semana.
- Então na próxima te esperamos. Você vai adorar viajar por aí. 
Não respondi. Era óbvio que eu adoraria viajar por aí junto com o Luan. Qualquer minuto perto dele, onde quer que seja, era o paraíso para mim.
Saímos pela porta em direção à garagem. Well buscou as malas do Luan e eu os os acompanhei até o carro.
Antes de entrar, Luan me deu um selinho, me abraçou novamente e disse em meu ouvido:
- Você é a minha vida. E por mim, eu nunca mais sairia de perto. Toma cuidado, por favor. Eu te amo. 
Não consegui responder. Ele se afastou, despediu-se de minha mãe e entrou no carro. Olhou para mim e abaixou o vidro do carro.
- Dá um abraço na Duda por mim. Menina viciada em internet. - rimos juntos e concordei com ele.
- Vai com Deus, meu filho. E não se esqueça de dar notícias. - disse minha mãe, acenando para ele.
Abracei minha mãe por trás e ficamos olhando juntas enquanto o carro partia. O motorista buzinou quando fez a curva da rua.
Fiquei desolada. A melhor parte de mim estava indo para longe. Mas não por muito tempo. 
Ainda bem.

Espero que gostem, amoris. Isso aqui é pra vocês =) beijos

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quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Capítulo 56

Cerca de dez minutos depois, tia Silvia buzina no portão de casa. Saí na garagem e abri o portão. Há muito tempo eu não abraçava tia Silvia.
Ela saltou do carro e veio em minha direção.
- Princesa, que saudade! Você está ótima.. - ela disse, me abraçando.
- Saudade também, tia. É, acho legal ficar um mês dormindo. Emagrece e etc. - eu disse, e ela deu uma risada sem graça. Definitivamente, esse assunto não tinha um pingo de graça para ninguém.
Duda saiu do carro e me abraçou também. Não trocamos nenhuma palavra. E nem era preciso. 
Nós três nos abraçamos juntas. Como sempre fazíamos. A última vez em que estivemos juntas, fora no dia do enterro do pai da Duda. O dia em que tudo começara entre Luan e eu.
Me soltei do abraço e ouvi um barulho no telhado. Olhei para cima e vi que não era no telhado e sim, na janela do meu quarto.
Luan batia na janela dizendo:
- Ohhhh, também quero! Peraí que tô descendo.. - ele disse, zarpando correndo da janela.
Voltei o olhar para Duda e os olhos dela ficaram cheios d'água. O sonho de uma vida toda, pensei comigo.
Dois minutos depois, Luan saiu da garagem vestindo bermuda surf azul marinho, camisa gola V branca e chinelos.
- Brê, essa é a famosa Duda? - ele disse, me abraçando por trás.
- Sim, meu amor. Minha melhor amiga. Duda, esse aqui acho que você já conhece, né? - eu disse, olhando e sorrindo para ela.
Duda ficou paralisada. Talvez ela não soubesse respirar mais.
Luan se soltou de mim e foi até ela.
- Duda? Posso te dar um abraço? Acho que te vi de longe no hospital.. - ele disse, esperando alguma resposta dela.
Duda não falou nada, apenas fez que sim com a cabeça e Luan, todo cuidadoso, deu um abraço gentil nela. Ele estava indo com calma. Lágrimas desenfreadas saíam dos olhos de Duda.
Tia Silvia riu daquela situação toda e entrou no carro dizendo:
- Pelo amor de Deus, Brenda. Segura essa menina. Fã é desse jeito mesmo. Tô indo pra casa. Quando quiser ir embora, venho te buscar. - ela disse, dirigindo a palavra para Duda.
- Ok, mãe.. - ela disse, devagar.
Peguei Duda pelo braço e entramos em casa. Luan fechou o portão.
Conduzi Duda, em estado de choque, até o sofá. Fui até a cozinha buscar um copo d'água para ela. Sentamos os três, juntos, e Duda ficou no meio.
Depois de dez minutos, Duda havia voltado ao normal e eu não conseguia rir daquela situação. Eu a entendia muito bem. 
Luan esboçava sorrisos de canto e eu ficava paralisada por dentro. 
Duda respirou fundo e me abraçou forte dizendo:
- Você voltou. Você não sabe a falta que fez para todos nós. Michele me ligou diversas vezes.. - ela disse e o choque invadiu meu rosto. Comecei a torcer para que Duda não comentasse nada sobre a tatuagem. 
Ela virou o rosto apenas para mim e me deu uma piscadela. Ufa, pensei comigo. Tudo estava sob controle.
Duda virou-se para o Luan e disse:
- E quanto a você, ídolo, cuide da minha menina. Eu nunca pude imaginar que ela o amava tanto assim. Nunca passou pela minha cabeça que todas as crises dela eram por sua causa: ciúme, desespero, choro. Não tô te culpando mas eu me culpo por não ter percebido antes. E agora eu entendo tudo. Posso te abraçar? - ela disse e eu fiquei maravilhada com aquele momento. Eu ajudara na realização do sonho da minha melhor amiga.
Luan a abraçou e depois disse:
- Eu vou cuidar da Brenda. Pode até custar minha vida. Nenhuma palavra vai conseguir explicar tudo o que senti e o que passei nesse um mês que ela ficou "fora do ar". - dando ênfase e fazendo aspas com as mãos.
Segurei o choro e não falei nada. Sabia que minha voz sairia embargada e trêmula.
Imaginar Luan sofrendo era como um tiro na testa. 
Abracei os dois e tirei o celular do bolso. Mudei de lugar com Duda e fiquei no meio.
Tiramos uma foto juntos e depois tirei uma foto dos dois. 
Começava ali, com a presença da minha melhor amiga, a minha nova vida.

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terça-feira, 28 de agosto de 2012

Capítulo 55

Dois dias depois, Luan já estava mais do que acostumado com o pessoal em casa.
Meu pai o havia aceitado muito bem mas a implicância vinha apenas por causa da diferença de time.
A sexta-feira chegou e ela trataria de levar meu Luan para longe de mim. Eu não iria viajar com ele. Não naquele final de semana.
Não poderia mais fugir da minha antiga vida e não poderia deixar de lado o fato de que tudo havia mudado.
Liguei para a Duda enquanto Luan arrumava as malas no quarto de hóspedes (que ele nem dormia, na verdade, porque não me deixava dormir sozinha no quarto). Vendo esse atitude, tive mais certeza ainda de que ele passara por momentos difíceis enquanto eu estava em coma. Meu coração doeu só de pensar no sofrimento dele.
Dona Edna, toda moderna e amando o genro, não queixou-se e deu passe livre para o Luan dormir em meu quarto. Parei e refleti sobre: será que se meu namorado fosse outra pessoa, mamãe permitiria? A resposta era única e óbvia: não.
Fui até a sala e peguei o telefone da base. Disquei o número da Duda. Senti como se eu estivesse voltando no tempo, no dia do show do Luan e enterro do pai dela. O tempo havia passado lento mas, ao mesmo tempo, voando. E eu não sei como isso é possível.
No segundo toque, Duda atendeu.
- Alô?
- Oi, meu amor! - eu disse, com todo o entusiasmo do mundo.
- Brendinha! Mal posso acreditar! Que saudade.. - ela disse.
- Também estou morrendo de saudade. Te liguei porque o Luan vai embora logo mais mas antes eu queria que você viesse até aqui para conhecê-lo. Sem hospital, sem médicos e enfermeiras por perto.
- Sério que posso ir? É um sonho. O qual sonhamos juntas tanto tempo. E agora ele está tão perto! - disse ela, entre lágrimas. Sorri ao perceber que minha melhor amiga ainda era fã do Luan e continuava cultivando toda a admiração do mundo por ele.
- Quero te dar esse presente e ele também está louco para conhecer a famosa Duda. Não me canso de falar de você. Venha mesmo. Rober virá buscá-lo dentro de uma hora. Pode vir já se quiser.
- Vou voando para a sua casa. - ela disse rindo e desligou. Não consegui nem me despedir mas entendia a ansiedade dela.
Não é sempre que temos nosso maior sonho sendo realizado assim, sem aviso prévio.

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segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Capítulo 54

Desembaracei o cabelo e vesti uma calça jeans e uma camiseta "podrinha" de alguma banda que não me recordo no momento. 
Enquanto procurava algum sapato, Luan abriu a porta do meu quarto.
- Ei, não sabe bater na porta? - eu disse, fingindo estar zangada.
Ele olhou pra mim com um ar de decepção.
- Ahhh, achei que eu ia entrar aqui e dar de cara com você só de toalha. Fiquei triste. Mas ainda tô doce.. 
Comecei a rir desenfreadamente. Na verdade, eu ria para esconder meu nervosismo diante daquela situação. Quando eu era apenas fã, sempre imaginei que ele fosse daquele jeito meigo e safado. Ele só estava confirmando minhas expectativas.
- Você não vale nada. Mas eu gosto de você.. - eu disse, indo até ele e pegando-o pela mão.
- Gosta? Então tô saindo perdendo dessa porque eu te amo. - ele disse, me abraçando.
É. Eu nunca iria acostumar com o Luan me dizendo essas coisas. Meu estômago virou um borboletário.
- Você me entendeu, né? E eu amo mais. - eu disse, roubando um selinho.
- Antes de entrar nessa discussão idiota, vem cá no espelho tirar foto comigo. - ele disse, me virando e me abraçando por trás. Andamos juntos até o espelho.
Eu estava horrível, como sempre. Disfarcei o rosto beijando-o no rosto enquanto ele segurava o celular e batia a foto.
- Vou postar essa foto paras as negas.. - ele disse, já editando a foto.
- Será que vou ser bem aceita? Tenho medo de que nossa vida vire um inferno. Eu sou fã e se fosse outra em meu lugar, eu teria um ataque cardíaco. - eu disse, indo até minha penteadeira.
- Não sei, amor. De qualquer modo, só vamos saber com o passar do tempo. Mas acho que seria legal você dar uma olhada no seu twitter.. - ele disse, olhando a tela do celular.
Minha barriga doeu. O que será que tinha acontecido?
Liguei o tablet e entrei logo no aplicativo do Twitter. Comecei a ler as mentions. Tanta gente dizendo que já tinha gostado de mim e que torcia por nós. Quase chorei.
Quando abri a boca para perguntar sobre o que ele estava falando, afinal, não havia nada de errado, vi uma mention dele "Já conhecem o amor da minha vida? Brenda <3" e logo depois seguia o link da foto. Era a que ele acabara de postar.
Levantei de súbito e o abracei forte. Nem no meu sonho mais bonito eu poderia ter imaginado isso. Mais do que perfeito, Luan tinha sido feito e havia nascido para ser meu. 
Único e exclusivamente meu.

Desculpe o capítulo menor. Apenas agilizando =) espero que gostem. Comentem e deixem o contato em rede social. Obrigada, amoris.

domingo, 26 de agosto de 2012

Capítulo 53

Cheguei no meu quarto e fui direto para o banho. Tirei a roupa e entrei no box. Deixei a água quente cair sob os meus ombros. Lavei meu cabelo e por isso demorei mais do que deveria.
Saí do banho e me enrolei na toalha. Entrei no quarto e olhei aquelas caixas que minha mãe e Duda haviam organizado.
Resolvi pegar minha caixa preferida. Intitulada "Mails for Luan". Minha mãe não fazia ideia de tudo que eu escrevia e temi que ela tivesse lido algo. Mas duvidei que Duda deixaria.
Peguei a caixa que ficava no alto da pilha e sentei no chão, ainda enrolada na toalha de banho.
Abri a caixão e senti um leve tremor nas mãos e no coração. Ali encontravam-se todas as lembranças das noites de tormenta, choro, angústia, felicidade, risadas, sonhos. Boa parte de minha vida estava ali.
Peguei logo a primeira folha que vi. Tinha sido a última que eu escrevera. Antes do acidente, antes de tudo acontecer.
Rebobinei minhas memórias. Fechei os olhos e voltei àquela noite em que fui ao hotel ver o Luan, depois do show. O lançamento do CD novo. Dagmar me ajudando, Rober auxiliando na conquista.
Eles foram peças primordiais para a concretização do sonho.
Comecei a ler a carta em voz alta para engolir minhas próprias palavras.

"Hoje eu ganhei camarim para ver você, Luan. Depois de muitas noites em claro votando em você para que mais um sonho seu fosse realizado. Ver teu sorriso hoje fez com que tudo valesse a pena. Desde as brigas em casa até as piadinhas dos meninos do cursinho.
Depois, foi a vez do meu outro sonho ser realizado. Você me escolheu entre tantas garotas, modelos e atrizes que compareceram ao show. Logo eu, uma simples fã.." - minha voz embargou. Havia um nó preso em minha garganta. O choro veio, inevitável.
Fechei os olhos e expulsei aquelas lágrimas de mim. Sorri em meio à elas.
Isso parecia tão bobo. Agora que ele estava comigo e parecia real. Minhas lembranças de fã denunciavam minha mente limitada.
Por mais que eu acreditasse na força do meu amor, jamais poderia imaginar que tudo poderia se realizar de forma tão rápida. Diante dos meus olhos.
Pensei em Deus. E em tudo que eu já passara nessa vida para não desistir de mim mesma e dos meus sonhos.
Pensei também em tudo à minha volta. Eu tinha milhões de coisas para pensar e fazer. Mas só desejava o colo do meu namorado e ídolo.
Pensei em correr até a rua e sair gritando por aí. Meu peito e costelas ainda doíam.
Lembrei do acidente e resolvi escrever pois ele não estava entre minhas memórias guardadas e reveladas através de minhas palavras.
Peguei a caneta reserva dentro da caixa e o bloco de anotações que ficava em cima do criado mudo. 
Enxuguei as lágrimas e dei inicio ao texto:
"Fiquei cara a cara com a morte. Mas o medo não me aterrorizava. O que me fazia entrar em desespero eram as constantes "visões" que eu tinha. Não sei ao certo como explicar tampouco saberia traduzir tudo o que vi e senti em palavras. 
Não tinha noção de tempo ou espaço. Fiquei um mês em mar profundo (prefiro mar profundo do que coma profundo, essa expressão me dá medo) vendo todos que amo em cima de um píer. Como se não houvesse salvação ou solução para mim.
Mas o que eu mais temia, era a perda em vida. Mesmo assim, eu sentia que algo me ligava ao Luan. Quase como se ele pudesse me ouvir. A força do amor não me abandonaria. E me trouxe de volta."
Foi uma breve carta, na verdade. Resumi tudo aquilo que eu não aturava lembrar. 
Ao terminar o texto, reli e vi que não parecia uma carta para o Luan. Parecia para mim mesma. Como quem explica algo inexplicável.
Tudo parecia sem nexo mas resolvi guardá-la assim mesmo. Escrever é como tirar uma pedra de dentro do sapato.
Me levantei do chão e meu cabelo estava todo embaraçado e quase seco. Suspirei. Aqueles nós me dariam trabalho.

Estão gostando? Não esqueçam de comentar =) obrigada, amoris!

Capítulo 52

Luan adormeceu no meu colo. As olheiras dele não estavam ali à toa. Ele tivera uma noite de sono mal-dormida dividindo a cama comigo.
Fiquei admirando-o e fazendo cafuné bem devagarinho no cabelo dele.
Minha pernas também tinham dormido e formigavam com o peso dele em cima delas. Mas eu não sairia dali nunca. Não trocaria aquele momento só nosso por nada nessa vida. 
Quantas vezes eu não desejei e sonhei isso? Perdi as contas.
Ali, em meus braços, Luan não passava de uma criança indefesa no sono dos justos. Quando ele dava sinais de que ia acordar, eu começava a cantarolar minha música preferida bem baixinho: "Eu vou pedir ao sol, pra iluminar nosso caminho e todas as estrelas pra enfeitar nosso destino.." e ele logo pegava no sono novamente.
Isso me fez lembrar da tatuagem e da minha amiga Michele. Será que ela já estava sabendo do acidente? Possivelmente. 
Mas dessa semana não ia passar. Eu sabia que Luan queria me levar para os shows do fim de semana mas eu não aceitaria. Ainda tinha um dívida com minha alma.
Minha mãe chegou do supermercado cheia de sacolas. Ela se esforçava ao extremo para agradar a mim e ao Luan. Ela não precisava nem de metade disso. Apenas em existir e me apoiar, ela já cumpria muito bem o seu papel. 
Luan continuava dormindo no meu colo e se eu pudesse, o carregaria até o meu quarto. Sofá nenhum era confortável depois de três horas de sono.
Mamãe entrou em casa, toda esbaforida com as sacolas. Olhei para ela e fiz sinal para que ela fizesse menos barulho.
Ela se conteve entre risos. Talvez eu me tornasse a namorada mais chata do mundo. Mas eu sempre fora chata com tudo que tivesse relação com Luan.
Meia-hora se passou e eu cochilei sentada no sofá com Luan no meu colo. Na verdade, o sono era meu refúgio. Como sempre.
Eu dormia para escapar das coisas. Como se dormindo, todos os problemas fossem se resolver sozinhos.
Tinha tanta coisa para pensar. Minha vida dera uma guinada - sim - porque o meu maior sonho tinha sido realizado. 
Embora tudo tivesse mudado radicalmente.
Como ficaria o cursinho? E a faculdade? Eu não tinha nenhum plano além de conquistar todos os meus sonhos. Eu já tinha o Luan mas morria de medo de perdê-lo para a distância e para o tempo. 
Acordei com o Luan dando beijinhos em minha coxa. Dei um tapinha na orelha dele e rimos juntos.
Minha mãe já estava na cozinha preparando o jantar e meu pai ainda não havia saído do trabalho. 
Luan foi até a cozinha e deu um abraço em minha mãe. Fiquei maravilhada com aquela cena que resumia bem a junção de tudo que eu almejava e sonhava desde sempre.
- Ei, vou tomar banho, tá? Daqui a pouco eu desço. Mãe, se a Duda ligar, diz que ligo de volta depois. Amo vocês! - eu disse e nem esperei resposta.
Subi as escadas que levavam até ao meu cantinho preferido.

Hoje vou postar dois capítulos, ok? Vocês merecem. Melhores leitoras(o) do mundo <3

sábado, 25 de agosto de 2012

Capítulo 51

Sentei para tomar café. Na verdade, eu odiava café e Luan também. Éramos como duas crianças devorando doces e minha mãe ficava abismada de ver dois adultos tomando achocolatado no lugar de cappuccino. Café de verdade.
Luan subiu para o quarto e minha mãe foi ao mercado. Fui até a sala e me sentei no sofá. Há quanto tempo eu não sentava naquele sofá vermelho e confortável? Lembro-me que quando minha mãe o comprou, não deixava deitar nem colocar os pé em cima dele. Sorri com a lembrança dos sermões e de como ela me olhava ao me pegar no flagra tirando um cochilo.
Deitei no sofá e fechei os olhos. Minhas costelas ainda doíam e eu teria que voltar ao hospital na outra semana. Eu fizera exames e os resultados estavam para sair.
Alguns minutos se passaram e ouvi passos vindos da escada. Só podia ser o Luan. Eu custava acreditar que ele estava em casa, comigo, me namorando. Ele sempre me pareceu tão distante e inalcançável. Ele era a maior prova de que os sonhos se tornam realidade.
Continuei de olhos fechados. Senti sua respiração próximo ao meu ouvido. Abri os olhos e vi aquele anjo sentado no chão, com o rosto a centímetros do meus. Sorri como um criança que acaba de ver um algodão-doce. Ele sorriu de volta. O sorriso torto mais fofo do universo. E eu que achava que não conseguiria ser mais apaixonada por ele. 
Luan me beijou. Dessa vez, com mais intensidade. Ele conseguia ser intenso, doce e safado. Tudo ao mesmo tempo.
Puxei-o para mais perto, segurando sua camiseta pela gola. Em segundos, ele veio para cima de mim. 
Fiquei imóvel. Não sabia o que fazer. Luan começou a beijar meu pescoço e eu fitava o teto. Ele percebeu que eu não reagia ao seus estímulos e me olhou, dizendo:
- Que foi, amor? Você não quer.. - e eu saquei na hora. Tudo culpa da minha mãe. Eu era virgem e nunca havia namorado sério até então. Mas, como dona Edna era bem moderninha, de certo, achava que eu não era mais. 
Comecei a rir da cara de desespero do Luan.
- Ai, amor. Você tá me tarando aí achando que vou ceder porque não sou mais virgem, né? - eu disse, entre gargalhadas. Ele continuava me olhando seriamente.
- Uai, sua mãe deu a entender que você não era mais e achei que nem precisava perguntar. Mas eu não pretendia nada hoje. E jamais forçaria você a fazer algo. - ele disse, me olhando como se eu fosse a mais idiota do mundo em achar que ele se aproveitaria de qualquer moça "indefesa".
Parei de rir.
- Não, amor. É que essa ideia passou pela minha cabeça e não pude conter o riso. Sim, eu sou virgem, apesar dos meus dezenove anos. Eu nunca namorei sério e jamais entregaria isso a qualquer um. Sei que você não forçaria nada. Você é um príncipe e eu te amo. E te entendo.. aliás. - eu disse, olhando dentro dos olhos dele.
Ele sorriu e me beijou em resposta. 
Ficamos namorando no sofá e assistindo às séries da Disney. Uma coisa que eu não sabia sobre ele e que nenhuma busca minuciosa de fã seria capaz de achar essa informação: Luan amava os clássicos da Disney. Quando começou Radio Rebel, ele interrompeu o silêncio:
- Tá vendo isso? Eu cresci assistindo esses filmes de moça aí por causa da Bruna. Na minha época não era assim e filme da Disney era só em VHS.
Senti minha barriga doer e entrei em crise de riso novamente. Como é bobo, pensei comigo.
- Ai, Luan. Assim você me mata. VHS? Tirou do fundo do baú, né? Acho que você anda trabalhando demais e anda sem tempo para acompanhar as novidades da tv à cabo. Por favor, fica quietinho, tá? Eu adoro esse filme..
- Olha só. Se você adora é porque já assistiu. E ainda gosta de coisa repetida. - ele disse, fazendo manha. Parecia um neném. Meu coração martelou.
- Já assisti mesmo e daí? - nos olhamos e rimos juntos.
Eu mal podia acreditar naquele cena. A cada dia que passava, Luan mostrava ser uma pessoal totalmente normal e mais humilde ainda do que eu achei que fosse. 
O filme começou e ele mal piscava. Quase uma criança. 
A sala estava à meia luz e fiquei admirando o perfil dele quando a luz da tv refletia nele. Suspirei por dentro. 
Mais uma vez, tive a certeza de que eu o amava com todas as minhas forças. E continuaria amando até o fim dos meus dias.

Esses dois, hein? HUAHUAHUAHUA espero que gostem! Às leitoras novas, deixem o contato twitter/facebook nos comentários =) beijos.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Capítulo 50

Do pé da escada, pude avistar o enorme topete do Luan. Ele e minha mãe estavam sentados na mesa da copa.
Com certeza, minha mãe o adorava. Ela nunca usava a mesa da copa para ocasiões ou pessoas que não fossem verdadeiramente especiais para ela.
Atravessei a sala e cheguei à copa.
Meu coração congelou e foi até o meu estômago. Aquela era a imagem que sempre habitava os meus sonhos. Eu sempre sonhara em vê-lo daquele jeito: descontraído, sem o histerismo das fãs por perto, sem seguranças, sem grades.
Luan esboçava sorrisos, caretas e gargalhadas para minha mãe enquanto eles tomavam café da manhã. Ele, de camiseta preta e bermuda branca, parecia um príncipe relax. Apesar de algumas olheiras, continuava a coisa mais linda do universo. 
Fiquei na espreita e cheguei dizendo:
- Bom dia. Nem me esperaram para tomar café? - eu disse, me encostando no batente e cruzando os braços.
Luan, que fitava a xícara à sua frente, desviou a atenção dos desenhos da xícara e olhou para mim. Abriu um sorriso largo e se levantou vindo em minha direção. Aí percebi que ele estava descalço:
- Bom dia, minha princesa. - ele disse, me abraçando e beijando minha bochecha. Senti que fiquei vermelha e olhei para minha mãe.
- Tudo bem, Brenda. Não precisa ficar com vergonha. É só um beijo no rosto. Eu sei que você não é mais criança e que as coisas acontecem entre namorados.. - ela disse, olhando para nós. Minha expressão era de pavor. Minha mãe estava me matando de vergonha. Eu só queria um lugar para enfiar a cara.
Luan ficou sem ação mas continuava me prendendo em seu abraço. Eu mudei de assunto.
- Ei, mocinho. E esse pé no chão, hein? Tá afim de ficar doente? - eu disse, olhando para o pé dele.
- Tô super afim de ficar doente só pra você ficar cuidando de mim lá em casa. Falando nisso, dona Marizete quer te conhecer. - ele disse, rindo e olhando para minha mãe - a senhora vai deixar né, sogrinha? 
- E tem outro jeito? Morro de medo de avião mas não posso exigir que você a leve de ônibus até o Paraná. - ela disse e todos rimos juntos.
Me soltei do abraço do Luan e fui até minha mãe. Dei um beijo na testa e um abraço nela. 

Espero que estejam gostando, amoris. Isso é apenas para vocês. ;)

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Capítulo 49

No dia seguinte, acordei esparramada na cama. Sozinha. Sentei na cama, meio confusão. Meus olhos vagaram pelo quarto e não encontrei Luan. Minha mente apitava para a opção de tudo aquilo ter sido mais um sonho.
Fui interrompida com duas batidas na porta. Gritei, dizendo que podia entrar.
Era meu pai. Há quanto tempo eu não o via direito e não conversava com ele. Ele aparentava ter dez anos a mais e tinha a feição cansada.
Não me levantei. Esperei ele vir até mim. Sentou-se na beirada da cama e disse:
- Você não sabe um por cento da saudade e angustia que eu passei enquanto você estava lá, naquele hospital, à merce do destino e da bondade de Deus. - ele disse, olhando dentro dos meus olhos. Senti meus olhos arderem e pisquei tentando freiar as lágrimas. Fiquei em silêncio e ele continuou:
- Antes de mais nada, não se culpe por nada. Eu só queria que você soubesse que, apesar dessa distância que criou-se entre nós, nosso laço de pai e filha sempre foi suficientemente grande e forte para esticar e sempre nos manter ligados. Eu sei dos seus sonhos. Sei que agora, ele faz realmente parte de você e da sua vida. Mais do que nunca, aliás. Peço perdão pelo apoio que não te dei e por ter duvidado da sua capacidade de conseguir tudo aquilo que você sempre quis. - ele terminou com lágrimas nos olhos. Eu fiquei muda. Não esperava nada daquilo vindo do meu pai. Só consegui puxá-lo e enterrar meu rosto - já encharcado pelas lágrimas - no colo daquele que me dera vida também. O abracei forte, como se assim eu pudesse matar toda a saudade que eu sentia dele. 
Ele enxugou minhas lágrimas e eu finalmente consegui dizer:
- Obrigada, pai. Por tudo. E eu te perdoo. - olhei dentro dos olhos dele e ele sorriu para mim, exibindo os pés de galinha em volta dos olhos. 
- Eu sou um manteigão. Credo, vamos parar com isso porque o coração do seu velho não aguenta. - ele disse, pousando a mão no lado esquerdo do peito. 
- O velho mais gato e lindo do mundo!
- Tá bom, vai. Eu sei que sou lindo. - e caímos na gargalhada juntos. Dei um beijo em seu rosto e ele se despediu. 
Assim que ele parou para fechar a porta do quarto, ele olhou para mim e disse:
- Você deve estar se perguntando onde uma certa pessoa está. Pois desça e veja o seu sonho tomando café da manhã com sua mãe. Já ganhou o coração da sogra. - ele riu e nem me deu tempo para resposta. Fechou a porta e desceu as escadas para ir ao trabalho.
Bom, essa eu queria ver. Fui até ao banheiro. Olhei e vi meu reflexo no espelho. Continuava em meu estado deplorável. Na verdade, eu nunca me achei bonita, um escândalo de pessoa. Eu era normal. E eu não sabia o que Luan tinha na cabeça para cogitar a ideia de ficar comigo. 
Sorri para a moça estranha e descabelada no espelho. Lavei o rosto com adstringente, fiz a pele e passei bastante rímel. Prendi o cabelo num coque. 
Eu havia esquecido de ver a hora mas se meu estava saindo para trabalhar, poderia ser umas oito horas da manhã. 
Tirei o pijama e vesti um shorts jeans, regata branca e chinelinho de laço. 
Desci as escadas devagar pois minha costela ainda doía com certos esforços.
Da sala, pude ouvir a risada alta mais linda do mundo e a conversando rolando na cozinha.

Espero que estejam gostando! Não esqueçam de comentar =) beijoooos.


terça-feira, 21 de agosto de 2012

Capítulo 48

Luan continuava na internet. Resolvi ligar meu tablet. Afinal, eu estava um mês atrasada com todas as notícias. 
De primeira, entrei no twitter do fã-clube e li todas as mentions. Algumas me xingavam, outras diziam rezar por mim. Resolvi, então, criar um twitter pessoal. Agora eu não era mais apenas uma fã e tinha plena consciência disso. Não poderia mais ficar o tempo todo me escondendo atrás de um conta de fã-clube nem continuar brincando e falando as besteiras que costuma papear com as outras meninas.
Antes de excluir do fã-clube, criei a outra conta e anunciei na antiga para quem quisesse me seguir no novo login.
Morri de dó. Aquele fã-clube, há um mês atrás, era uma das minhas maiores ligações com o Luan. Ali, fiz amizades com gente que jamais teria a chance de conhecer. Não mais. Agora, eu ajudaria na realização do sonho de cada uma daquelas meninas que choravam, riam e dedicavam a maior parte do seu tempo àquele sonho.
No twitter novo, segui todas que tinham mais intimidade comigo. Não que eu fosse excluir o resto, mas queria manter por perto quem me fortaleceu quando eu mais precisei.
Fui ler a conta do Luan e vi que raramente ele postava algo no twitter. Uma lágrima solitária escorreu quando li o que ele havia dito quando assumiu nosso namoro e anunciou meu acidente.
O resto das mensagens que seguiam eram apenas fotos do Instagram e agradecimentos pelas orações e boletins médicos rápidos sobre meu estado.
Luan desligou meu computador e veio até mim. Que agora estava deitada em minha cama, navegando pelo twitter. Ele tinha me seguido e me mencionado. Prontamente, subi vinte e cinco mil seguidores. 
Essa era a dimensão do meu menino.
Ele se ajeitou ao meu lado e eu desliguei o tablet. Queria aproveitar cada minuto ao lado dele. Mas antes, mandei sms para Duda.
"Oi, meu anjo. Já cheguei em casa. Luan vai ficar aqui até sexta-feira. Venha nos ver amanhã. Te amo."
E outra para Luana, dizendo que a amava e que agora eu poderia confirmar todas as suspeitas que ela tinha sobre o amor que eu nutria pelo Luan. Amor entre homem e mulher. Transcendendo os limites de fã.
Pousei o celular em cima do criado-mudo e me virei para ele, que fazia carinho no dorso de minha mão direita, onde jaziam algumas cicatrizes dos cortes do acidente e marcas de agulhas.
- Foi um estrago, né? - eu disse, olhando para ele. Luan desviou o olhar para minhas mãos.
- Não gosto nem de lembrar. - ele disse, ainda fitando minhas mãos.
Parei o assunto ali. Isso me machucava e o machucava também. 
Luan aparentava estar cansado e o fiz deitar na cama e eu permaneci sentada, acariciando seus cabelos e ajeitando o topete sempre impecável e maravilhoso. 
Fiquei olhando para ele enquanto assistia ao espétaculo: ver Luan dormir em meus braços pela primeira vez. Sorri automaticamente.
Eu quase pude ouvir as borboletas voando pelo meu estômago.
Continuei fazendo cafuné e mal piscava para não perder nenhum detalhe.
Passei os dedos pelo contorno do nariz e das orelhas. Tudo milimetricamente perfeito. Sorri novamente.
Não sabia se era possível mas ali, no meu quarto (que sempre fora testemunha maior de todos os meus sonhos e loucuras), tudo ficava mais claro ainda: eu o amava além de mim mesma e mais do que tudo nesse mundo.

Estão gostando??? Às novas leitoras, deixem seu contato nos comentários =) obrigada!

Capítulo 47

(ainda) Com Brenda.

Saímos do hospital pela porta da frente. Um aglomerado de pessoas estavam à nossa espera. Apenas a imprensa, nenhuma fã. 
Well estava à nossa espera quando saímos do elevador. Luan segurava minha mão firmemente. Passamos por eles sem dar entrevista e entramos no carro. 
Assim que entrei, fiquei meio zonza. Uma dor de cabeça forte me atingiu. Segurei com força no braço do Luan e me encostei nele.
Fomos o caminho todo assim, juntos. Fiquei em silêncio o tempo todo. Luan conversava com Dagmar sobre  a agenda de shows e Well permanecia em silêncio. Como sempre. 
O carro nos deixou em frente a minha casa. Que saudade do meu quarto, das minhas coisas. Eu havia ficado apenas um mês fora mas parecia uma eternidade. Luan ficaria comigo até sexta-feira, quando ele teria show em Santa Catarina.
Well tirou as malas do carro e nos acompanhou até dentro de casa. Abracei Dagmar e agradeci por tudo. Ela sempre fora um anjo para mim.
Entrei em casa e Luan me acompanhou. Meus pais haviam saído. Subimos as escadas. Quando estávamos no meio, eu parei e olhei para trás dizendo:
- Você tá mesmo aqui. Aqui na minha casa. Junto comigo. - olhei em volta e vi que tudo parecia sem graça com ele por perto. Ele irradiava luz e tinha o abraço mais gostoso do mundo. Até o sofá vermelho e chamativo de minha mãe perdia a graça. Luan era um holofote ambulante. E eu, só mais uma vitima de toda essa luz que hipnotizava. 
- Eu tô aqui, meu amor. O seu Luan. Não vou te deixar sozinha. - ele disse, abrindo um sorriso largo e tão radiante que quase podia iluminar meu rosto. Senti meu coração martelar descompassado. Sorri de volta, apenas. Não tinha palavras para isso.
Voltei a subir as escadas, pensando novamente em como minha vida havia mudado. Seguimos pelo corredor e a porta do meu quarto estava fechada.
Parei em frente a porta e olhei para trás para me certificar se o Luan ainda estava comigo ali e se tudo não passava de ilusão.
Ele ainda estava. E esperava pacientemente por mim.
Estiquei a mão e peguei a maçaneta. Senti um mar de lembranças me invadir. Abri a porta com todo cuidado e me deparei com meu quarto - que sempre fora meio desorganizado, meio fora do lugar - meticulosamente arrumado. As caixas para o Luan que ficavam embaixo da mesa do computador, estavam agora empilhadas por tamanho em um móvel novo. 
Percebendo isso, olhei novamente para o quarto e vi que minha mãe havia trocado todo meu quarto. Fiquei maravilhada.
Ela trocara meu bom e velho jogo de quarto mogno por um branco com alguns detalhes em tabaco. A cama, sempre com uma em baixo para alguma amiga. No caso, Luan seria o primeiro a estreiá-la.
Meu mural de fotos havia trocado de lugar. Procurei e avistei meu adesivo em tamanho natural do Luan. Sorri, de costas para o Luan verdadeiro. Ele mal podia imaginar quantas vezes eu namorei sozinha esse pôster. 
Na verdade, talvez Luan iria conseguir entender todo esse amor que eu sentia por ele. Nem eu mesma entendia. Fugia às leis. Era algo fora do comum.
Me virei e o vi olhando meu mural de fotos. A mente vagando longe.
Minha mala estava em cima da cama e ele olhava tudo com um olhar minucioso.
Fui até ele e o abracei por trás. Ele se virou e disse sorrindo:
- Já disse que você é a garota mais linda desse mundo? Olha isso, cara.. - apontando para umas de minhas fotos.
Fiquei sem graça e senti minhas bochechas arderem. Ele me deu um selinho rápido mas que me fez perder o fio da meada. Esse era todo o poder que ele tinha sobre mim. E voltou sua atenção para as fotos.
Resolvi, então, desfazer minha mala e organizar minhas coisas do meu jeito. Por mais que eu estivesse totalmente encantada com meu quarto novo e totalmente apaixonada pela minha mãe sempre maravilhosa que arrumara tudo aquilo para me receber de volta. De braços abertos. Era meu renascimento.
Enquanto eu ordenava minhas roupas por cor e tamanho, Luan ligou meu computador e ficou navegando na internet e tuitando.
De costas, ele não via que eu - o tempo todo - ficava observando-o. Era a melhor sensação do mundo. 
Ele não parecia um pop star. Ali, ele não era o Luan Santana. Era apenas o Luan. O meu Luan, como ele mesmo havia dito. 
Perdi as contas de quantas vezes eu me perdia em meus próprios pensamentos, imaginando essas situações do dia-a-dia dele.
Agora, ele era mais meu ainda. Mais do que nunca. E eu fazia parte desse dia-a-dia agora.

Amoris, desculpe o atraso com os capítulos. Prometo recompensá-las no final de semana :) beijos.




sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Capítulo 46

Adormeci e tive uma noite sem sonhos. Horas depois, acordei com o barulho da enfermeira abrindo a porta e trazendo meu café da manhã. Vi o visor do celular novamente. Já era perto da hora do almoço.
- Moça, alguém apareceu para me visitar? - eu disse, dirigindo a palavra à enfermeira.
- Oi, Brenda - me assustei com o fato dela saber meu nome - seus pais e uma amiga vieram visitá-la há algumas horas atrás mas você estava dormindo. - ela disse, colocando a bandeja de comida em meu colo.
Olhei para a bandeja e percebi que há um mês eu não comia nada sólido. Minha boca salivou. Esqueci de responder e agradecer à enfermeira pela informação. Apenas ouvi a porta sendo fechada. Estava sozinha novamente.
Ataquei a bandeja de comida e parecia o banquete dos deuses. 
Terminei e fui tomar banho. Minha mãe havia deixado uma mala em cima do mini-sofá. Escolhi a camiseta que eu ganhara da produção do Luan no dia do lançamento do CD no Villa Country.
Lavei meu cabelo que estava mais comprido agora, abaixo do meio das costas. Me olhei no espelho, finalmente. Quase não me reconhecia. Apalpei meu rosto. Parecia que eu tinha dormido um ano e não um mês. 
Vesti uma calça jeans básica e tênis. Abaixei-me para amarrar os cadarços, senti outra pontada no pulmão. Pisquei duro e voltei devagar à posição ereta. Respirei fundo. Me levantei e andei pelo quarto examinando tudo. Aquele era o quarto da UTI, não a UTI em si. De lá, eu não tinha lembrança alguma. 
Na minha cabeça, meu coma era como se eu estivesse em alto-mar e depois naufragado. Aquela água toda que me engolia..
Lembranças horriveis tomaram conta de mim. Eu sempre achei que teria alguma experiência com Deus, daquelas quase-morte que sempre falam na televisão.
Mas minha experiência com Deus já tinha acontecido. Meu encontro com Luan era uma delas. Mas eu poderia chamar isso de dávida, também. Ou sonho. 
Resolvi arrumar a bagunça que eu havia feito enquanto me arrumava. Ajeitei as coisas na mala e fui até a janela. A porta do hospital estava movimentada. Não ousei chegar muito perto da janela para que não me vissem.
O ruído do meu celular me tirou de minha pequena espiadinha. Corri até o criado-mudo e vi a sms. Era a Dag.
"Brendinha, tudo certo por aqui. Já estou na van com o Luan. Vou com ele até o elevador. De lá, te dou outro toque. Se cuida, beijos."
Estremeci.
Meu principe estava à caminho. Sorri automaticamente e meu coração dava piruetas. 
Comecei a batucar no sofá. Impacientemente. 
Cerca de trinta minutos depois, meu celular tocou novamente e deu como chamada perdida. Era o sinal da Dagmar.
Corri até a porta e me encostei na parede. Forcei os ouvidos e prestei atenção aos passos quase lentos no corredor. 
Dez passos. E o silêncio tomou conta. Cinco segundos depois e nenhuma batida na porta.Talvez ele estivesse hesitando.
Numa súbita vontade (que era a plena mistura de amor e saudade), abri a porta com tudo e o vi indo embora.
- Aonde você pensa que vai, Luan Rafael? - eu disse, quase gritando.
Ele parou. Girou nos calcanhares e olhou para mim. Eu sorri e fiquei impressionada. Em um mês, ele havia mudado tanto. Pelo menos para mim, que o acompanhara fervorosamente durante todos aqueles anos como fã. 
Nos olhamos por um curto espaço de tempo e ele correu até mim. Me envolveu num abraço esmagador. Minhas pontadas nem ousaram interromper aquele momento único. O reencontro. Depois de tanto tempo - quase uma eternidade - eu, enfim, podia sentir novamente meu habitat natural: seu coração. 
Enterrei o rosto em sua nuca e inalei o perfume e o cheiro natural de sua pele. Fechei os olhos. 
Ele me colocou de volta no chão. Mas eu ainda flutuava sob as nuvens. 
Sentamos em uma das cadeiras da saleta de espera. Sentei em seu colo. Precisava ficar o mais perto possível dele.
Nos beijamos e parecia nosso primeiro beijo de novo. Ele despejou sobre mim várias perguntas. 
Respondi a todas com a maior atenção. Eu poderia passar o resto da vida ali, sentada naquele corredor, ao lado do meu menino.
Ele me disse tudo o que sempre sonhei em ouvir dele, do Luan Santana, meu ídolo. Mas me disse tudo aquilo que eu queria e precisava ouvir do Luan Rafael. Tudo aquilo que ele não teve coragem de me falar no dia do acidente.
Chorei. Chorei porque não conseguia freiar minhas lágrimas diante de toda aquela declaração. Mais um sonho realizado. Fora isso, a satisfação em saber que minha mente insana sempre esteve errada. Ele me amava. E eu sabia que, no final, tudo daria certo. Apesar dos tropeços e muros no caminho.
Levantamos de mãos dadas. Fomos até o quarto e Luan me ajudou com as malas. 
Na hora de fechar a porta, ele me olhou do jeito mais fofo do mundo. Me encorajando a ir em frente.
Querendo ou não, aquele acidente sempre ia fazer parte da nossa história. Isso era incontestável e irremediável.
Andamos pelo corredor, juntos, ainda de mãos dadas. Unidos. Nem a morte nos separaria. 

Fim do flashback. Daqui por diante, continua o mesmo jeito: as vezes Luan narra, as vezes Brenda. Obrigada, amoris =)

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Capítulo 45

Devolvi as flores ao mesmo lugar que estavam antes. Peguei o álbum e comecei a folhear.
Logo no inicio, algumas fotos minhas com Duda no meu último aniversário e no dia dos pais, no qual o pai dela ainda estava vivo.
Na segunda página, algumas fotos minhas sozinha. Depois, uma foto minha abraçando minha mãe e outra fazendo careta com meu pai. Pensei no Luan de novo. Será que tudo foi sonho? Não é possível. 
Lembrei também, que eu não havia contado sobre o Luan a nenhuma amiga. Apenas minha mãe sabia. Mas, a essa altura do campeonato, Duda já estava sabendo. Aquele álbum era coisa da Duda, logo, não teria minhas fotos com o Luan. Talvez as do camarim.
Vi mais algumas folhas e nas quatro últimas, minhas melhores lembranças ali, reveladas. Isso era coisa da Duda, com certeza ela tinha fuçado minhas coisas. Não tinha dado tempo de revelar minhas fotos com o Luan (aquelas no hotel, que eu não jogaria em nenhum rede social). Fiquei olhando, admirada. Passei os dedos pela face de bebê que, pra mim, mesmo com o passar dos anos, ele possuiria para sempre.
Olhei cada detalhe das fotos. O sorriso dele, o abraço, os beijos. Tudo muito simples aos olhos alheios. Naquelas fotos, habitavam as lembranças que eu levaria comigo pro túmulo e até depois dele. Em outras mil vidas.
Cheguei ao final do álbum e, por coincidência ou não, estava escrito um texto meu para o Luan. Intitulado "mil vidas". Lágrimas involuntárias saltaram dos meus olhos. Era inevitável não me emocionar diante do meu maior sonho. Que agora não era mais sonho, era realidade.
Coloquei de volta o álbum e eu precisava ouvir a voz do meu menino. Comecei a ficar impaciente. Decidi tocar a campanhia da enfermaria. Dez minutos depois a enfermeira apareceu:
- Olá, dona Brenda. Como você se sente? - ela perguntou, entrando e caminhando devagar pelo quarto.
- Me sinto ótima mas quero preciso fazer uma ligação.
- Tudo bem. Sua mãe deixou seu celular carregado junto com seus pertences. - ela abaixou-se e abriu a porta da mesinha e me entregou uma bolsa. Saiu e bateu a porta.
Fiquei sozinha novamente. Pensei em ligar para o Luan mas tive uma ideia: fazer uma surpresa para ele. Apesar de eu tê-lo visto inúmeras vezes em meu sonho juntamente com seu desespero, eu queria, agora, que a felicidade dele fosse triplicada.
Disquei o número da minha casa. Minha mãe atendeu e não pareceu surpresa com minha ligação. Disse a ela para vir imediatamente ao hospital. Desliguei e disquei o número da Central. Eu não tinha o número pessoal da Dag, apenas do Luan. No terceiro toque, a secretária eletrônica me atendeu e encaminhou a ligação para o ramal da assessoria.
Por sorte, Dagmar estava no escritório. Ela mesma atendeu.
- Assessoria Luan Santana, boa tarde. - ela disse, em tom formal.
- Alô, Dagmar? - eu disse, ainda estranhando minha voz.
- É ela mesma. Quem fala? - ela indagou, meio intrigada.
- Sou eu, Dadá., a Brenda. - o silêncio se fez presente do outro lado da linha. Não ouvia nem o som de sua respiração - não fique assustada. Não é nenhum tipo de brincadeira e não me tornei nenhum fantasma. Eu acordei do coma ontem e preciso da sua ajuda.. 
Ela então desprendeu o fôlego e disparou para cima de mim com a voz fora de controle.
- MEU DEUS. BRENDA! É você mesma! O Luan já sabe? Pelo visto não, né? Ajuda? Tô ao seu dispor, Brê. - ela disse e mal podia imaginar o tamanho do meu sorriso ao ouvir aquelas palavras vindo dela. Principalmente o meu apelido. 
Expliquei o plano a ela. Era simples. Ela não soltaria a notícia para o Luan nem para a imprensa. O médico não contaria por conta da ética e eu daria um jeito de freiar a língua da Duda e dos meus pais.
Tudo resolvido. No dia seguinte ela viria junto com o Luan para Guarulhos e então eu mataria minha saudade de sempre.
Desliguei a ligação e olhei a data no visor do celular. Como o tempo havia passado? Dali a dois dias, faríamos um mês de namoro. Mês esse, que eu passara dormindo. Em coma. Uma lágrima escorreu. Eu havia perdido um mês intubada e desacordada, quando poderia estar junto do amor da minha vida. Pensei também nos planos de Deus e em como tudo tem uma razão. Eu nada poderia fazer diante disso.
Olhei para a mão direita, que segurava o celular. Era a mão da aliança. Analisei e não encontrei minha aliança. 
Larguei o celular e comecei a revirar minha bolsa. O desespero tomando conta de mim. Tirei tudo de dentro dela. Pensei tê-la perdido no acidente.
Finalmente, encontrei a aliança dentro de uma caixinha. Muito bem guardada. Com certeza, isso era coisa da Duda também. Peguei-a e li o que estava gravado dentro dela "Luan Rafael - Incondicional". Quis chorar. Não conseguia. Meu pulmão ardeu.
Guardei tudo dentro da bolsa e a coloquei em cima da mesa. Encostei na cama, fechei os olhos e relaxei.

O próximo capítulo também será esse "flashback" da Brenda, ok? Espero que gostem =) beijo, amoris.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Capítulo 44

Com Brenda.

Eu não conseguia sair do mar em fúria. Algo me puxava para baixo. Luan havia desaparecido e Duda também.
Tentava nadar e uma força puxava meus pés e eu me debatia. Comecei a perder as forças. Engolira bastante água. Tentei nadar e sair daquele redemoinho. Afundei de vez.
Não sei quanto tempo tinha passado. Minha mente havia se apagado como se alguém tivesse desligado meu interruptor.
Uma luz brilhou na escuridão e eu - finalmente - consegui piscar inúmeras vezes seguidas. Minha vista estava turva e a luz acima de mim parecia estar ao alcance das minha mãos.
Tentei levantar o braço e tocar na luz mas meus membros não me obedeciam. Fechei os olhos com força. Parecia que o amar em que eu me afogava outrora, agora habitava dentro da minha cabeça. Fiquei enjoada. Abri os olhos novamente e senti o mundo girar ao meu redor. Uma lágrima escorreu pelo canto do olho. Pisquei novamente. Mais lágrimas saíram dos meus olhos, e tudo clareou. Como se as lágrimas estivessem levando consigo toda a tempestade. 
Tudo parecia calmo agora. Ouvi algumas vozes ecoando dentro de mim. Eu não conseguia emitir som nenhum. Apenas chorava. Sem freio e sem fim. Senti as lágrimas escorrendo pelo meu rosto e descendo pelas minhas têmporas, inundando meus ouvidos. 
Ouvi minha mãe chamar, quase gritando:
- Brenda? Minha filha? Vem pra mim.. - ela disse e a voz dela foi sumindo. Meus olhos abertos mareados e eu pude ver a face daquele mulher que me dera a vida. Ela, que sempre me apoiava em tudo, estava me chamando de volta também. 
Alguém estava ao lado dela. Era meu pai. Ele continuava em silêncio, apenas segurando minha mãe pelos ombros. Talvez, para que ela não fizesse nenhuma bobagem ou tentasse me sacudir para sair do transe.
Fiquei olhando minha mãe e não consegui piscar mais. De repente, senti vários solavancos em cima de mim. Quatro choques seguidos. Meu tronco pulou e eu soltei um chiado que vinha do fundo da minha garganta.
Meu interruptor havia sido ligado novamente.
Comecei a gritar desesperadamente e vi - pela visão periférica - dois borrões passando ao meu lado. Eram as enfermeiras retirando meus pais do local. Aliás, eu não fazia ideia de onde eu estava.
Senti três pares de mãos em cima de mim. Nenhum choque a mais. Pude ouvir, bem ao lado, uma máquina apitando meus batimentos cardíacos.
Senti uma fisgada percorrendo toda e qualquer terminação nervosa do meu corpo. Soltei um último grito. 
Acordei no dia seguinte.

Meus olhos se abriram e dentro de mim era só calmaria. Olhei em volta e tudo parecia em ordem agora. Não via meus pais, enfermeiras, desfibrilador nem a máquina apitando os batimentos. Pensei no Luan enquanto analisava o quarto todo. 
Havia uma mesinha, uma espécie de criado-mudo ao meu lado. Em cima dela, me deparei com um álbum de fotos e um buquê de flores. Sorri automaticamente. Me estiquei para alcança-los e minha costela parecia cutucar algum dos meus órgãos internos. Respire fundo e lentamente. Tentei de novo e com muito cuidado, consegui pegar o buquê. Enxerguei um cartão delicadamente colocado em meio às flores. Abri e li em voz alta:
- "Seja bem vinda de volta, anjinha. Estamos morrendo de saudade. Com amor, mamãe, papai e Duda."
Num primeiro momento me assustei com minha própria voz. Há quanto tempo eu não me ouvia falar.
Não tinha o nome do Luan ali. Talvez ele não soubesse ainda.

Gostaram do capítulo especial, meninas? Faz parte da fanfic mas é especial porque é a Brê narrando todo o seu sufoco durante o coma. O próximo de amanhã, é a continuação desse também, ok? Obrigada mais uma vez! =)

Capítulo 43

Soltei-me do abraço e minha ficha então caiu e eu perguntei:
- Mas me explica. Você acordou e não avisou ninguém? E seus pais? Ninguém me avisou.. - eu disse, desconcertado. 
- Simples, amor. Eu acordei e o médico comunicou meus pais e eles falaram com a Dagmar. Eu não queria te torturar mas queria fazer surpresa. Meu coração estava em pedacinhos. Mas eu queria que você ficasse feliz ainda ao chegar aqui e finalmente me ver acordada. Eu sofri uma parada cardíaca, Luan. Por um milagre, eu voltei. Não sei aonde minha alma.. - ela pareceu refletir sobre o assunto, piscou três vezes consecutivas e cortou o assunto - isso não importa agora. O que importa é você aqui comigo. Me desculpe por isso, a ideia foi todo minha. Dagmar e meus pais apenas me ajudaram.
Eu refleti a respeito. Tudo aquilo. Rober me acordando relativamente cedo. Dagmar sorrindo para mim antes da porta do elevador se fechar. Agora eu entendia a real intenção. Eu não conseguia ficar bravo com ela. Resolvi deixar pra lá.
- Tudo bem, Brê. Já passou. Você aqui comigo anula todas as dores das últimas semanas. Aliás, sabia que amanhã completamos um mês de namoro? - eu disse sorrindo.
- Eu sei.. - disse ela, olhando para nossas mãos dadas. Nossas alianças cintilavam na clareza do ambiente.
- Obrigada por estar aqui. Obrigada por ter voltado para mim. Obrigada por ouvir os meus chamados. - eu disse, querendo - mais do que nunca - que ela soubesse de tudo. O arrependimento daquela noite do acidente ainda era vivo em minha mente. 
- Eu que tenho que te agradecer por não desistir de mim. Deus vê nossas lutas. - ela disse, fazendo carinho em meu rosto.
- Com certeza. Eu não desistiria do motivo do meu sorriso.. - eu disse, disfarçando o olhar e mexendo no cabelo dela.
- Isso parece até coisa que eu falaria para você. O motivo do sorriso, motivo da minha volta, o real propósito por trás de tudo que nos aconteceu nesse curto espaço de tempo. Eu te amo e nada mais. - ela completou a frase com um sorriso que iluminou mais ainda aquele corredor. Fiquei sem palavras.
Levantamos e entramos no quarto. Ajudei-a com a mala e saímos em direção à porta. Sempre de mãos dadas.
Ao fechar a porta do quarto da UTI, sorri para ela encorajando-a a ir em frente. 
Agora, teríamos um mundo para enfrentar e encarar. Já sabíamos disso. Mas com ela ao meu lado, eu poderia tocar o céu.


Espero que estejam gostando da história. =) obrigada pela atenção de sempre. Já somos mais de 5 mil visualizações. <3

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Capítulo 42

Achei que era a mãe ou o pai da Duda então resolvi virar as costas e ir embora sem incomodar o horário de visita deles.
Até que ouvi a porta batendo atrás de mim, a fechadura batendo no trinco.
- Aonde é que você pensa que vai? - a voz disse. Parei de caminhar. Pisquei cinquenta vezes seguidas, atônito. Girei o corpo e eu não conseguiria acreditar se não tivesse visto com meus próprios olhos.
Brenda. Ali. Viva. Diante de mim, usando uma camiseta da minha produção, calça jeans e tênis. A imagem do amor.
Não conseguia andar. Meus abraços amoleceram. Minha voz não saía. Desabei em uma das cadeiras do corredor. Abaixei a cabeça e fiquei pensando. Eu estaria sonhando acordado?
- Luan Rafael. Você não tá me vendo aqui? Sou eu, Brenda. - ela disse, caminhando em minha direção. Meu Deus, a imagem agora andava, falava e talvez estivesse desapontada com minha atitude.
- Brenda? É você mesmo? - eu disse, levantando a cabeça. Parecia que eu tinha andando por um incinerador ligado. Meus ossos não existiam mais.
Ela me olhou com o olhar mais lindo do mundo. Não aguentei. Me atirei nos braços dela. E caí em mim que - sim - ela era real. Eu não entendia. Seria um milagre? Eu acreditava em milagres. Fechei os olhos, afastando todo e qualquer pensamento da minha cabeça. Respirei fundo e inalei o perfume dela. O mesmo de sempre.
Ela me agarrou forte, como se eu fosse a única salvação em meio ao precipício. Me soltei do abraço e fiquei a centímetros do seu rosto. Olhando fixamente em seus olhos. Ela sorriu e fechou os olhos. Vi uma lágrima escorrer. A abracei novamente e disse no seu ouvido:
- Você tá viva, Brê! Graças a Deus! Tô tão arrependido. Eu me senti inseguro daquela vez, antes de você sair com o Rober e.. - ela calou minha boca com um beijo. O melhor beijo de nossas vidas.
Continuou me beijando e sentou no meu colo. Ficamos abraçados. Eu não precisava de mais nada. Eu estava ali, respirando o mesmo ar que a pessoa mais importante da minha vida. Aquela a qual eu já chorava a "morte". Minha fé não me deixava desistir mas o medo sempre esteve por perto.
Ela parou de me beijar e se afastou.
- Pode terminar de me dizer então.. - ela disse, desviando o olhar. Minha Brenda estava ali. A mesma de sempre.
- Então, Brê. Eu não consegui dizer o que eu realmente sinto por você. Eu quero ficar por perto pra sempre, me entende? Quero construir uma vida ao seu lado. E você nem imagina o que essa sua ausência me causou.  Eu entrei naquele elevador há alguns minutos atrás, com a alma destruída. A fé abalada e a esperança sem vida, assim como você estava.. - estremeci ao pensar naquilo e continuei - e não entendo. Como você saiu? Há quanto tempo acordou? - eu disse, segurando nas mãos dela.
Brenda me olhou com o olhar mais doce da face da terra e então respondeu:
- Acordei há dois dias. Ouvi os seus chamados. Eu nunca acreditei em nada disso. Mas eu acredito na força do nosso amor. Acredito que, além de todos os recursos médicos, o que me tirou daquele mar escuro e me trouxe de volta, fora o nosso amor. O que eu sinto vai além de todas as palavras. Vai além do amor de fã. Vai além de nós mesmos.. - ela disse, com os olhos cheios d'água.
Mar escuro. Gritos. Agora tudo fazia sentido. Era o cenário dos meus sonhos. E dos dela também. Pensei novamente em telepatia. Parecia a coisa mais brega do mundo e eu tinha medo de acreditar nisso, de fato.
- Eu sei. Eu estive lá. Também não sei se acredito nisso de telepatia mas com Deus tudo é possível. E você sarou? - eu disse, agora procurando e enxergando o rosto e as mãos machucadas.
- Deus. Foi Deus, também, com toda certeza. Ainda bem que eu nunca desisti de você, apesar de tudo. - ela disse, e dessa vez não desviou o olhar. Me encarou enquanto escorria mais algumas lágrimas involuntárias.
- Ah, eu sarei. Os médicos não conseguem encontrar nada que poderia ter me deixado em coma profundo. E tem as minhas costelas que foram fraturadas.. - ela disse, erguendo a camiseta me mostrando as ataduras - e os arranhões pelo corpo todo. Mas isso logo vai embora também. Minha cabeça as vezes dói mas é devido ao trauma. 
Escutei tudo com a maior atenção. Ela estava viva. Em meus braços, finalmente. Abracei-a de novo e cerrei os olhos com força. Agradeci mentalmente. 

Finalmente. Nem eu aguentava mais essa situação da Brenda, hahahaha. Estão gostando? Comentem =) beijos.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Capítulo 41

Não consegui dormir, apesar do sono. Entrei no twitter e postei duas fotos. Segui alguns fã-clubes e respondi algumas pessoas. Conversei com a Dag sobre como estava minha vida na mídia. 
- Dag, e como fica minha situação agora? O que as pessoas têm falado? - eu disse, deixando de lado o celular.
- Você foi visto no hospital e isso só confirmou as suspeitas de que você está realmente namorando. Sim, apesar da sua confirmação no twitter, há uma multidão de fãs que ainda não acreditam e isso só faz com que a mídia fique indagando e cutucando o assunto só pra vender revista. - ela disse, consultando o tablet.
- Isso me irrita! Táqueopariu. - eu disse, ficando nervoso. Odiava saber que minhas fãs não acreditavam totalmente no que eu dizia.
- Calma, Luan. Tá tudo resolvido. Enviei notas oficiais para as redações das principais revistas de fofoca e programas de televisão. Você está oficialmente namorando e sua namorada, Brenda, está em coma profundo. - ela disse, baixando o tom da voz no final da frase. Eu desviei o olhar e não falei mais nada.
Fiquei olhando pela janela enquanto ouvia meu mp3. 
Enfim, chegamos à São Paulo. Desembarquei e fui direto até a van. Quase correndo. Se eu pudesse, pousaria no hospital.
Antes de ir até Guarulhos, Dag já havia feito as reservas no hotel e teríamos que ir até lá para deixar as malas. Nem me dei ao trabalho de subir para o meu quarto. Fiquei na van esperando com a Dag e o Rober se encarregou das malas juntamente com Well e Gutão.
Eu estava ansioso e nervoso. Não parava de batucar no vidro da janela e de mexer os pés. Toda e qualquer posição na poltrona me parecia desconfortável.
Cerca de meia hora depois, Rober volta do hotel e seguimos viagem até o hospital. O trânsito não ajudava, como sempre.
Demoramos uma hora e meia até conseguir chegar em Guarulhos e mais meia hora até o hospital. Eu não lembrava do horário de visitas. E Dagmar não conseguia falar com nenhum médico e enfermeira.
Assim, chegamos e entramos pela porta dos fundos. Talvez algumas fãs estivessem à minha espera mas eu não tinha cabeça para atendê-las naquele momento. Eu precisava ver Brenda. Falar com ela, ainda que ela não me respondesse. Eu queria estar ao lado dela, ainda que ela não tivesse ciência de minha presença. 
Corri pelas escadas que levavam até a ala de elevadores da UTI. Dagmar e Well ao meu lado. Rober e Gutão ficaram na recepção fazendo nosso cadastro de visitantes. Eu ainda teria meus quinze minutos com Brenda. Estávamos em cima da hora quando entramos no elevador.
- Posso pedir uma coisa a vocês? Quero subir sozinho. Nem precisam sair do elevador.. - eu disse, olhando para o espelho do elevador. Well assentiu.
- Tudo bem. Qualquer coisa, estamos na sala de espera do primeiro andar. - Dagmar disse, calmamente.
A porta se abriu e eu pisei fora do elevador. Dag sorriu pra mim - o tipo de sorriso encorajador - e Well manteve-se calado, como sempre.
Ouvi a porta se fechar atrás de mim e respirei fundo. Olhei para o corredor à minha frente: impecavelmente limpo, branco e vazio.
Segui marchando no compasso das marteladas do meu coração, até a porta do quarto da Brenda. Parecia até que era o primeiro encontro e eu, um jovem normal apaixonado à espera da possível namorada. 
 As persianas estavam fechadas. Não podia vê-la pelo vidro. Toquei a campanhia da enfermaria para que a enfermeira autorizasse minha entrada e trouxesse o cartão magnético para a abertura da porta.
Trinta segundos depois, ouvi um clique. A porta se abriu.

U_U e aí? Estão gostando? Comentem, amoris! =) e às leitoras novas, sejam bem vindas.

domingo, 12 de agosto de 2012

Capítulo 40

Naquele noite, eu dormira demais. Sonhei com Brenda novamente. Nossa telepatia estava funcionando melhor do que nunca.
Acordei animado com a ideia de poder ir visitá-la em Guarulhos. Mas minha alegria, em menos de segundo, se esvaiu. Ela não tinha acordado e nem sinal de vida.
Fiquei sabendo pelo Rober, que entrou no meu quarto batendo a porta.
- Acorda, donzelo adormecido. - ele disse, abrindo as cortinas. Já estava pior do que a dona Marizete. Mas como assim? Rober? Ele não estava internado?
- Aooo, filho da mãe. Mais respeito comigo porque sou eu quem paga seu salário, hein, fião? - eu disse brincando. Me levantei da cama indo em direção ao banheiro, dei um tapa na testa dele.
- Mais respeito comigo também, não sou seu escravo que você pode vir batendo em mim assim, trem. Fora que, não sei se você percebeu, eu tô recém-saído do hospital.. - ele disse, cabisbaixo.
- Sério? Nem tinha percebido.. - eu disse, caindo na gargalhada. Olhei para ele e ele veio até mim e me abraçou.
- Que isso, Rober? Não te dei o direito.. - eu disse, sério. Ele ficou parado me olhando por cinco segundos. Começamos a rir sem parar. Rober era meu amigo, quase irmão.
- Eu senti sua falta sim mas não vai se acostumando, hein, testão? Mas me diz, como você tá? - eu disse, agora reparando que ele usava um colar cervical no pescoço e gesso no braço direito. Ambas fraturas ocorridas no acidente.
- Tive algumas fraturas na coluna e preciso usar esse colar horroroso durante duas semanas e meu braço direito foi quebrado e vou precisar fazer umas vinte sessões de fisioterapia para que volte ao movimento normal. Mas fora isso, tá tudo certo. Tô vivo, não tô? Vivão da silva. E a Brenda? Tem notícias? - ele disse, mudando de assunto.
- Não me ligaram nem nada do hospital. Acho que não houve mudança alguma no quadro hospitalar dela.. - eu disse, olhando pela janela e desviando o olhar. Eu não conseguia falar sobre isso sem que meus olhos se enchessem d'água. Engoli em seco. Ele percebeu e deixou pra lá o assunto.
- Então, você já arrumou sua mala? Marquei no aeroclube e nosso vôo sai daqui a pouco. São Paulo nos aguarda. Só temos shows daqui há três dias mas acredito que você queira ver a Brenda. - ele disse, já procurando pelas minhas malas que ainda estavam jogadas no chão.
- É, acertou na mosca. Não vejo a hora de vê-la. - eu disse, entrando no banheiro.
Enquanto tomava banho, Rober organizou toda a bagunça das minhas malas e deixou que eu mesmo escolhesse o que levaria para São Paulo.
Sai do banho já com a roupa trocada e fui revirar meu guarda-roupa. Minha mãe mantinha tudo organizado demais pro meu gosto. Eu sempre deixava tudo bagunçado quando ia viajar. E quando voltava, tudo estava de volta ao seu lugar. Separados por cor, tamanho, tecido. Parecia até coisa da Brenda.
De malas prontas, desci para tomar café. Percebi que já passava da hora do almoço e eu dormira demais como sempre. 
Rober almoçou em casa. Meu pai já estava na Central então minha mãe nos levou até o aeroclube. Lá, Dagmar, Gutão e Well já estavam à nossa espera. 
Me despedi da minha mãe e embarquei. O sono ainda me incomodava. Eu odiava sentir tanto sono mas agora só conseguia ficar feliz com isso. Mais sonhos. Mais encontros com Brenda. Ainda que eu não me lembrasse direito das minhas ações lá, no subconsciente. Mas o que importava era estar perto dela. Ainda que estivesse tão longe do meu alcance.

Estão gostando? Comentem, amoris! =) beijos.




sábado, 11 de agosto de 2012

Capítulo 39

Com Brenda.

A água estava mais escura do que de custume. Eu podia sentir o frio percorrendo cada veia do meu corpo. Não chovia, pelo menos. Vi o Luan alguns metros acima de mim, no píer, tentando me puxar pela mão. Meus pés pareciam pesar dez vezes mais. Não conseguia me mover. Não conseguia nadar e ir em direção a ele. Comecei a chorar desesperadamente e ele me olhava como se não me enxergasse de verdade. Ele tinha os olhos vagos, tristes. Como se tentasse me ajudar e não conseguisse mover os pés. 
Ouvi um grito. Meu olhar mudou de foco. Era Duda.
Ela corria sem movimento algum. Tentou pular no mar e não conseguiu. Chamava meu nome mas nenhum som saía de sua boca. Apenas os gritos, agora mudos. 
Logo atrás dela, vi meus pais e Luana. Ambos olhavam em minha direção. Eles pareciam realmente me enxergar ali, em meios aos caos. 
Minha mãe chorava em silêncio e meu pai a abraçava. Não entendi. Na verdade, havia um monte de coisas que eu não entendia.
Por que eu estava ali? Por que não conseguia me mover? Por que o Luan - que dizia me amar tanto - não me tirava dali? 
Parecia que uma barreira invísivel e intransponível existia entre as pessoas que eu mais amava na vida e eu, ali, mais sozinha do que nunca. Pensei nas noites em meu quarto. Dos sonhos com o Luan. Quis chorar mais ainda. Eu queria acordar. Mas eu estava, na realidade, dormindo? Ou aquilo tudo era verdade? Não conseguia acreditar em mais nada. Era outra dimensão.

Com Luan.

Dei mais uma volta no condomínio. O céu estava escuro e cheio de estrelas. Voltei para casa. Meus pensamentos vazios, enfim.
Minha mãe tinha ido ao shopping com a Bruna. Trouxeram para mim algumas camisas pólo e dois pares de tênis. Bruna subia as escadas com dificuldade por causa da quantidade de sacolas nas mãos.
- Oloco, Bruna. Trouxe o shopping inteiro pra casa? - eu disse, rindo.
- AINDA não.. - ela disse, ressaltando o "ainda" na frase.
- Olha lá, hein. Haja show pra pagar tudo isso.. - eu disse, pesando na dela. Bruna sempre foi bem retraída com relação às contas e etc. Uma vez, ela havia me dito que sentia-se mal gastando o dinheiro que eu suava tanto para ganhar. Tirei aquilo da cabeça dela. Era uma grande idiotice, na verdade. Meu sonho atingia a todos e minha vida financeiramente estável se estendia a ela também.
Depois disso, já era. Minha mãe a levava ao shopping toda semana. E sempre que eu chegava em casa, ficava falando na cabeça dela apenas para zoar. Depois de tanto tempo, ela nem ligava mais. Bruna era minha melhor amiga, além de ser minha irmã.
Quando Bruna finalmente conseguiu subir as escadas, pensei na Brenda. Eu poderia proporcionar tudo isso a ela. Tudo que ela quisesse. Meu sonho realizaria todos os sonhos dela também.
Da copa, conseguia enxergar a sala. Consegui ver meus pais sentados assistindo à tv, juntos há tantos anos e ainda unidos. Porquê, nem sempre, estar junto é sinal de união.
Fiquei ali olhando-os e pensando - mais uma vez - na Brenda. E em como eu queria que ela conhecesse minha família. E eu queria conhecer melhor a família dela. 
Pensando nisso, pude perceber que, na verdade, eu só queria que ela estivesse ao meu lado. Sempre. Não importando a hora nem o lugar.
Fui até a geladeira e peguei uma lata de coca-cola. Subi as escadas em direção ao meu quarto. Onde eu poderia - de novo - encontrar com Brenda nos meus sonhos.

Não se esqueçam de comentar e de deixar o contato em rede social =) Obrigada, amoriis.