quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Capítulo 56

Cerca de dez minutos depois, tia Silvia buzina no portão de casa. Saí na garagem e abri o portão. Há muito tempo eu não abraçava tia Silvia.
Ela saltou do carro e veio em minha direção.
- Princesa, que saudade! Você está ótima.. - ela disse, me abraçando.
- Saudade também, tia. É, acho legal ficar um mês dormindo. Emagrece e etc. - eu disse, e ela deu uma risada sem graça. Definitivamente, esse assunto não tinha um pingo de graça para ninguém.
Duda saiu do carro e me abraçou também. Não trocamos nenhuma palavra. E nem era preciso. 
Nós três nos abraçamos juntas. Como sempre fazíamos. A última vez em que estivemos juntas, fora no dia do enterro do pai da Duda. O dia em que tudo começara entre Luan e eu.
Me soltei do abraço e ouvi um barulho no telhado. Olhei para cima e vi que não era no telhado e sim, na janela do meu quarto.
Luan batia na janela dizendo:
- Ohhhh, também quero! Peraí que tô descendo.. - ele disse, zarpando correndo da janela.
Voltei o olhar para Duda e os olhos dela ficaram cheios d'água. O sonho de uma vida toda, pensei comigo.
Dois minutos depois, Luan saiu da garagem vestindo bermuda surf azul marinho, camisa gola V branca e chinelos.
- Brê, essa é a famosa Duda? - ele disse, me abraçando por trás.
- Sim, meu amor. Minha melhor amiga. Duda, esse aqui acho que você já conhece, né? - eu disse, olhando e sorrindo para ela.
Duda ficou paralisada. Talvez ela não soubesse respirar mais.
Luan se soltou de mim e foi até ela.
- Duda? Posso te dar um abraço? Acho que te vi de longe no hospital.. - ele disse, esperando alguma resposta dela.
Duda não falou nada, apenas fez que sim com a cabeça e Luan, todo cuidadoso, deu um abraço gentil nela. Ele estava indo com calma. Lágrimas desenfreadas saíam dos olhos de Duda.
Tia Silvia riu daquela situação toda e entrou no carro dizendo:
- Pelo amor de Deus, Brenda. Segura essa menina. Fã é desse jeito mesmo. Tô indo pra casa. Quando quiser ir embora, venho te buscar. - ela disse, dirigindo a palavra para Duda.
- Ok, mãe.. - ela disse, devagar.
Peguei Duda pelo braço e entramos em casa. Luan fechou o portão.
Conduzi Duda, em estado de choque, até o sofá. Fui até a cozinha buscar um copo d'água para ela. Sentamos os três, juntos, e Duda ficou no meio.
Depois de dez minutos, Duda havia voltado ao normal e eu não conseguia rir daquela situação. Eu a entendia muito bem. 
Luan esboçava sorrisos de canto e eu ficava paralisada por dentro. 
Duda respirou fundo e me abraçou forte dizendo:
- Você voltou. Você não sabe a falta que fez para todos nós. Michele me ligou diversas vezes.. - ela disse e o choque invadiu meu rosto. Comecei a torcer para que Duda não comentasse nada sobre a tatuagem. 
Ela virou o rosto apenas para mim e me deu uma piscadela. Ufa, pensei comigo. Tudo estava sob controle.
Duda virou-se para o Luan e disse:
- E quanto a você, ídolo, cuide da minha menina. Eu nunca pude imaginar que ela o amava tanto assim. Nunca passou pela minha cabeça que todas as crises dela eram por sua causa: ciúme, desespero, choro. Não tô te culpando mas eu me culpo por não ter percebido antes. E agora eu entendo tudo. Posso te abraçar? - ela disse e eu fiquei maravilhada com aquele momento. Eu ajudara na realização do sonho da minha melhor amiga.
Luan a abraçou e depois disse:
- Eu vou cuidar da Brenda. Pode até custar minha vida. Nenhuma palavra vai conseguir explicar tudo o que senti e o que passei nesse um mês que ela ficou "fora do ar". - dando ênfase e fazendo aspas com as mãos.
Segurei o choro e não falei nada. Sabia que minha voz sairia embargada e trêmula.
Imaginar Luan sofrendo era como um tiro na testa. 
Abracei os dois e tirei o celular do bolso. Mudei de lugar com Duda e fiquei no meio.
Tiramos uma foto juntos e depois tirei uma foto dos dois. 
Começava ali, com a presença da minha melhor amiga, a minha nova vida.

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