quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Capítulo 44

Com Brenda.

Eu não conseguia sair do mar em fúria. Algo me puxava para baixo. Luan havia desaparecido e Duda também.
Tentava nadar e uma força puxava meus pés e eu me debatia. Comecei a perder as forças. Engolira bastante água. Tentei nadar e sair daquele redemoinho. Afundei de vez.
Não sei quanto tempo tinha passado. Minha mente havia se apagado como se alguém tivesse desligado meu interruptor.
Uma luz brilhou na escuridão e eu - finalmente - consegui piscar inúmeras vezes seguidas. Minha vista estava turva e a luz acima de mim parecia estar ao alcance das minha mãos.
Tentei levantar o braço e tocar na luz mas meus membros não me obedeciam. Fechei os olhos com força. Parecia que o amar em que eu me afogava outrora, agora habitava dentro da minha cabeça. Fiquei enjoada. Abri os olhos novamente e senti o mundo girar ao meu redor. Uma lágrima escorreu pelo canto do olho. Pisquei novamente. Mais lágrimas saíram dos meus olhos, e tudo clareou. Como se as lágrimas estivessem levando consigo toda a tempestade. 
Tudo parecia calmo agora. Ouvi algumas vozes ecoando dentro de mim. Eu não conseguia emitir som nenhum. Apenas chorava. Sem freio e sem fim. Senti as lágrimas escorrendo pelo meu rosto e descendo pelas minhas têmporas, inundando meus ouvidos. 
Ouvi minha mãe chamar, quase gritando:
- Brenda? Minha filha? Vem pra mim.. - ela disse e a voz dela foi sumindo. Meus olhos abertos mareados e eu pude ver a face daquele mulher que me dera a vida. Ela, que sempre me apoiava em tudo, estava me chamando de volta também. 
Alguém estava ao lado dela. Era meu pai. Ele continuava em silêncio, apenas segurando minha mãe pelos ombros. Talvez, para que ela não fizesse nenhuma bobagem ou tentasse me sacudir para sair do transe.
Fiquei olhando minha mãe e não consegui piscar mais. De repente, senti vários solavancos em cima de mim. Quatro choques seguidos. Meu tronco pulou e eu soltei um chiado que vinha do fundo da minha garganta.
Meu interruptor havia sido ligado novamente.
Comecei a gritar desesperadamente e vi - pela visão periférica - dois borrões passando ao meu lado. Eram as enfermeiras retirando meus pais do local. Aliás, eu não fazia ideia de onde eu estava.
Senti três pares de mãos em cima de mim. Nenhum choque a mais. Pude ouvir, bem ao lado, uma máquina apitando meus batimentos cardíacos.
Senti uma fisgada percorrendo toda e qualquer terminação nervosa do meu corpo. Soltei um último grito. 
Acordei no dia seguinte.

Meus olhos se abriram e dentro de mim era só calmaria. Olhei em volta e tudo parecia em ordem agora. Não via meus pais, enfermeiras, desfibrilador nem a máquina apitando os batimentos. Pensei no Luan enquanto analisava o quarto todo. 
Havia uma mesinha, uma espécie de criado-mudo ao meu lado. Em cima dela, me deparei com um álbum de fotos e um buquê de flores. Sorri automaticamente. Me estiquei para alcança-los e minha costela parecia cutucar algum dos meus órgãos internos. Respire fundo e lentamente. Tentei de novo e com muito cuidado, consegui pegar o buquê. Enxerguei um cartão delicadamente colocado em meio às flores. Abri e li em voz alta:
- "Seja bem vinda de volta, anjinha. Estamos morrendo de saudade. Com amor, mamãe, papai e Duda."
Num primeiro momento me assustei com minha própria voz. Há quanto tempo eu não me ouvia falar.
Não tinha o nome do Luan ali. Talvez ele não soubesse ainda.

Gostaram do capítulo especial, meninas? Faz parte da fanfic mas é especial porque é a Brê narrando todo o seu sufoco durante o coma. O próximo de amanhã, é a continuação desse também, ok? Obrigada mais uma vez! =)

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