Entrei correndo em casa e subi as escadas. Meu coração já sentia saudade mas, ao mesmo tempo, um alivio me sucumbiu.
Talvez eu não conseguisse seguir em frente com tamanha bagagem me puxando para trás.
Entrei em meu quarto e Duda ainda mexia no computador. Me aproximei e puxei o fio do computador da tomada.
Duda ergueu os olhos e me fitou incrédula.
- Você precisa me ajudar. Tenho muitas coisas a resolver e não sei se dou conta de tudo sozinha. - eu disse, séria.
- Ficou maluca? Nem deu tempo de salvar o texto que eu estava escrevendo.. - ela disse, fazendo bico.
- Me desculpa, depois daremos um jeito nisso. Preciso de ajuda! - eu disse, tentando contornar a conversa.
Ela se ajeitou na cadeira, cruzou os braços e disse:
- Tudo bem, Brê. Me diz. O que te aflige?
Fui até minha cama e me sentei. Olhei para o travesseiro e ainda havia a marca do corpo do Luan que estivera encostado nele há minutos atrás. Meus olhos arderam. Um medo me invadiu: de que tudo fosse um sonho.
Pisquei dez vezes seguidas e voltei a olhar para Duda. Ela me olhava pacientemente.
Respirei fundo e dei inicio ao drama.
- Seguinte, Dudinha. Vou começar pelo começo. Primeiramente, decidi fazer uma tatuagem para o Luan. Pelo meu amor de fã. Vou fazer com a Michele. Segundo, o que faço com o cursinho? Como vai ser minha vida? E as fãs? Não tenho dúvidas de que suporto tudo por causa dele. Mas me sinto sem luz no fim do túnel. Tô desnorteada. Minha ficha não caiu ainda. Toda hora penso que isso é só um sonho. Na real, me sinto presa dentro de mim. E ainda tem os resultado dos meus exames que saem na semana que vem. Juro que dessa vez tô sem radar.. - eu disse, já com o choro transbordando meus olhos e um nó apertando a garganta.
Sem que eu pudesse ver direito, Duda me abraçou. Abraçou-me como uma mãe conforta o filho. Chorou junto comigo como se aquilo fosse resolver todas as minhas questões.
Me senti amada e protegida. O colo da minha melhor amiga empatava com o colo do amor da minha vida.
Me soltei do abraço e senti que meu rosto já estava inchado e nem o rímel à prova d'água teria resistido.
Duda secou meu rosto com as mãos e eu soluçava sem fim.
Respirei fundo novamente e disse:
- Obrigada por tudo. Dorme aqui essa noite? Tenho tanto a falar. Podemos deixar para amanhã todas essas interrogações que me doem. Quero te contar tudo sobre o Luan. Desde o momento em que o vi pela primeira vez no camarim..
- Sim! Tô louca de curiosidade. De repente, tudo o que sonhamos juntas se realizou. Aliás, te dou todo o apoio com a tatuagem.
- É, mas nós sonhávamos de brincadeira. Meus sonhos com ele eram todos escondidos e eu os guardava na gaveta mais funda do meu coração.
- Bobeira sua. Mas te entendo. Apaixonar-se pelo ídolo parece idiotice e só quem sente pode falar algo. - ela disse, me olhando com compaixão.
Sorri para ela. O diálogo terminou ali. Nada mais precisava ser dito. Duda era a única pessoa do mundo que, apesar de não entender nada daquilo, conseguia ver através de mim que tudo era verdadeiro e nascia do âmago.
Puxei-a pela mão e descemos as escadas. Saímos porta a fora. Sem rumo.
Espero que estejam gostando. Do fundo do coração. Obrigada, mais uma vez. Beijos, amoris.
Sem comentários:
Enviar um comentário