domingo, 12 de agosto de 2012

Capítulo 40

Naquele noite, eu dormira demais. Sonhei com Brenda novamente. Nossa telepatia estava funcionando melhor do que nunca.
Acordei animado com a ideia de poder ir visitá-la em Guarulhos. Mas minha alegria, em menos de segundo, se esvaiu. Ela não tinha acordado e nem sinal de vida.
Fiquei sabendo pelo Rober, que entrou no meu quarto batendo a porta.
- Acorda, donzelo adormecido. - ele disse, abrindo as cortinas. Já estava pior do que a dona Marizete. Mas como assim? Rober? Ele não estava internado?
- Aooo, filho da mãe. Mais respeito comigo porque sou eu quem paga seu salário, hein, fião? - eu disse brincando. Me levantei da cama indo em direção ao banheiro, dei um tapa na testa dele.
- Mais respeito comigo também, não sou seu escravo que você pode vir batendo em mim assim, trem. Fora que, não sei se você percebeu, eu tô recém-saído do hospital.. - ele disse, cabisbaixo.
- Sério? Nem tinha percebido.. - eu disse, caindo na gargalhada. Olhei para ele e ele veio até mim e me abraçou.
- Que isso, Rober? Não te dei o direito.. - eu disse, sério. Ele ficou parado me olhando por cinco segundos. Começamos a rir sem parar. Rober era meu amigo, quase irmão.
- Eu senti sua falta sim mas não vai se acostumando, hein, testão? Mas me diz, como você tá? - eu disse, agora reparando que ele usava um colar cervical no pescoço e gesso no braço direito. Ambas fraturas ocorridas no acidente.
- Tive algumas fraturas na coluna e preciso usar esse colar horroroso durante duas semanas e meu braço direito foi quebrado e vou precisar fazer umas vinte sessões de fisioterapia para que volte ao movimento normal. Mas fora isso, tá tudo certo. Tô vivo, não tô? Vivão da silva. E a Brenda? Tem notícias? - ele disse, mudando de assunto.
- Não me ligaram nem nada do hospital. Acho que não houve mudança alguma no quadro hospitalar dela.. - eu disse, olhando pela janela e desviando o olhar. Eu não conseguia falar sobre isso sem que meus olhos se enchessem d'água. Engoli em seco. Ele percebeu e deixou pra lá o assunto.
- Então, você já arrumou sua mala? Marquei no aeroclube e nosso vôo sai daqui a pouco. São Paulo nos aguarda. Só temos shows daqui há três dias mas acredito que você queira ver a Brenda. - ele disse, já procurando pelas minhas malas que ainda estavam jogadas no chão.
- É, acertou na mosca. Não vejo a hora de vê-la. - eu disse, entrando no banheiro.
Enquanto tomava banho, Rober organizou toda a bagunça das minhas malas e deixou que eu mesmo escolhesse o que levaria para São Paulo.
Sai do banho já com a roupa trocada e fui revirar meu guarda-roupa. Minha mãe mantinha tudo organizado demais pro meu gosto. Eu sempre deixava tudo bagunçado quando ia viajar. E quando voltava, tudo estava de volta ao seu lugar. Separados por cor, tamanho, tecido. Parecia até coisa da Brenda.
De malas prontas, desci para tomar café. Percebi que já passava da hora do almoço e eu dormira demais como sempre. 
Rober almoçou em casa. Meu pai já estava na Central então minha mãe nos levou até o aeroclube. Lá, Dagmar, Gutão e Well já estavam à nossa espera. 
Me despedi da minha mãe e embarquei. O sono ainda me incomodava. Eu odiava sentir tanto sono mas agora só conseguia ficar feliz com isso. Mais sonhos. Mais encontros com Brenda. Ainda que eu não me lembrasse direito das minhas ações lá, no subconsciente. Mas o que importava era estar perto dela. Ainda que estivesse tão longe do meu alcance.

Estão gostando? Comentem, amoris! =) beijos.




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