quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Capítulo 38

Minha mente girava e minha ficha havia caído. Eu nunca acreditei nessas coisas de telepatia ou algo relacionado à fenômenos sobrenaturais e todo esse blábláblá que a midia vive especulando. Afinal, de especulada, já bastava minha própria vida.
Mas algo dentro de mim me dera a certeza que eu precisava para seguir em frente. Brenda pedia socorro o tempo todo em minha cabeça enquanto eu dormia e, consequentemente, sonhava com ela. E isso contradizia tudo que eu acreditava.
Voltei a deitar e fitei o teto. Ela podia me ouvir, ela estava consciente. Eu sabia. Mesmo que os médicos me contrariassem. Eu poderia senti-la. Nosso amor de alma.
Peguei no sono novemente mas não sonhei dessa vez. Acordei após algumas horas. A frustração veio à galope. Eu só estava ali, colocando o sono em dia, para que pudesse encontrá-la. Mesmo me pedindo ajuda e vindo em minha direção portando todo o desespero do mundo. Ainda assim, ela estava viva. Em meus braços.
Decidi sair um pouco. Desci as escadas e chamei pela minha mãe. Chamei pelo meu pai. Chamei pela Bruna. E nada. 
Todos haviam saído?
Peguei as chaves do carro que estavam em cima do balcão da cozinha e fui até a garagem. Decidi dar uma volta pelo condomínio para espairecer.
Entrei no carro e saí da garagem cantando pneu. O crepúsculo - minha parte preferida do dia - estava acontecendo. Parei o carro na guia e desci em direção a um dos bancos em volta do lago. Me sentei e fiquei admirando toda aquela paisagem. E Brenda, mais uma vez, inundava minha mente.
Lembrei de nossa primeira noite juntos. Do jeito torto que ela dormiu ao meu lado e de como arrumara minha mala com tanto cuidado. Da nossa madrugada rindo e vendo as fotos dela e das amigas no facebook. 
Fechei os olhos e a materializei ao meu lado. Eu só poderia estar enlouquecendo de vez. 
Nunca imaginei que a ausência de alguém fosse doer tanto assim.
Fiquei mais alguns minutos sentado, jogando algumas pedras no lago para matar o tédio e afastar meus pensamentos de mim mesmo.
Estava quase escurecendo, e as pedras jogadas no lago não resolveram meu conflito mental. Dei meia volta e fui até o carro. Conectei meus fones de ouvido no player e coloquei a música mais dolorida do Zezé di Camargo e comecei a cantar alto enquanto dirigia: "VOCÊ É MINHA LUZ, ESTRADA, MEU CAMINHO.. SEM VOCÊ NÃO SEI ANDAR SOZINHO, SOU TÃO DEPENDE DE VOCÊ. CHAMA QUE ALIMENTA O FOGO DA PAIXÃO, CHUVA QUE MOLHOU MEU CORAÇÃO..". Passei pela entrada do condomínio e os seguranças na guarita me olharam assustados. Eu ri. Comecei a rir sem freio de toda aquela situação. Eu não havia percebido que estava cantando tão alto. Vi pelo retrovisor que os seguranças riam também.
Se não fosse trágico eu diria que era - no minimo - cômico.

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