A madrugada seria longa, de fato. Liguei para a Dagmar e avisei sobre o acidente e ela ficou de procurar o número da casa da Brenda e avisar a mãe dela sobre.
Ninguém tinha notícias sobre a saúde da Brê. Sentei em uma das cadeiras em frente à UTI e fiquei esperando o tempo passar. Milhões de coisas rondavam minha cabeça. Pensei em tudo que deveria ter dito. Pensei em tudo que deveria ter feito. A saída do médico, Dr. Othon, da unidade, me fez despertar de meus próprios pensamentos.
Me apressei em levantar e logo o abordei:
- Doutor, e aí?? - eu disse, demonstrando aflição na voz e no olhar.
- Olha, Luan, né? Ela teve vários traumas. Quebrou três costelas e as mesmas perfuraram um dos pulmões. Fraturou o pescoço e está em coma induzido. Ela vai ficar bem mas temos que dar tempo ao tempo. Preciso ir, qualquer coisa, fale com alguma enfermeira. - ele disse aquilo como se não fosse nada e saiu andando pelo corredor branco e sem vida.
Cai sentado na cadeira e quase me belisquei para ver se acordava daquele pesadelo.
Eu cochilava sentado e tinha o sono todo cortado. Algumas horas depois, uma enfermeira apareceu. Entrou na unidade intensiva e abriu as persianas. Levantei e fui correndo até o vidro ver minha princesa que dormia um sono profundo. Meus olhos arderam. Eu nunca tinha me sentido assim: tão apaixonado e fissurado. Queria poder estar no lugar dela. E eu me perguntava porque isso acontera logo com ela. Logo ela, que era uma fã fiel e que me acompanhava desde o inicio. Logo ela, que fizera de tudo - todas as vezes em que estive por perto - para me ver e sem pedir nada em troca. Logo ela que, ao entrar naquele camarim, abalou minhas estruturas e reforçou meu coração. Ela, que tinha entrado em minha vida de modo tão simples mas não por acaso.
Enquanto olhava para ela, ali, naquela cama, tive certeza que daria minha vida por ela caso fosse preciso. Um amor de alma. Eu podia senti-la viva.
Respirei fundo e me sentei novamente. O cansaço estava me corroendo mas não mais do que a dor que se alojava em mim. O medo da perda ainda existia e as palavras do médico foram vagas demais.
Voltei a cochilar e assim que peguei no sono, Dagmar chegou acompanhada do Well e da mãe da Brê, dona Edna. A mãe dela veio ao meu encontro e me abraçou forte. Dagmar foi logo até o vidro e ficou observando Brenda. Well permaneceu parado, quieto e encostado na parede.
- Oi, dona Edna. Eu sou o Luan.. prazer conhecer a senhora. Infelizmente, nessa situação toda. - eu disse, quebrando o silêncio.
- Olá, Luan. Você é mais lindo ainda pessoalmente e dou toda razão para a Brenda.. - ela disse e cortou o assunto. Foi até o vidro e ficou ali olhando a Brenda. Ela chorava sem parar. Fui até ela e a abracei novamente.
- Eu sinto muito, dona Edna. A culpa é toda minha. Eu não devia tê-la tirado de casa nem armado a surpresa para ela. E depois na hora de ir embora.. - eu disse e ela me olhou com os olhos inchados.
- Não se culpe por nada. Até o mal passo faz parte dos planos de Deus porque é totalmente necessário. Como ela está? O médico disse algo?
- Ela teve fratura no pescoço, uma das costelas quebradas perfurou o pulmão e está em coma induzido.. - eu disse e comecei a olhar fixamente de novo para a minha anjinha. Me faltavam palavras. Eu queria confortar minha sogra mas eu que precisava de conforto. Brenda agora era minha vida.
- E ela vai ficar em coma até quando? - ela disse, com desespero.
- Não se sabe ainda. Tudo depende da recuperação dela..
- Deus esteja ao lado da minha filha. E não a abandone nunca. - ela disse e fechou os olhos em oração.
Mergulhamos no silêncio novamente e ficamos olhando Brenda pelo vidro novamente. Até que dona Edna dirige a palavra a mim:
- Peraí. O que aconteceu? Eu só estou ouvindo sobre culpa e etc. Mas por que? Por que você está aqui? Que surpresa foi essa? - ela disse, entornando um monte de perguntas em cima de mim.
- Eu busquei Brenda em casa hoje, para fazer uma surpresa. Fomos até o Edificio Itália e eu a pedi em namoro. Ela aceitou. Agora eu sou o seu genro.. - ri e continuei - A parte da culpa é porque eu tenho compromisso de trabalho daqui há duas horas e tinha que descansar. Meu secretário, o Rober, ficou de levá-la para casa e aí então aconteceu o engavetamento e o acidente.
- Namorando a Brenda? Esse sempre foi o sonho dela. Meu Deus, que coisa horrivel. - ela disse e se sentou.
Dagmar me apressou e eu teria que ir embora e embarcar para o Rio para a gravação do Mais Você. Me despedi de dona Edna. Ela ficaria ali de plantão esperando por noticias e pela chegada do pai da Brenda, que ainda não estava sabendo do acidente.
Descemos para a recepção do hospital e perguntei sobre o Rober. Ele estava internado mas logo sairia. Apenas alguns arranhões e uma dor no corpo por causa da batida.
Fui direto para o carro e dali, meu caminho era apenas São Paulo. E enfrentar toda a mídia em cima de mim. Mais uma vez. Juntamente com a dor e incerteza que agora eu carregava junto a mim.
Desculpe a demora para a publicação do novo capítulo, aconteceram alguns imprevistos mas agora já tá tudo certo. Obrigada a cada um(a) de vocês que dedicam alguns minutos do seu dia/noite lendo minha fic. =)
Caraaaaa to com muita dó do Luanzinhoo :/ tadinho da bre :'(
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