quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Capítulo 37

Com Luan.

Em casa, eu tentava não tocar no assunto do acidente nem sobre a internação da Brenda. Mas minha mãe e minha irmã insistiam em saber como fora o encontro e o pedido de namoro.

Respirei fundo e contei tudo. Bruna quase chorou.
- Meu filho, que orgulho de você. Parece que finalmente tomou juízo e abriu mão da vida de pegador.. - ela disse e riu.
- De que me adianta essa vida de pegador? Olha pra mim agora, mãe. Veja bem minha situação. Eu nunca quis ninguém na vida e quando eu realmente encontro alguém que valha a pena, o destino tira de mim.. - eu disse, virando as costas para as duas e indo em direção às escadas.
Ouvi passos atrás de mim e subi correndo. Queria ficar sozinho e eu - naquele momento - não era boa companhia para ninguém.
Entrei no meu quarto, lugar que eu raramente ficava. Tudo estava sempre meticulosamente organizado. Minha mãe fazia questão de arrumar tudo, apesar da empregada, dona Mazé, que fora minha babá na infância, trabalhar conosco ainda.
Olhei ao meu redor e vi tudo o que eu tinha conseguido em consequência da realização do meu maior sonho. Sorri automaticamente. Um arrepio percorreu toda minha espinha. Estava me faltando um pedaço.
Fui até minha cama e me sentei em frente às minhas malas de viagem. Abri uma delas e vasculhei até a achar algumas fotos da Brenda comigo no camarim. Eu havia pedido ao Junior que movesse céus e terra atrás do perfil dela no facebook já que eu só sabia o twitter. Ele conseguira e salvou todas as fotos do álbum pessoal dela e do álbum de fotos comigo e mandou revelar várias cópias para mim. Brenda nem podia imaginar que eu fizera esse pedido ao Júnior.
Peguei as fotos do fundo da mala e fiquei olhando o sorriso da minha Brê. E eu sempre ficava me perguntando porque eu havia enlouquecido por causa dela. A resposta era simples: de todas as minhas fãs, ela foi a única que entrou naquele camarim com um olhar de vencedora. Entrou no meu camarim já pensando em me conquistar para sempre. Ela fez disso - com toda a determinação do mundo - a sua real missão. E eu percebi tudo isso com um simples olhar. Depois disso, eu não precisava de mais nada.
Me deitei na cama e continuei a admirar todas as fotos, com variadas poses. Milagre a Dagmar tirar mais de duas. Talvez Brenda tenha cativado mesmo, de fato, todos que estavam à sua volta naquela noite.
Cochilei e as fotos caíram da minha mão e pousaram no meu peito. Dormi um sono cheio de sonhos gritantes. Brenda estava em cada um deles, me pedindo socorro. Em algum lugar dessa dimensão, ela procurava por mim.
Acordei assustado, suado e cansado. Parecia que eu tinha corrido uns cem quilômetros sem parar.
Decidi tomar um banho frio apesar do mau tempo em Londrina. Entrei no banheiro e me vi no espelho: quase irreconhecível. Com olheiras e algumas espinhas nas bochechas. A testa molhada de suor e a raiz dos cabelos úmidos.
Não aguentei a água gelada e modifiquei o chuveiro para "inverno". Fechei os olhos e deixei a água escorrer pelas minhas costas cansadas e rígidas. Pensei na Brenda. E deixei escapar algumas lágrimas que foram direto para o ralo. Era melhor assim. Não gostava de chorar perto de ninguém. Não que eu seja machista ou coisa do tipo. Eu simplesmente não gosto.
Permaneci no banho por uma hora. Saí e vi meus dedos todos enrugados. Achei o máximo e me bateu uma idéia para o clipe da minha próxima música de trabalho.
Corri para fora do banheiro e anotei a ideia no bloco de papel que ficava em cima do criado-mudo. Coloquei uma camiseta vermelha, bermuda e meia. Joguei minhas malas no chão e deitei novamente para ficar olhando as fotos.
Caí no pré-sonho e um minuto depois acordei no pulo e falei sozinho:
- Meu Deus, como eu não percebi antes?

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