quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Capítulo 45

Devolvi as flores ao mesmo lugar que estavam antes. Peguei o álbum e comecei a folhear.
Logo no inicio, algumas fotos minhas com Duda no meu último aniversário e no dia dos pais, no qual o pai dela ainda estava vivo.
Na segunda página, algumas fotos minhas sozinha. Depois, uma foto minha abraçando minha mãe e outra fazendo careta com meu pai. Pensei no Luan de novo. Será que tudo foi sonho? Não é possível. 
Lembrei também, que eu não havia contado sobre o Luan a nenhuma amiga. Apenas minha mãe sabia. Mas, a essa altura do campeonato, Duda já estava sabendo. Aquele álbum era coisa da Duda, logo, não teria minhas fotos com o Luan. Talvez as do camarim.
Vi mais algumas folhas e nas quatro últimas, minhas melhores lembranças ali, reveladas. Isso era coisa da Duda, com certeza ela tinha fuçado minhas coisas. Não tinha dado tempo de revelar minhas fotos com o Luan (aquelas no hotel, que eu não jogaria em nenhum rede social). Fiquei olhando, admirada. Passei os dedos pela face de bebê que, pra mim, mesmo com o passar dos anos, ele possuiria para sempre.
Olhei cada detalhe das fotos. O sorriso dele, o abraço, os beijos. Tudo muito simples aos olhos alheios. Naquelas fotos, habitavam as lembranças que eu levaria comigo pro túmulo e até depois dele. Em outras mil vidas.
Cheguei ao final do álbum e, por coincidência ou não, estava escrito um texto meu para o Luan. Intitulado "mil vidas". Lágrimas involuntárias saltaram dos meus olhos. Era inevitável não me emocionar diante do meu maior sonho. Que agora não era mais sonho, era realidade.
Coloquei de volta o álbum e eu precisava ouvir a voz do meu menino. Comecei a ficar impaciente. Decidi tocar a campanhia da enfermaria. Dez minutos depois a enfermeira apareceu:
- Olá, dona Brenda. Como você se sente? - ela perguntou, entrando e caminhando devagar pelo quarto.
- Me sinto ótima mas quero preciso fazer uma ligação.
- Tudo bem. Sua mãe deixou seu celular carregado junto com seus pertences. - ela abaixou-se e abriu a porta da mesinha e me entregou uma bolsa. Saiu e bateu a porta.
Fiquei sozinha novamente. Pensei em ligar para o Luan mas tive uma ideia: fazer uma surpresa para ele. Apesar de eu tê-lo visto inúmeras vezes em meu sonho juntamente com seu desespero, eu queria, agora, que a felicidade dele fosse triplicada.
Disquei o número da minha casa. Minha mãe atendeu e não pareceu surpresa com minha ligação. Disse a ela para vir imediatamente ao hospital. Desliguei e disquei o número da Central. Eu não tinha o número pessoal da Dag, apenas do Luan. No terceiro toque, a secretária eletrônica me atendeu e encaminhou a ligação para o ramal da assessoria.
Por sorte, Dagmar estava no escritório. Ela mesma atendeu.
- Assessoria Luan Santana, boa tarde. - ela disse, em tom formal.
- Alô, Dagmar? - eu disse, ainda estranhando minha voz.
- É ela mesma. Quem fala? - ela indagou, meio intrigada.
- Sou eu, Dadá., a Brenda. - o silêncio se fez presente do outro lado da linha. Não ouvia nem o som de sua respiração - não fique assustada. Não é nenhum tipo de brincadeira e não me tornei nenhum fantasma. Eu acordei do coma ontem e preciso da sua ajuda.. 
Ela então desprendeu o fôlego e disparou para cima de mim com a voz fora de controle.
- MEU DEUS. BRENDA! É você mesma! O Luan já sabe? Pelo visto não, né? Ajuda? Tô ao seu dispor, Brê. - ela disse e mal podia imaginar o tamanho do meu sorriso ao ouvir aquelas palavras vindo dela. Principalmente o meu apelido. 
Expliquei o plano a ela. Era simples. Ela não soltaria a notícia para o Luan nem para a imprensa. O médico não contaria por conta da ética e eu daria um jeito de freiar a língua da Duda e dos meus pais.
Tudo resolvido. No dia seguinte ela viria junto com o Luan para Guarulhos e então eu mataria minha saudade de sempre.
Desliguei a ligação e olhei a data no visor do celular. Como o tempo havia passado? Dali a dois dias, faríamos um mês de namoro. Mês esse, que eu passara dormindo. Em coma. Uma lágrima escorreu. Eu havia perdido um mês intubada e desacordada, quando poderia estar junto do amor da minha vida. Pensei também nos planos de Deus e em como tudo tem uma razão. Eu nada poderia fazer diante disso.
Olhei para a mão direita, que segurava o celular. Era a mão da aliança. Analisei e não encontrei minha aliança. 
Larguei o celular e comecei a revirar minha bolsa. O desespero tomando conta de mim. Tirei tudo de dentro dela. Pensei tê-la perdido no acidente.
Finalmente, encontrei a aliança dentro de uma caixinha. Muito bem guardada. Com certeza, isso era coisa da Duda também. Peguei-a e li o que estava gravado dentro dela "Luan Rafael - Incondicional". Quis chorar. Não conseguia. Meu pulmão ardeu.
Guardei tudo dentro da bolsa e a coloquei em cima da mesa. Encostei na cama, fechei os olhos e relaxei.

O próximo capítulo também será esse "flashback" da Brenda, ok? Espero que gostem =) beijo, amoris.

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