Com a Brenda.
Eu adormeci em meio à escuridão de mim mesma. Minha consciência oscilava. Minutos pareciam horas. Eu não sentia meu corpo muito menos dor. Mas não conseguia acordar também.
Algum tempo se passou e ouvi uma voz ecoando em minha mente. A voz de sinos que eu mais amava nessa vida. Meu cérebro enviava comandos para que meus olhos se abrissem e minha boca falasse. Não conseguia. Algo impedia. Queria chorar, me sentia sozinha e presa dentro de minha mente sempre insana. Queria gritar, pedir socorro. Mas tudo permanecia em silêncio.
A voz se foi como se o botão "mudo" tivesse sido apertado. Me perdi achando que a voz me guiaria até a saída do túnel.
Algumas horas se passaram e eu acordei em mim novamente. Não conseguia abrir os olhos nem falar, mas conseguia ouvir. Ainda bem. Ouvia vozes o tempo todo e conseguia até ouvir os borrões de ar das pessoas que transitavam ao meu redor. Eu só poderia estar deitada, imóvel. E me sentia mais sozinha e esquecida a cada segundo torturante que passava.
Uma porta se fechou e o silêncio dominava o espaço. Senti um sono insuportável se aproximando de mim e minha cabeça girava tentando rejeitar. Foi em vão. Em menos de segundos, eu adormeci novamente. Mas dessa vez, sem tropeçar e cair na escuridão mais profunda que eu já tinha sentido e visto na vida.
Com o Luan.
O maquiador da Globo entrou e me ajudou a arrumar o topete. Eu já havia trocado de roupa e faltavam vinte minutos para minha entrada.
Depois, segui de carrinho até a casa-estúdio da Ana Maria. Dagmar não me acompanhou. O caminho todo Brenda rondava meus pensamentos. Não via a hora de chegar em Guarulhos para poder revê-la.
Subi as escadas e me senti no banco em frente à porta. Ana Maria me anunciou e abriu a porta. Eu a abracei.
- Bom dia, meu querido. - ela disse.
- Bom dia, Ana. Que prazer tá aqui de novo. - eu disse, com ela me guiando até a mesa do café-da-manhã. Isso havia me lembrado que eu estava faminto. Meu estômago roncou.
Sentamos à mesa e começamos a conversar sobre tudo: família, fama, trabalho. Seguimos assim e no intervalo devorei quase tudo. Parecia que não comia há dias e Ana Maria só me observava. Até que ela disse:
- Sua assessora não permitiu nenhuma pergunta sobre esse assunto no ar. Mas, aqui entre nós, como a Brenda está? - ela disse, com um certo tom de preocupação na voz. Eu paralisei.
- Ah, Ana. O estado dela é estável mas o coma induzido segue. Provavelmente porque o trauma no corpo dela foi muito grande.. - eu disse, pensativo.
- Então, me escute. Consigo ver nos seus olhos, apenas falando dela, a chama que esse amor mantém acesa aí dentro de você, rapaz. Não a deixe por nada. Não deixe que ela fique sozinha. Eu já li as notas que saíram por aí sobre o assunto e em hipótese alguma sinta-se culpado. Ele é sua fã, não é? Você a ama de verdade? Não a deixe escapar nem desista da recuperação dela. - ela disse séria, com o olhar fixo nos meus. Minha garganta ardeu e toda a comida que eu já havia comido passou a pesar cem vezes mais no meu estômago. Meus olhos lacrimejaram.
- Eu a amo demais, Ana! E tenho medo só de pensar em perdê-la. Não sei o que eu faço. Tento ser forte mas não dá! Nunca me deparei com uma situação dessas na vida.. - eu disse, quase chorando. Ana se levantou e me abraçou.
- Não fique assim, menino. Não deixe o medo te enganar. Deus está ao lado de vocês.. Ih, olha. Dois minutos para entrar no ar. Seque essas lágrimas que teimaram em cair e bola pra frente. Suas fãs que não tiveram a chance e a felicidade de serem escolhidas por você precisam do teu sorriso. - ela disse e sorriu pra mim. Sorri de volta e enxuguei as lágrimas teimosas.
Cantei Te Vivo e ganhei um Louro José de presente. Eu levaria para a Brenda em nome da Ana e do pessoal da equipe. Me despedi e fui embora. Corri até a van, Dagmar já me aguardava lá. Entrei e rumamos ao aeroporto.
- Dag, obrigada por não deixar a Ana tocar no assunto da Brenda ao vivo. Achei que eu iria ter que responder milhares de perguntas e, na moral, eu não teria capacidade para fazer isso. - eu disse, olhando pela janela.
- Eu te conheço bem, Luan. E isso não tá sendo fácil pra você e nem pra ninguém. - ela disse, mexendo novamente no tablet. Eu assenti com a cabeça e me encostei no banco. Tirei um breve cochilo até chegar no aeroporto. Desci da van e não avistamos nenhuma fã. Menos mal. Não queria que nenhuma me visse naquele estado depois das palavras da Ana Maria.
Bicuço já estava à nossa espera. Peguei minha maleta e procurei pelo meu celular. E nada. Well também não o tinha encontrado. Mandei sms para minha mãe pelo celular da Dag e pedi que ela fosse até a loja e comprasse outro pra mim mas com o mesmo número. Não esperei resposta dela e me ajeitei no banco.
Dali em diante, minha vida seria aquela: apenas para a Brenda.
Estão gostando? Não esqueçam de comentar, meninas! =) beijos.
aaaah, que triste =/ A Brenda tem que melhorar logo x.x
ResponderEliminarAAAAIN ; QUE DÓ DO LUUUUUUUUAN. :/
ResponderEliminarPosta o capitulo 35 má *----*
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