terça-feira, 7 de agosto de 2012

Capítulo 35

Em menos de quarenta minutos, pousamos em São Paulo. Chamei um táxi e rumei à Guarulhos. Sozinho. Não queria ninguém por perto. Mas eu sabia que o Well viria atrás de mim.
Cheguei ao hospital e havia uma multidão de jornalistas aguardando alguma notícia. Agradeci mentalmente. Sem o Well eu não conseguiria entrar. O taxista encostou o carro e vi o Well bater no vidro do carro. Desci sob escolta dele e fui atravessar os jornalistas. 
Não falei com ninguém e entrei no hospital com certa dificuldade. Passei pela recepção e nem precisei me identificar. Pegamos o elevador e subimos até o andar da UTI.
Logo no inicio do corredor, percebi ao longe uma movimentação em frente ao quarto da Brenda. Fui chegando mais perto e me deparei com o médico conversando com os pais e duas amigas da Brenda.
Eles perceberam minha presença e o médico se calou.
- O que tá acontecendo? - eu disse, com a voz aterrorizada. Pensando no pior.
- Calma, Luan.. - disse a mãe da Brenda.
- ME DIZ! O que tá acontecendo aqui? Cadê a Brenda? - olhei para o vidro e a cortina estava fechada. O desespero me bateu.
- A sedação da paciente acabou e ela não acordou. O coma agora não é mais induzido para observação. É profundo.. - disse o Dr. Othon, tomando cuidado com as palavras que usava. Senti o ar sufocando minha garganta e olhos arderem com as lágrimas. Engoli o choro.
- Quanto tempo ela vai ficar assim?
- Não posso te responder. Ela está estável e estamos fazendo todos os exames possiveis. Temos que aguardar. A enfermeira virá para deixá-los entrar. Apenas dois e só quinze minutos para cada.- ele disse, deu as costas e foi embora.
Minha vontade, ali, era de quebrar aquele vidro que me separava dela com minhas próprias mãos. Queria poder ser o super-herói assim como em minhas músicas. Salvá-la dessas trovoadas.
Abracei dona Edna e cumprimentei o pai da Brê, senhor Eduardo. Péssimo momento para conhecer os sogros, pensei comigo. 
A enfermeira chegou e dona Edna me deixou entrar primeiro. Entrei devagar, fechei a porta e a chamei pelo nome. Me aproximei. Fiz carinho no rosto machucado dela. 
- Brenda, meu amor? Pode me ouvir? - eu disse, aguardando uma resposta que eu sabia que não viria.
Cantarolei minhas músicas, que eu sabia que eram as preferidas dela. Resolvi cantar uma de minha preferência: Here Without You. Cantando, cheguei bem perto do ouvido dela. E chorei em silêncio. 
Ela não dava sinais de vida, só o coração batendo normalmente. Parecia um anjo, ali, serena. Dormindo como se estivesse em sua própria cama, em casa, esperando pelo próximo dia que nasceria.
Fiquei observando-a o restinho de tempo que ainda tinha. Beijei a testa dela e fui até a porta. Virei para ela e disseem voz alta:
- Volta pra mim logo, viu? Agora quem não pode viver sem você, sou eu. Tô te esperando. - eu disse, me sentindo um completo idiota. Mas eu já havia lido em algum lugar que pessoas em estado de coma profundo, ainda que dormindo, estão conscientes. Eu tinha essa esperança. Que ela ouvisse minha voz e meu pedido. Que ela saísse daquele estado critico e retornasse aos meus braços. Minha felicidade só seria completa com ela. Todo o dinheiro e fama que eu tinha, foram reduzidos a nada. Nada me importaria se a garota que, além de fã, havia se tornado tudo. 
Respirei fundo e abri a porta. Deixei dona Edna entrar e ficar com a filha. Me despedi do pai da Brê, que não parecia muito receptivo comigo mas também não demonstrava desdém. As amigas delas já tinham ido embora e talvez elas fossem minhas fãs também. Fiquei pensando nisso e acabei me desculpando por não ter dado atenção nem nada. Naquele momento, eu não era o Luan Santana. De quem todos esperavam sempre sorrisos, abraços e fotos.
Ali, eu era apenas o Luan Rafael: alguém que estava transtornado por dentro e com o mundo virado de cabeça para baixo. Alguém que podia perder - a qualquer momento - a única pessoa que amara verdadadeiramente em toda vida. 

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2 comentários:

  1. Oooonw meu Deus to ficaando dezesperada junto com o Luaan ja !! O.o HUASHASUHSUSH

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  2. AAAAH que triste, to ficando desesperada.. haha

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