Me arrastei vagarosamente pelo corredor junto ao Well. Sempre em silêncio. Uma van nos aguardava na porta dos fundos do hospital, apenas para driblar os jornalistas que insistiam em ficar de de plantão na porta do hospital atrás de noticias da "namorada (desconhecida) em coma do astro Luan Santana".
Entrei na van e Dagmar me esperava com a caixa do meu celular novo em mãos.
- Sua mãe pediu que eu comprasse aqui e entregasse para você, já que ela não sabe quando você volta para casa.. - ela disse, entregando a caixa do iPhone novo. Isso era bem coisa da minha mamusca, sempre preocupada com os outros.
- Obrigada, Dag. Mas quero voltar para Londrina hoje ainda. Na UTI só tem um horário de visita e apenas duas pessoas podem entrar. Já tive minha cota hoje e tô precisando ficar em casa um pouco e descansar.. - eu disse, me acomodando em meu lugar e abrindo a caixa do celular. Ela assentiu e seguimos em silênico em direção ao aeroporto.
Descemos da van e fui para o Bicuço. Lá estava meu travesseiro preferido. Eu precisava dormir. Corri para minha poltrona como criança que corre pro colo da mãe quando se machuca ao cair da bicicleta. Eu precisava dormir. Minha mente havia se tornado um problema e eu parecia absorver todos aqueles acontecimentos apenas agora. A ficha estava caindo.
Sentei, me ajeitei com o travesseiro e dormi. O vôo durou cerca de longas duas horas que eu mal consegui pregar os olhos. O pensamento fixo na Brê, que eu agora estava mais longe ainda de mim.
Desembarquei no aeroclube de Londrina e meu pai já me esperava no saguão. O abracei forte.
- Oi, meu filho. Como você tá? E Brenda? - ele perguntou, cuidadoso.
- Eu não sei, pai. O médico não diz coisa com coisa e tenho medo de que ele esteja nos poupando apenas do pior.. Sei lá. Não quero acreditar nisso. Quero ter forças para acreditar que tudo vai se resolver. - eu disse, me mergulhando em um mar sem fim de pensamentos.
- Talvez, você não se lembre. Mas quando você era menor eu te disse uma coisa que eu mesmo não consegui mais esquecer e depois de todo esse sucesso que você se tornou, passou a ter mais sentido ainda.. - ele disse, esperando que eu me recordasse da tal frase.
- "Deus não abandona, jamais, o coração de um sonhador." e é o que você é hoje, meu filho. Além de sonhador, agora é realizador de sonhos. E nunca vai estar desamparado. - ele disse e me abraçou de novo. Eu não disse nada simplesmente porque não precisava. Meu silêncio falava por mim. Eu não me lembrava da frase mas ela tinha mesmo todo o sentido do mundo.
Seguimos juntos até o carro. Eu carregava apenas duas malas. Entramos e fomos para a casa. Eu só queria o colo da minha família.
Com Brenda.
O mar estava me engolindo. Uma tempestade me atordoava por dentro. A maré estava alta e eu não conseguia nadar e respirar ao mesmo tempo. Sufoco.
De repente, tudo se acalmou e o sol se abriu. Fiquei admirada. A voz de sinos falava novamente. Dessa vez, tentei escutar com atenção. Era uma voz conhecida para mim. Fiz um esforço imenso para reconhecê-la. Talvez fosse minha mãe ou meu pai. Não tinha plena certeza. Ou poderia ser - realmente - a voz que eu mais amava nessa vida mas minha consciência não me deixava acreditar naquela hipótese.
O pedido de namoro ecoava em toda parte de mim. Senti que eu poderia até sorrir caso eu conseguisse acordar. O desespero começava a me engoli novamente. Por que eu não conseguia acordar? Eu estava presa em minha própria cabeça? Minha mente insana havia me engolido de vez?
Inúmeras perguntas rondavam meus pensamentos. Pensei de novo na voz. Consegui me acalmar e pude perceber que eu não sabia onde eu estava e nem como eu tinha conseguido chegar ali.
Mas de uma coisa eu tinha certeza: meu amor iria me guiar.
Não esqueçam de comentar, meninas! Adoro saber a opinião de vocês. Beijos :)
Nuuuuusa ... que nervozo cara .. O.O AUSHAUSAHUSH
ResponderEliminaraaaaaain ; ta mt lindo !
ResponderEliminarmais o que sera que vai acontecer com a Brê' ? sera que ela vai acordar loggo' ? taadin do Luuu' :'(
aaaaaaaaaain, ta cada dia mais lindo e triste :'(
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