sábado, 11 de agosto de 2012

Capítulo 39

Com Brenda.

A água estava mais escura do que de custume. Eu podia sentir o frio percorrendo cada veia do meu corpo. Não chovia, pelo menos. Vi o Luan alguns metros acima de mim, no píer, tentando me puxar pela mão. Meus pés pareciam pesar dez vezes mais. Não conseguia me mover. Não conseguia nadar e ir em direção a ele. Comecei a chorar desesperadamente e ele me olhava como se não me enxergasse de verdade. Ele tinha os olhos vagos, tristes. Como se tentasse me ajudar e não conseguisse mover os pés. 
Ouvi um grito. Meu olhar mudou de foco. Era Duda.
Ela corria sem movimento algum. Tentou pular no mar e não conseguiu. Chamava meu nome mas nenhum som saía de sua boca. Apenas os gritos, agora mudos. 
Logo atrás dela, vi meus pais e Luana. Ambos olhavam em minha direção. Eles pareciam realmente me enxergar ali, em meios aos caos. 
Minha mãe chorava em silêncio e meu pai a abraçava. Não entendi. Na verdade, havia um monte de coisas que eu não entendia.
Por que eu estava ali? Por que não conseguia me mover? Por que o Luan - que dizia me amar tanto - não me tirava dali? 
Parecia que uma barreira invísivel e intransponível existia entre as pessoas que eu mais amava na vida e eu, ali, mais sozinha do que nunca. Pensei nas noites em meu quarto. Dos sonhos com o Luan. Quis chorar mais ainda. Eu queria acordar. Mas eu estava, na realidade, dormindo? Ou aquilo tudo era verdade? Não conseguia acreditar em mais nada. Era outra dimensão.

Com Luan.

Dei mais uma volta no condomínio. O céu estava escuro e cheio de estrelas. Voltei para casa. Meus pensamentos vazios, enfim.
Minha mãe tinha ido ao shopping com a Bruna. Trouxeram para mim algumas camisas pólo e dois pares de tênis. Bruna subia as escadas com dificuldade por causa da quantidade de sacolas nas mãos.
- Oloco, Bruna. Trouxe o shopping inteiro pra casa? - eu disse, rindo.
- AINDA não.. - ela disse, ressaltando o "ainda" na frase.
- Olha lá, hein. Haja show pra pagar tudo isso.. - eu disse, pesando na dela. Bruna sempre foi bem retraída com relação às contas e etc. Uma vez, ela havia me dito que sentia-se mal gastando o dinheiro que eu suava tanto para ganhar. Tirei aquilo da cabeça dela. Era uma grande idiotice, na verdade. Meu sonho atingia a todos e minha vida financeiramente estável se estendia a ela também.
Depois disso, já era. Minha mãe a levava ao shopping toda semana. E sempre que eu chegava em casa, ficava falando na cabeça dela apenas para zoar. Depois de tanto tempo, ela nem ligava mais. Bruna era minha melhor amiga, além de ser minha irmã.
Quando Bruna finalmente conseguiu subir as escadas, pensei na Brenda. Eu poderia proporcionar tudo isso a ela. Tudo que ela quisesse. Meu sonho realizaria todos os sonhos dela também.
Da copa, conseguia enxergar a sala. Consegui ver meus pais sentados assistindo à tv, juntos há tantos anos e ainda unidos. Porquê, nem sempre, estar junto é sinal de união.
Fiquei ali olhando-os e pensando - mais uma vez - na Brenda. E em como eu queria que ela conhecesse minha família. E eu queria conhecer melhor a família dela. 
Pensando nisso, pude perceber que, na verdade, eu só queria que ela estivesse ao meu lado. Sempre. Não importando a hora nem o lugar.
Fui até a geladeira e peguei uma lata de coca-cola. Subi as escadas em direção ao meu quarto. Onde eu poderia - de novo - encontrar com Brenda nos meus sonhos.

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