Corri para dentro da loja e Mi saltou do balcão e veio em minha direção.
Esmaguei-a em um abraço apertado.
- Oi, princesa! Que saudade! Como você está? - ela disse, pegando minha mão e me conduzindo até a sala dela.
Antes de responder, sentei-me na maca.
- Eu tô bem e você? Também estou morrendo de saudades, Mi.
- Você fez uma puta falta, sabia? Enquanto você ficou internada, fui a três shows do Luan. As filas e a espera por ele não são as mesmas sem você. Ainda que agora as coisas tenham mudado, né? - ela disse, me olhando e esperando pela minha reação.
- É, mudaram mesmo. É por isso que estou aqui.. - eu disse, enquanto ela terminava de imprimir o decalque da tatuagem.
- Eu sei que sim. Não preciso nem perguntar se você tem certeza absoluta do que vai fazer. É óbvio que sim. Está pronta? - disse ela, vindo em minha direção para mostrar a arte.
- Estou prontissima. Como nunca estive na vida, aliás. Meu Deus, que letra linda! Caligrafia perfeita! - eu disse, olhando a folha recém-impressa.
- Esse decalque está pronto há mais de um mês, Brê. Nos dias que sucederam o acidente, eu trabalhei mais ainda nele. Eu sabia que você acordaria desse pesadelo e viria aqui realizar mais esse desejo.
- Eu também, de alguma forma, sabia que acordaria. Se eu disser que foi a força do amor pelo Luan, você acredita? Acho tão estranho..
Ela não respondeu, apenas mandou eu me deitar na maca e levantar a camiseta na altura do sutiã.
A palavra Incondicional tinha uns riscos e, ao mesmo tempo que era muito bem trabalhada, conseguia ser simples. E incrível. Conseguia passar a mensagem exata do meu amor de fã pelo Luan: simples, sincero e eterno.
Concentrada, Michele grudou o decalque e fui até o espelho ver a posição certa. Perfeita, pensei comigo.
- Tá maravilhosa! Pode começar. - eu disse, e ela sentou-se na cadeira com rodinhas.
Deitei na maca novamente e ela colocou a máscara e começou a preparar a máquina.
- Respondendo sua pergunta, tive que pensar muito sobre a resposta. Eu acredito sim, apesar de nunca ter tido conhecimento do seu amor por ele, além do de fã. Duda veio me visitar assim que você sofreu o acidente. Ela ainda não sabia mas quando saiu nos jornais as imagens do Luan no local do acidente, encaixamos as peças e tudo se encaixou. Ligamos para sua mãe e ela não pôde dizer que não. Aí caiu na imprensa e ele confirmou. Dagmar também e aí acreditamos. De inicio, ficamos chateadas com você. Luana veio do Rio de Janeiro te visitar e me disse que já desconfiava de tudo. - ela disse e despejou tudo aquilo em cima de mim. Engoli em seco. Imaginei Luan no meio da Via Dutra, desesperado, procurando por mim. Quase chorei.
Não falei nada e esperei ela começar a tatuar. Cinco minutos depois, ela começou. E ainda esperava por alguma palavra minha. Enfim, eu disse:
- Eu não sabia que vocês tinham se encontrado. É, eu errei em não contar sobre meu amor. Mas o medo do julgamento de vocês foi maior do que eu. Eu mesma julgava isso como idiotice, imagine vocês que não sentiam o mesmo que eu.. - eu disse, sentindo aquela dor aguda em minha costela.
O barulho da máquina zunia, rodopiava e entrava em meus ouvidos. Não chorei nem nada. Não conseguia, de tanta emoção.
Entre o barulho da máquina, Mi conversava comigo e contava sobre tudo que perdi do Luan no período do coma.
Tinha coisa que eu já sabia e coisa que não. De qualquer forma, eu amava escutar sobre as coisas do Luan. Ainda que repetidas.
Vinte minutos depois e tudo estava terminado.
Já somos mais de 1O mil visualizações. Orgulho que não cabe em mim. Obrigada por tudo! Espero que gostem. Desse e dos próximos capítulos que virão. Comentem aqui ou no grupo do facebook: http://www.facebook.com/groups/408165272572931/
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