Passamos pela portaria e meu coração dava cambalhotas e o fluxo de sangue aumentava em meu cérebro. Eu queria descer do carro e percorrer todo o caminho à pé. Correndo, na verdade.
O guarda apenas acenou para o motorista. Talvez ele já se conhecessem.
Continuei com minha detalhada observação. Olhava as casas, os jardins, os carros. Olhava tudo aquilo como se isso fosse retardar minha ansiedade e meu medo.
Fiquei impressionada com o tamanho de certas casas e carros que jamais vira na vida.
Depois de longos cinco minutos, o carro parou.
O motorista estacionou o carro na guia do lado oposto à casa do Luan. E eu, que estava do lado esquerdo, não conseguia fazer com que minha visão chegasse até a casa do outro lado da rua. Luan e Rober dificultavam minha visão e aquilo só me stressava ainda mais.
Senti minha mão suar e olhei para o Luan. Ele me encarou de volta, sorriu de leve e apertou minha mão.
Rober foi o primeiro a saltar do carro.
- Aonde você vai? - perguntou Luan ao Rober.
- Ué, vou entrar na sua casa. Quero ver a cara da Brenda quando conhecer sua família. Se no caminho todo ela ficou com essa cara de morta, imagina quando finalmente conhecer o povo? Essa não posso perder. - Rober disse, rindo.
- Nossa, mas você é um infeliz mesmo. Nunca mais diga isso... - disse Luan, bravo, provavelmente porquê Rober usou a expressão "morta". Entendia bem aquilo.
- Infeliz eu sou mesmo. Fazer o quê. Tô entrando, hein. - Rober disse, atravessando a rua.
Luan saiu do carro, me puxando pela mão.
Pisei no chão e achei que não teria firmeza suficiente nas pernas para dar inicio aos passos que me levariam ao encontro de minha segunda família.
Pisquei algumas vezes tentando retomar minha concentração e Luan segurou firme em minha cintura, me levando para mais perto dele.
Atravessamos as rua daquele jeito: juntinhos e de cinturas coladas. Mãos unidas.
Rober já havia entrado em casa e nós subimos pela garagem sozinhos.
Vi o Porsche do Luan estacionado e quis relar nele para ver se era de verdade o tal carro Jabuticaba.
O carro do senhor Amarildo e da dona Marizete não estava na garagem.
Fiquei com receio de não ter ninguém em casa e pensei que mais alguma dose de ansiedade e medo poderia corroer meu estômago.
Finalmente, quando Luan empurrou o trinco da porta e aquela sala de visita ampla e iluminada estendeu-se diante de mim, a claridade do local ofuscou meus olhos e eu quis chorar.
Luan passou na minha frente e me guiava, segurando minha mão.
Eu não sabia para onde olhar. Tudo ali chamava minha atenção.
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