Olhei e não enxergava nada. Apenas ouvia o barulho. Algo me dizia que o Luan estava envolvido naquilo.
Sai correndo da secretaria e senti os olhos de mamãe em mim.
Cheguei no pátio e vi cerca de vinte pessoas juntas. Pareciam amontar sobre alguém. Um alvoroço total.
Vi três inspetores interferindo naquela situação e tive certeza que não era alguma briga nem nada.
Sai em disparada novamente e por trás de algumas cabeças, consegui ver o topete espetado dele.
Luan estava sendo atencioso e distribuía fotos e autógrafos. Senti uma falta absurda do Well. Eu não conseguiria proteger Luan daquela, ainda que pequena, multidão.
Diante daquela situação, consegui sorrir. Ele era uma das melhores pessoas que eu conhecia e a prova estava diante dos meus olhos.
Depois de algumas tentativas, consegui me infiltrar entre as meninas e alguns meninos que o rodeavam.
Quando cheguei nele, ele me olhou e disse, enquanto tirava foto com uma menina que chorava lágrimas infinitas:
- Oi, amor! Olha só que legal. Tá cheio de nega aqui. Vem cá tirar uma foto com a gente. - disse e me puxou para perto dele. Sai em umas cinquenta fotos.
Depois de algum tempo, tentei controlar e conter as mais histéricas. Pensei em quantas vezes fiz um papel daquele: chorar compulsivamente na frente dos outros, gritar, chamar Deus..
As mais fãs, sabiam de mim e foram bem legais comigo. Pediram foto e tentaram conversar por algum tempo comigo enquanto Luan dava atenção para as outras.
Vi minha mãe se aproximar de nós e apresentei minha mãe a elas. Minha mãe as cumprimentou e disse que nos esperaria no carro. Mamãe piscou para mim como quem deseja "boa sorte".
Deixei as meninas lá e até hoje não consigo me lembrar do nome delas. Com certeza, foram as fãs mais compreensivas que já conheci.
Luan me chamou e fui até ele. Olhei para frente e vi o pessoal da minha antiga sala vindo em nossa direção.
As meninas que nunca haviam falado comigo me abraçaram e pediram foto com o Luan. Lembrei das fãs que nunca tiveram a oportunidade de, sequer, respirar o mesmo ar que ele.
E aquelas posers fizeram questão de tirar foto. Não pediram abraço nem nada.
E eu nem imaginava que no colégio em que fiz cursinho durante tanto tempo, haveriam tantas fãs.
Ainda que Luan sempre chamaria a atenção aonde quer que fosse.
Luan e eu nos despedimos das meninas e fomos embora de mãos dadas. Pude ouvir os cliques das câmeras fotográficas atrás de nós. Tudo sendo registrado pelas fãs.
Lembrei também de como eu ansiava por cada foto que tiravam do Luan. Qualquer coisa, de qualquer jeito, em qualquer lugar.
Assim que passamos pelo portão, Luan me olhou, sorriu e disse:
- Antes que você me mate, peço desculpas. Não brigue comigo por ter saído do carro. Não tive como deixar..
- Não vou brigar com você. O sorriso daquelas fãs ao ver você fez valer a pena todo aquele tumulto. Mas me conte. - eu disse, segurando firme em sua mão. Mamãe havia estacionado do carro longe da entrada do colégio pois não havia nenhuma vaga desocupada.
- Eu estava sentado no banco de trás do carro, como você viu. Resolvi abrir o vidro porque o ar-condicionado só poderia ser ligado com a chave do contato e o calor estava de matar. Aí, algumas meninas me viram sentado ouvindo música no celular e me abordaram. Fiquei sem reação, foi quase um susto. Mas não fiquei com medo nem nada. Desci do carro, abracei as fãs e tirei foto. Só que, não sei como, começaram a surgir um monte delas. E como eu estava sozinho, resolvi entrar no colégio que era mais seguro. Uma delas apertou minha bunda e tentou roubar meu óculos de sol. Só tenho fã maluca, Brê! - ele riu.
- Você fez certo, meu amor. Lá dentro, com certeza, era muito mais seguro que ficar na rua com essas meninas. E como conseguiu entrar no colégio? Você se identificou? - eu perguntei, curiosa.
- Uma das fãs é estudante do ensino médio. Aí ela conseguiu me colocar lá dentro. Fora que duas inspetoras pediram autógrafo para as filhas. Mas fiquei feliz, amor. É o sonho delas e disso eu sei que você entende. - ele disse e piscou para mim.
Chegamos no carro e dessa vez fui no banco de trás ao lado do Luan.
Minha mãe colocou um CD do Zezé di Camargo no player e aumentou o volume. Mamãe e Luan foram o caminho todo de volta para casa cantando as músicas.
Sorri com aquela situação toda. E a felicidade transbordou meu coração..
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