quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Capítulo 68

Passei o dedo sob a tatuagem. O local estava inchado e todo vermelho. Eu sabia que valeria a pena.
Agora, eu só teria que inventar uma desculpa para o Luan. Sempre odiei mentiras e parecia que eu estava traindo sua confiança. Mas era por uma boa causa.
Michele caminhou até mim e parou ao meu lado, analisando seu trabalho perfeito.
Virei-me para abraçá-la e agradeci.
Peguei o celular e digitei o endereço dali na sms.
Cinco segundos depois, recebi uma resposta do Luan: "Taqueupariu. Que demora pra mandar o endereço, Brenda. Você tá me traindo? Tô chegando aí e olha que eu capo esse danado hahahaha. Ainda assim, te amo."
Mostrei a sms para Michele e caímos na risada. Além de palhaço, era muito babaca esse meu namorado.
Nem precisei voltar para a maca. Michele fez o curativo ali mesmo e às pressas. 
Me arrumei e ficamos esperando na sala de espera do estúdio. Cerca de quinze minutos depois, pude ver pela porta de vidro, do outro lado do corredor, que Luan e Rober procuravam a loja sem conseguir nenhum êxito.
Sai da loja e o chamei. Fiz sinal com a mão e ele me viu. 
Um minuto depois, ele já estava em meus braços. Abracei-o fortemente e quase senti seu coração pulsando.
O resumo de toda minha vida, era aquele ser alto e com o cabelo espetado. E isso era irrevogável.
Ele se soltou e olhou para a loja. Acenou para Michele que quase desfaleceu no sofá da sala de espera.
- Então, o que você tá fazendo num estúdio de tatuagem? - ele disse, desconfiado.
- Só vim visitar minha amiga. Desde o acidente.. enfim, apenas matar as saudades. Ela é sua fã, vamos entrar? - eu disse, puxando-o pela mão e encerrando ali o assunto. Antes que ele me lotasse de perguntas.
Ele deixou-se guiar por mim e entramos no estúdio. Rober veio logo atrás. Na verdade, eu nem o tinha visto ainda desde o acidente. 
Soltei da mão do Luan e num impulso, o abracei. No ouvido dele, pedi desculpas pelo transtorno daquele acidente e ele apenas assentiu. Me soltei e sorri. Ele sorriu de volta e estávamos entendidos. 
Rober era o melhor amigo do Luan e havia presenciado toda a dor dele enquanto eu estava em coma. E, com toda certeza, ele fora uma das pessoas que auxiliaram o Luan e não permitiu que ele ficasse maluco de vez ou fizesse alguma besteira. 
Amigo de verdade é assim mesmo: acelerador na hora certa e fé no freio quando se é preciso.
Michele não conseguia se mover. Ficou paralisada com a presença do Luan.
- Ei, Michele.. ? - ele disse, em tom de dúvida.
- E-e-e-eu! Sou amiga da Brenda e sua fã. Relaxe, não te amo como mulher. Sou apenas fã! - ela disse tudo muito rápido. Tropeçou nas palavras e disse coisas sem nexo.
Comecei a rir e tentei consertar tudo.
- Calma, Michele. Segure-se! Nem toda fã ama o Luan como homem. Eu fui uma exceção. É que todo mundo tem essa mania de achar que fã é sinônimo de querer algo em troca. Eu quero apenas ser correspondida.. - eu disse, meio envergonhada. Mordi o lábio. Luan me abraçou por trás e beijou o alto da minha cabeça.
- É verdade.. e olha que de você, ninguém sabia. Mas, venha cá! Me dá um abraço, ídolo. Eu te amo tanto, Luan. Você sempre me deu forças. - Michele disse, entre lágrimas.
Nos abraçamos. Os três. Assim como fiz com Duda.
Do outro lado da sala, vi Rober. Pisquei para ele e ele disse, vindo em nossa direção e abrindo os braços:
- Ahhhh tá bom, então. Se vocês insistem, eu abraço também! 
Todo mundo riu. Michele e Rober saíram de perto e ficamos apenas Luan e eu. Abraçados.
Como se nada no mundo pudesse interromper aquele momento.
Nem o fato de que naquele dia, eu tinha feito uma das maiores loucuras em nome do meu eterno amor de fã.

Espero que gostem, amoris! Não esqueçam de comentar. Obrigada <3

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