Caminhamos em direção à saída do mini shopping, abraçados. Rober e Michele vinham logo atrás de nós. Eles acabaram fazendo amizade. Mais tarde, isso renderiam muito pano pra manga.
Entramos no carro e daríamos uma carona para Michele. Luan e eu fomos no banco de atrás. Eu não conseguia medir a saudade que sentia dele. Todo e qualquer segundo juntos, era a eternidade.
Talvez eu não tivesse muita noção da imensidão desse amor. Eu apenas sentia.
Enchi Luan de carinho, abraço, beijos e afagos. O paraíso existia e encontrava-se ao meu lado, no banco traseiro daquele carro alugado.
Rober e Michele ignoravam nossa presença. Na verdade, eu também os ignorava.
O mundo todo morria e perdia a graça quando eu estava com Luan.
Michele saltou em frente ao prédio em que morava há anos. Ela era seis anos mais velha do que eu e eu a admirava por alimentar o sentimento de fã mesmo com o avanço da idade. Mas ela seria uma eterna adolescente, eu sabia.
Quando o carro parou e Michele saiu, olhei pela janela. Vi a portaria e o senhor Paulo, porteiro e síndico do prédio. Ele, que presenciou alguns momentos de revolta, frustração e lágrimas. Ali mesmo, naquela portaria que, se falasse, teria muita história para contar.
Senhor Paulo não permitia gritaria e baderna no pátio do condominio. Então, tinhamos nossos momentos de fãs ali mesmo, na calçada daquela rua sem saída. Em frente à portaria.
Certa vez, quando todas já tinham conseguido conhecer e abraçar Luan, eu entrei em pânico.
Me senti a última das últimas. Abandonada por Deus, à mercê do destino. Chegamos do show e eu sentei na calçada, inconsolável. Chorei e gritei. Minhas amigas tentavam contornar a situação mas eu mal abria os olhos. Foi ali que percebi o quão maior que eu já estava aquilo tudo.
Nessa, senhor Paulo saiu de sua guarita e foi ver o que estava acontecendo. Sem mais rodeios, disse para mim: "que idiotice, menina! você nunca vai realizar esse sonho tolo! levanta da minha calçada antes que inunde tudo".
Na mesma hora, parei de chorar e ergui a cabeça. Sequei as lágrimas e liguei para minha mãe. Como uma criancinha indefesa.
Enquanto esse filme rodava em minha cabeça, eu nem piscava. Fiquei observando tudo e quis descer do carro e esfregar minha conquista na cara do tal sindico.
Mas preferi deixar quieto. Não ia expor o Luan daquela maneira.
Respirei fundo e guardei todas aquelas lembranças dentro de uma gaveta funda da mente. Elas me fortaleceram mais ainda e fora um combustível para que eu chegasse em meu objetivo.
Luan ficou me observando, sem que eu percebesse. Acariciou meu braço e respeitou meu silêncio.
Pelo vidro do Rober, acenei para Michele que estava parada na calçada.
Arrancamos com o carro e Rober colocou o cd da Avril Lavigne no carro. Adolescente, pensei comigo.
- Nossa senhora, hein? Barbado desse jeito e ouvindo Avril. Tem vergonha nessa cara feia não, testa? - Luan disse e eu ri. Trollando.
Rober mostrou o dedo do meio para ele pelo vidro retrovisor.
- Acho que você já sabe onde você põe esse dedo né, Roberval? Mal educado.. - Luan retrucou e riu.
Ignorei aquele papo dos dois e beijei Luan novamente.
Seguimos de mãos dadas e abraçados até minha casa.
Espero que gostem, amoris! Comentem aqui ou no grupo do facebook. Obrigada!
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