Não sei se fiquei tão concentrada com o papo da Michele ou se mal tinha doído, de fato.
Ela limpou o local e disse que eu já podia me levantar para ver.
Levantei com o maior cuidado e fui até o espelho de corpo inteiro que ficava no lado oposto ao da maca.
Quando cheguei no espelho e me virei para olhar, meu celular começou a tocar impacientemente.
Olhei na direção da minha bolsa e algo me dizia que era o Luan.
Antes mesmo de ver a tatuagem, corri para atender. Abri a bolsa, procurei o celular e senti o olhar de Michele em mim.
Finalmente, achei o celular e, na mosca. Era o próprio. Ao ler o nome dele, meu coração palpitou.
Atendi e tentei me acalmar.
- Alô?
- Oi, princesa. Onde você tá? Tô aqui na sua casa e não tem ninguém. O show de hoje foi cancelado por causa da chuva lá em Minas..
Nenhum pensamento me ocorreu. E agora? Eu não conseguiria mentir para ele. Refleti por dez segundos e então respondi, gaguejando:
- Ah, a-a-mor. Eu tô na minha amiga Michele.. - eu disse, olhando para ela. Pude perceber, de longe, que minha tão amada amiga enrijecia na cadeira. Ela era tão fã dele quanto eu.
- Michele? Quem é essa, Brenda? - ele disse, desconfiado. Talvez eu não tivesse comentado sobre ela, justamente por ela ser tatuadora e a tal tatuagem já estar em meus planos.
- É uma amiga minha. Ótima amiga, aliás. - eu disse e sorri para ela.
- Hum, tá. Mas como que faz? Tô aqui no seu portão com esse pé no saco do Rober. - ele disse e riu.
Comecei a rir. Luan era sempre palhaço.
De súbito, resolvi pedir para ele me buscar ali no estúdio. Fora que Michele só tinha o abraçado uma vez e já fazia dois anos..
- Faz o seguinte, vou mandar o endereço daqui via sms. Aí você vem me buscar. Pode ser, amor? - eu disse, pensando que ele negaria porque quem dirigia era o Rober.
- Claro que te busco, Brê. Passa o endereço e já vou voando.
- Vou voar.. - eu disse e ri. Ouvi sua risada abafada e sem jeito. Som de sinos para mim.
- Quem quer amar? Sonhar alto, voar sem parar. - ele disse e consegui ouvir Rober resmugando ao fundo. Ri novamente.
- Tá bom, príncipe. Cante para mim mais tarde e longe desse mala-sem-alça. Vou desligar e espero você. Te amo.
Antes que ele pudesse responder, desliguei. Eu estava ansiosa para ver o desenho tatuado em mim.
Larguei o celular em cima de um sofázinho que ficava ao lado do espelho e me virei.
O desenho acompanhava minhas costelas e parecia até que eu já havia nascido com aquilo preso em mim.
Uma lágrima escorreu. Mais do que nunca, minha história com Luan estava escrita em mim.
Um caminho sem volta.
Espero que gostem. Comentem aqui ou no grupo do facebook. Obrigada, amoris! s2
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