segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Capítulo 59

Assim que chegamos na esquina, lembrei que nossas antigas bicicletas ainda estavam encostadas na lavanderia de mamãe.
Parei de correr abruptamente.
Duda me olhou séria dizendo:
- Que foi? Esqueceu alguma coisa?
- Esqueci. Esqueci de lembrar que ainda há tempo de fazermos esse passeio de maneira mais radical e, ao mesmo tempo, relembrando nossa boa e velha infância.
Sem maiores explicações, Duda entendeu na hora. 
Giramos nos calcanhares  e corremos de volta para minha casa.
Entramos correndo em direção à lavanderia. Peguei a minha (vermelha) e Duda buscou a dela (rosa). 
Saímos pelo portão já pedalando. Senti o vento bater em meus cabelos e não pude deixar de pensar no Luan. 
Resolvi tentar não pensar nele ali, naquele momento. Junto com ele, outros pensamentos me invadiam.
Estar com Luan não era um problema para mim. Mas eu ainda tinha um tanto de coisas a serem resolvidas.
Empurrei os assuntos chatos para o fundo da mente. Depois eu os enfrentaria.
Olhei para o lado e vi Duda me observando pelo canto do olho. Ela me conhecia bem demais e sabia que meu silêncio era em prol dos problemas que me afligiam.
Sorri para ela e pegamos mais velocidade. 
Ela se aproximou de mim com a bicicleta e pedalou mais perto. 
Avistei uma ladeira e disse:
- Olha só quem está aqui. Já caímos de bicicleta nessa ladeira, lembra? -disse, inundando minha cabeça com aquelas memórias de criança.
- Claro que lembro. Vamos tentar de novo? - ela disse, sorrindo.
- Vamos! - eu disse, já gritando para que ela me ouvisse por causa do vento que corria entre nós.
Pedalei com mais força para alcançar Duda e chegamos no ínicio da ladeira.
Tirei uma mão do guidão e Duda também. Descemos a ladeira sem pedalar, de mãos dadas. Unidas como sempre.
Lembrei que, talvez, eu não pudesse abusar e fazer tal esforço. "Dane-se" gritei. Duda nem chegou a ouvir.
O vento chicoteava nossos cabelos e fazia cócegas em nossas bochechas.
Próximo ao fim da ladeira, soltamos as mãos e freiamos.
Parei no meio-fio e Duda veio em minha direção, ficando ao meu lado novamente.
- Já te agradeci por tudo que você já fez e têm feito por mim? Com essa onda de coisas acontecendo todas ao mesmo tempo, não me lembro de ter agradecido. - eu disse, relaxando o corpo em cima do banco.
- Agradeceu sim, eu acho. Mas isso não importa e é totalmente desnecessário. Você é uma das pessoas mais importantes da minha vida. - ela disse, sorrindo.
Segurei o choro. Aquela não era hora para isso. Apenas sorri de volta e assenti. 

Espero que estejam gostando! =) obrigada, amoris! <3

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